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quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Dia de celebrar o desapego

Hoje é o dia de celebrar o desapego, de celebrar os nossos antigos, em reunião com a família que se junta. Nada melhor que vos oferecer a broinha que me satisfaz♡ 

Ingredientes:

- 2 chávenas de farinha de trigo

- 1 colher de chá de fermento em pó

- 1 colher de chá de bicarbonato de sódio

- 1 colher de chá de canela em pó

- ½ chávena de cacau em pó

-½ chávena de café mistura solúvel 

- 1/2 colher de chá de noz-moscada

- 1/4 colher de chá de cravo em pó

- ½ colher de erva doce

- 1/2 chávena mel

- 1/2 chávena de açúcar mascavo

- 2 ovos

- 1/2 chávena de azeite

- 1/2 chávena de nozes picadas, amêndoa...

- pitada de sal


Ao forno a 180°C e unte um tabuleiro  com manteiga e farinha.

Numa tigela, misture a farinha de trigo, o fermento, o bicarbonato de sódio, a canela, a noz-moscada,o cravo em pó, cacau, erva doce e café solúvel.

Num tacho misture o mel, o açúcar mascavo, os ovos e o azeite.Agora que têm as duas misturas de ingredientes secos junte numa só mistura de mel e mexa até que fique homogénea, leve ao lume e coza até a massa começar a não colar ao fundo. Desligue o lume e aguarde que arrefeça. 

Adicione as nozes picadas.


Faça pequenas bolinhas, com a mão untada de azeite, leve ao forno preaquecido por 7 minutos, mais tempo ficam mais riginhos.

Retire, deixe arrefecer e passe por açúcar granulado. 


Deliciosas broinhas que vos trarão o "pão por deus" das minhas boas memórias.


Divirtam-se ♡ 




quinta-feira, 19 de outubro de 2023

a maturidade do Chef

Ontem, em preparação da faina do olival, fui refletindo em como é importante a união sem egos no seio em que trabalho. No meio da natureza e do trabalho agrícola curo os meus pensamentos e aproximo-me cada vez mais da sólida vivência anti-social.
O cozinheiro, como profissional responsável pela preparação de alimentos, é capaz de oferecer experiências gastronómicas prazerosas e profundas, fundindo as pessoas num contexto de vivência e cultura alimentar. Para isso, o cozinheiro deve conhecer os ingredientes que utiliza e ter habilidades culinárias que permitam criar pratos saborosos e de equilíbrio substancial. 

Penso que esta classe pode utilizar sistemas operativos e de rede, afastando os lobbies (que só criam divisões), de sublinhar as escolhas alimentares que possam contribuir na conexão e proporcionar momentos de excelência aos convivas. Destaco o papel do cozinheiro como um agente importante na criação de experiências gastronómicas que vão além do simples ato de alimentar, mas que têm o potencial de elevar a sua memória afetiva.
Considero que o cinismo na alimentação dá ênfase a uma postura cética ou descrente em relação aos benefícios da alimentação saudável e sustentável, ou na relação à possibilidade de mudança de hábitos alimentares em escala global. Já o civismo na alimentação pode se referir à prática de escolhas alimentares que levam em consideração não apenas a saúde, mas também a saúde do planeta e das demais pessoas. Essas duas posturas podem ser usadas como arma política e filosófica por pequenos grupos que buscam promover mudanças nas escolhas alimentares da sociedade em geral. Deste modo esta influência pode variar de acordo com as tradições e os graus de adesão a posturas em diferentes grupos e comunidades. Creio que a minha afirmação destaca a possibilidade de que o cinismo e o civismo na alimentação possam ser limitados por fatores culturais e sociais.  Destaco a possibilidade de que a alimentação simples conduz algumas pessoas a sentirem-se superiores a outros, levando a contrastar na busca de uma sociedade mais justa e harmoniosa. Devemos lembrar-nos que cada pessoa tem as suas próprias motivações e valores e que é possível adotar um estilo de vida mais saudável e sustentável sem criar divisões ou hierarquias entre as pessoas, empresas e produtores. 

Efetivamente sou muito romântica, por isso partilho a minha Vitela assada na merenda da faina agrícola;
Comprei um ganso de vitela [800g], no talho local, o abate tinha acontecido na 2a feira, garantiu o Fonseca da SACIF. Estava fresco, preparei no tacho com 50gr de manteiga, 2 copos de caldo de carne com vinho branco, alho,rosmaninho, sal e pimenta. Em lume brando, permitiu que fosse cozinhado sem selar. 
Após cozinhado,  fatiar e servir, acompanha o pão cozido no forno de lenha da Zebreira. 

A partilha divertida em casal.

sábado, 14 de outubro de 2023

"Olha a Laranjinha que caíu, caíu! "

Em Idanha-a-Nova, Portugal, a laranjeira não é uma das árvores endógenas. A região é conhecida por ter uma vegetação característica do bioma mediterrâneo, com predominância de árvores como o sobreiro (Quercus suber), o azinheiras (Quercus rotundifolia), o zambujeiro (Olea europaea) e outras espécies típicas da região.


Embora a laranjeira seja amplamente cultivada em Portugal, especialmente nas regiões mais quentes do país, ela não é considerada uma espécie endógena, ou seja, originária daquele lugar. A laranjeira é, na verdade, uma espécie exótica, que foi introduzida no país pelos portugueses durante a época das navegações, assim como ocorreu em grande parte da Europa.


Em meados do século XV, trazida pelos portugueses nas suas viagens de exploração e colonização do Novo Mundo. A fruta encontrou um solo fértil e um clima propício na península ibérica, onde foi cultivada em larga escala.

A partir de Portugal, a laranja disseminou-se por toda a Europa, ganha popularidade entre os povos do continente. A fruta era considerada muito valiosa na época, já que era altamente nutritiva e ajudava a prevenir o escorbuto, doença agressiva que se manifestava nos marinheiros durante as longas viagens marítimas.


Hoje em dia, a laranja é uma das frutas mais consumidas em todo o mundo, sendo cultivada em diversos países e utilizada em diversas receitas da culinária internacional.

Gosto especialmente de  doce de laranja verde é uma iguaria típica do nordeste brasileiro, especialmente dos estados de Pernambuco e Bahia, terras onde o meu adn genético cresceu. Este doce feito a partir da casca da laranja verde, torna a laranja ainda mais apetitosa e aproveito-a em todos os seus momentos, visto que tenho algumas árvores no meu pomar.


 Para esta receita, cozo-a várias vezes de forma a eliminar a acidez e o amargor antes de lhe adicionar o açúcar.

 Corto as cascas da laranja em tiras finas e deixo de molho em água cerca de 24 horas, troco a água de tempos a tempos. As cascas são cozidas em água até ficarem macias, repito em 3 a 4 vezes, só depois são escorridas e reservadas.

Imediatamente, faço uma calda com açúcar e água, com a proporção de 1 para 2, que levo ao lume até atingir o ponto de fio. As cascas de laranja são adicionadas à calda e cozidas cerca de 30 minutos, até que fiquem bem macias e o doce tenha encorpado.


[Doce que a minha cunhada me oferecia com laranjas oriundas do Sobral Monte Agraço ]


segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Marmelo ancestral em paz e amor - Idanha a Nova

 [GOLDEN APPLE, diziam os gregos]

Em meados do século VIII, durante o período medieval, trazido pelos árabes. O marmelo começa a ser cultivado em diferentes regiões da Europa. No entanto, foi somente no século XVIII que o marmelo se popularizou na Inglaterra, onde era consumido principalmente na forma de geleias e doces. Atualmente, o marmelo é amplamente cultivado em países como Portugal, Espanha, Itália, França e Grécia,  muito usado tanto na culinária quanto na produção de cosméticos e medicamentos.

Os reis da Europa medieval consideravam o marmelo uma das frutas mais nobres e valiosas devido ao seu sabor exótico e raro, além das propriedades medicinais que lhe eram atribuídas. O marmelo era frequentemente oferecido como presente entre a nobreza e era um ingrediente muito apreciado na culinária refinada da época. Na medicina medieval, o marmelo era utilizado para tratar diversas doenças, principalmente problemas gastrointestinais. De acordo com crenças populares, o marmelo também tinha a capacidade de afastar doenças e energias negativas. 

Geralmente associado à riqueza, prosperidade e boa sorte, muito valorizado tanto pela sua utilidade quanto pelo seu simbolismo. Servindo-me do marmelo como modelo espiritual, o marmelo simboliza a fertilidade e a vida eterna. Algumas culturas associam o marmelo à Deusa da Sabedoria e à Deusa da Fertilidade. 

A primeira, filha de Zeus, Atena para os Gregos e Minerva para o Império Romano, protegia o saber aos poetas, a filósofos e arquitectos. Já Deméter, a deusa das terras férteis, da colheita em abundância, na agricultura e das estações do ano. Responsável por ensinar a humanidade a plantar o amor. 

O marmelo é considerado um símbolo de amor, pela forma de coração com polpa macia e doce, inspirando a doçura do amor e a esperança no futuro profícuo  e generosamente feliz. Desde sempre simbolo que frequentemente é usado em rituais e cerimônias de purificação nomeado como o símbolo da paz e harmonia.

Fruta de casca dura e sabor adstringente altamente valorizada pelos antigos gregos e romanos, que acreditavam que ela possuía propriedades medicinais e podia ser utilizada no tratamentos de diversos males. Além disso, o marmelo também era muito apreciado na culinária, muito utilizado para fazer compotas, geleias, chutneys e outros doces. Até hoje, o marmelo é conhecido por seu sabor único e pela versatilidade, sendo utilizado em receitas salgadas e doces em diversos países ao redor do mundo.  Enquanto a maçã é mais suculenta e adocicada, o marmelo é mais duro e possui sabor adstringente. 


Convido-vos a cozinhar a  receita de marmelada portuguesa com o meu cunho pessoal; 

Ingredientes:

- 2 kg de marmelos

- 650g de açúcar refinado

-cravinho

-pau de canela

-limão sem casca 

-hibisco

-1 cálice de vinho doce

- Água

Modo de preparo:

Lave bem os marmelos, retire os caroços e corte em pedaços pequenos.

Coloque os pedaços de marmelo e todas as especiarias  numa panela grande e adicione água suficiente para cobrir os pedaços. Cozinhe em fogo médio até os marmelos ficarem macios.

Quando os marmelos estiverem macios, retire do fogo e misture bem com uma colher de pau ou passe-os no liquidificador até obter um puré fino.

Pese o puré de marmelo e adicione a mesma quantidade de açúcar refinado e o limão sem casca e sem partes brancas..

Volte a misturar bem o puré de marmelo com o açúcar e leve ao fogo médio, mexendo sempre até levantar fervura.

Quando começar a ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar por mais 2 horas, mexendo de vez em quando, até a marmelada atingir o ponto firme.

Quando a marmelada atingir o ponto, retire do fogo e despeje em formas previamente untadas com spray de óleo, isento de sabor... Deixe arrefecer e depois corte em pedaços.

Se preferir, pode envolver a marmelada em açúcar ou secar ao sol, antes de servir.

A marmelada fica especialmente boa quando é feita com marmelos bem maduros e aromáticos. O processo de cozer o marmelo até obter um puré é um pouco demorado, mas é essencial para que a marmelada fique com uma textura suave e aveludada.