quinta-feira, 4 de maio de 2023

Erotismo à mesa

 Os comensais habituados às virtudes da minha mesa, sabem que nada fica por mencionar. 

O gengibre é um dos meus ingredientes secretos, estimula a circulação e realça todos os sabores em qualquer prato mais exótico.

Este rizoma sempre foi muito utilizado para tratar disfunção eréctil; existem registo escritos que Luís XV misturava na sua gemada gengibre para incrementar os seus propósitos á luxúria.

A perdiz exótica vem sendo um dos pratos mais preparados por mim. A tiborna de perdiz é tão idanhense como eu, rega a espiritualidade local em prazeres dilacerantes. Esta carne selvagem envolta em sumo de laranja, gengibre e mel, seduz o passado na contemporaneidade. Perfeitas 250g de carne, seladas no quente do ferro e o ouro do lagar. Massajar a pequena perdiz numa massa de alho fresco e sal, depois de selada, (não se deve queimar o alho). Fresco e descascado, entra o gengibre para aromatizar em pequenas lascas, o louro e a malagueta, deixo cozinhar um pouco, num acto singular rego com sumo de uma laranja com mel e deixo estufar, salsa quanto baste e 5mn em lume. Passe o pão por azeite e aqueça-o na sauté para que fique louro,  sirva a perdiz em tiborna. 

E assim ofereço a minha inspiração gastronómica aos prazeres da comensalidade. 


Divirtam-se!



quarta-feira, 3 de maio de 2023

Especialistas em Idanha

Eles não seguiram o pin drop que lhe havia enviado. 

Pararam num dos sítios públicos, perto da rua onde iriam almoçar o repasto que se preparará. A funcionária do espaço, prontamente afirma que Eu não existo... 

Toca o meu telefone, e ouve-se a conversa.

Passaros esvoaçantes e incrédulos da minha existência.

Havia preparado um excelente centro de interpretação regional, daqueles que só o palato consegue definir qual o caminho certo a tomar.

Os comensais entraram e rejuvenesceram dentro deste humilde canto, fazia-se ouvir os estalidos do pão de centeio que ainda fumegava, na envergonhada trufa que dançava na nata salgada e batida. O mel com pó de carvalho esse escorria num leito fermentado de cabra e ovelha salpicado de noz... tudo se compunha agora sentados na longa mesa de castanho. 

A toalha de linho mostrava o imaculado momento, a música de fundo alegrava os corações, dos que estavam e dos que chegaram. 

O aroma do fumeiro, que se fazia mostrar entre a batata era porco, criado pela mão dos de cá, um luxo.

A ementa prometia, os comensais bebiam alegres a reserva do nectar beirão, estrondosamente as nuances dos frutos vermelhos sobressaiam às especiarias deslizando num aveludado persistente.

Num caldo uniforme e quente afastado de grande gala e abundância iniciavam os convivas o parco repasto.

"Este Rei todos os dias, festeja a companhia Lusitana, com banquetes , manjares desuados, com fruta, aves, carnes e pescados." 

Dizendo a cozinheira em tom de poeta, interpelando os sons de bom comer.