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segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Transcende o simples

O pão é um alimento simples e tradicional sendo a base alimentar da comensalidade. Feito com ingredientes naturais e rústicos, como farinha de variados cereais, água, fermento e sal, o pão feito nesta "Casa da Velha Fonte" é um símbolo de simplicidade, de proximidade com a natureza e de valorização dos alimentos locais.

 Inspirado na ancestralidade é um alimento inclusivo, que pode ser compartilhado entre várias pessoas e que combina com diversos tipos de acompanhamentos, como queijo, manteiga, geleia e outras pastas. Por essas características, o pão na nossa casa tornou-se um alimento ideal para a comensalidade, pois ajuda a criar um clima de união, de compartilhamento e de descontração entre os convivas.

Durante os repastos o pão é sempre o protagonista da mesa, e é servido quentinho, recém-saído do forno, acompanhado de outras delícias culinárias inspiradas no universo das civilizações que por aqui se deslocaram. Combinação de sabores e aromas cria um ambiente acolhedor e agradável, que convida os convivas a desfrutarem da comida e a conectarem-se.

Não considero apenas um alimento, mas sim um símbolo da comensalidade e da união entre as pessoas. É um alimento que valoriza a simplicidade, a natureza e a tradição, e que ajuda a criar experiências gastronómicas inesquecíveis.

A oferta de Banquete é uma experiência gastronómica que vai além de um simples jantar temático baseado na trilogia destas aldeias; Moreirinha, Monsanto e Idanha-a-Velha. O objetivo é transformar a gastronomia histórica em comensalidade, ou seja, em um momento de partilha, de celebração entre os comensais.    Envolvidos no ambiente do espaço até a ementa, cuidadosamente elaborada com ingredientes organicos e sazonais, inspirados nas receitas presentes da região como: testemunhos da comunidade, livros e nos filmes. Permite-me utilizar técnicas de preparo que valorizam o sabor e a apresentação dos pratos, com o objetivo de proporcionar uma experiência sensorial completa aos convivas.

Durante o momento os comensais são convidados a saborear com calma cada prato, a apreciar os aromas e a textura dos alimentos, e a compartilhar suas impressões e histórias relacionadas. Esta interação, aliada à comida e ao ambiente e temática, transforma o jantar em um verdadeiro banquete, onde o prazer de comer é compartilhado com o estar em boa companhia. É uma experiência gastronómica que transcende o simples consumo de comida, e que valoriza a comensalidade como um momento de união e de celebração da vida. É uma forma de utilizar a culinária como instrumento de ligação entre as pessoas, e de criar memórias e experiências singulares e inesquecíveis.


sábado, 14 de outubro de 2023

"Olha a Laranjinha que caíu, caíu! "

Em Idanha-a-Nova, Portugal, a laranjeira não é uma das árvores endógenas. A região é conhecida por ter uma vegetação característica do bioma mediterrâneo, com predominância de árvores como o sobreiro (Quercus suber), o azinheiras (Quercus rotundifolia), o zambujeiro (Olea europaea) e outras espécies típicas da região.


Embora a laranjeira seja amplamente cultivada em Portugal, especialmente nas regiões mais quentes do país, ela não é considerada uma espécie endógena, ou seja, originária daquele lugar. A laranjeira é, na verdade, uma espécie exótica, que foi introduzida no país pelos portugueses durante a época das navegações, assim como ocorreu em grande parte da Europa.


Em meados do século XV, trazida pelos portugueses nas suas viagens de exploração e colonização do Novo Mundo. A fruta encontrou um solo fértil e um clima propício na península ibérica, onde foi cultivada em larga escala.

A partir de Portugal, a laranja disseminou-se por toda a Europa, ganha popularidade entre os povos do continente. A fruta era considerada muito valiosa na época, já que era altamente nutritiva e ajudava a prevenir o escorbuto, doença agressiva que se manifestava nos marinheiros durante as longas viagens marítimas.


Hoje em dia, a laranja é uma das frutas mais consumidas em todo o mundo, sendo cultivada em diversos países e utilizada em diversas receitas da culinária internacional.

Gosto especialmente de  doce de laranja verde é uma iguaria típica do nordeste brasileiro, especialmente dos estados de Pernambuco e Bahia, terras onde o meu adn genético cresceu. Este doce feito a partir da casca da laranja verde, torna a laranja ainda mais apetitosa e aproveito-a em todos os seus momentos, visto que tenho algumas árvores no meu pomar.


 Para esta receita, cozo-a várias vezes de forma a eliminar a acidez e o amargor antes de lhe adicionar o açúcar.

 Corto as cascas da laranja em tiras finas e deixo de molho em água cerca de 24 horas, troco a água de tempos a tempos. As cascas são cozidas em água até ficarem macias, repito em 3 a 4 vezes, só depois são escorridas e reservadas.

Imediatamente, faço uma calda com açúcar e água, com a proporção de 1 para 2, que levo ao lume até atingir o ponto de fio. As cascas de laranja são adicionadas à calda e cozidas cerca de 30 minutos, até que fiquem bem macias e o doce tenha encorpado.


[Doce que a minha cunhada me oferecia com laranjas oriundas do Sobral Monte Agraço ]


segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Os Mercados regionais

Reencontro gastronómico em família | AGOSTO 2023



A importância dos mercados e a cultura gastronómica variam por regiões devido à disponibilidade e ao acesso a diferentes ingredientes, clima, tradições culinárias locais e influências culturais. Na minha opinião e alguns exemplos de como os mercados e a cultura gastronómica mudam em diferentes partes do mundo:


Na América Latina assisti a mercados de rua frenéticos comuns nesta região, onde  podemos encontrar frutas tropicais, legumes, pimentas, especiarias e carnes frescas de uma qualidade altíssima. A culinária deixa-se  influenciar por legados indígenas, europeus e africanos, com pratos como ceviche, tacos, arepas, feijão e arroz, e guacamole. Delícias que se aplicam na cozinha profissional, mas tb na doméstica. Receituário que agrega o valor esquizofrénico do amor.

Por seu lado, a Ásia oferece corredores de mercados de rua onde se distingue uma parte fundamental da cena gastronómica asiática, com ingredientes e especiarias exóticas em exposição. Cada país é palco das suas próprias especialidades regionais, como o ramen japonês, os dim sums chineses, o pad thai tailandês e os curries indianos. A fusão mediática da alma com o olfacto. A renúncia ao corpo físico e o ganho espiritual inundados de cheiro e sabor.

Aqui, onde cresço em abundante fervor, na Europa: Com uma ampla variedade de cozinhas, a Europa conta com mercados que oferecem todas as variedades organicas e biológicas de queijos, chouriços, brindes do mar, vinhos e cervejas de alta qualidade. A culinária varia de país para país, com pratos desde a chanfana de cabra, franguinho da Guia, lampreia Basca, açordas, pizza italiana, croissants franceses, tapas espanholas, as cervejas Belgas e chucrute alemão. Entre tantos e tantos outros sabores a mar e terra que elevam país a país ao seu Ego gastronómico.

Porém em África, os mercados de rua são uma parte essencial da vida em muitos países africanos. As refeições são muitas vezes compartilhadas em volta de uma tigela, como com a injera da Ethopia ou o fufu da África Ocidental. Outros pratos notáveis são o bobotie da África do Sul, o cuscuz marroquino e o peixe grelhado com molho de amendoim da África Ocidental tudo excelente quando se junta à união humilde das gentes locais. Onde o sabor vai alcançar algo que partilhamos sem dar conta, o fraterno.

Chegamos então a América do Norte onde os mercados de agricultores são comuns nesta região, com uma grande variedade de frutas e legumes. A comida é influenciada por culturas de todo o mundo e pode ser encontrada em pratos icónicos como hambúrgueres, cachorros-quentes, churrascos, tortilla chips e poutine canadense. 

Muito resumidamente, os mercados e a cultura gastronómica variam de região para região, com diferenças notáveis baseadas na diversidade disponível, tradições e influências culturais locais.


Centro-me agora em portugal e muito nas regiões por onde ando, dou conta que ao comprar em mercados regionais tenho acesso a produtos frescos e de qualidade diretamente dos produtores agrícolas e pecuária como também do mar/rio. Alegra-me que ao comprar diretamente apoio a economia local e incentivo práticas sustentáveis de produção e pesca. 


Nestes mercados regionais, os produtores e pescadores geralmente oferecem produtos frescos que foram colhidos, pescados ou produzidos recentemente. Produtos estes que têm um sabor mais intenso e são mais saudáveis, já que não passaram por longos processos de armazenamento e transporte. Além de comprar direto aos produtores, sendo mais  barato, já que não envolve intermediários.

Nos mercados podemos descobrir novos alimentos ou produtos que não estão disponíveis nos supermercados locais. Isso permite-nos experimentar novos sabores, conhecer melhor a culinária local e apoiar pequenos produtores dedicados e sobreviventes.


Portanto, ao comprar em mercados ,não só está só a garantir a frescura na sua mesa mas sabor, como também está a apoiar a economia local e incentivar as  práticas sustentáveis de produção e pesca. 


Em ambiente familiar decidimos por unanimidade viver os dias em comunhão com a produção local e comunidade dos locais, tal como fazemos em casa ou para o restaurante. A compra de peixes e exclusivos do mar provenientes da pesca de arte xávega em ambientes de férias pode ser uma experiência muito positiva. A arte xávega é uma técnica de pesca tradicional que é praticada em algumas regiões costeiras de Portugal, utilizando uma rede de arrasto operada por um conjunto de pescadores. Homens que devem ser brindados todos os dias. 

Quero com isto realçar o consciente colectivo e promover a sustentabilidade tanto doméstica como profissional.

A pesca proveniente desta técnica de pesca tradicional, permite a  apoiar a economia local e incentivar  a preservação de práticas sustentáveis de pesca. A pesca de arte xávega é geralmente considerada uma técnica de pesca mais sustentável do que outros métodos, prática de pequenos grupos de pescadores locais, que capturam peixes e exclusivos do mar de forma mais seletiva e cuidadosa.

Afirmo que ao  comprar peixes e exclusivos do mar da arte xávega em ambientes de férias pode ser uma maneira de experimentar novos sabores locais e frescos repondo o iodo em falha no grande percurso de concentração estudantil e carga laboral porque todos passamos no decorrer do ano. Os peixes e frutos do mar capturados por esta técnica de pesca geralmente são frescos e saborosos, capturados no próprio dia ou no dia anterior.

No entanto, ao comprar da arte xávega em ambientes de férias, é importante escolher fornecedores confiáveis e que observem as normas de segurança alimentar. Verifique se os produtos estão frescos e adequadamente refrigerados, e se o local de compra é licenciado e regulamentado pelas autoridades locais e de saúde. Os mercados camarários são extraordinários para nos mostrar as gentes e certificados.

 Uma experiência positiva e agradável maneira de apoiar a economia local, incentivar práticas de pesca sustentáveis e experimentar novos sabores frescos. As férias de verão são a oportunidade para incluir gastronomia e criação de experiências e memórias em família. Uma maneira de fazer isso é experimentar novos sabores, visitar mercados e permitir que eles conversem com os vendedores e escolham o seu alimento. (A promoção do não neofóbico)


Além disso, envolver as crianças na preparação de refeições e na criação de novo receituário. Pode ser uma atividade divertida em família e que permite que as crianças aprendam mais sobre alimentos e culturas diferentes. Os desafios, geralmente, ensinam as crianças e representam autoconfiança, preparar pratos tradicionais ou tentar um prato novo que nunca experimentaram antes.


O fortalecimento de laços através  da comida e das compras pode incentivar visitas às quintas organicas ou cooperativas locais para conhecer os produtores, o que nos leva aprender mais sobre a produção de alimentos e pesca. Desta forma ajudamos todos a manter um nicho de turismo mais sustentável e de formação coletiva. Ajudar a ensinar as crianças sobre a importância da sustentabilidade e do consumo consciente.



Incluir a gastronomia e a criação de experiências em família nas férias de verão pode ser uma maneira divertida e educativa de passar tempo juntos e explorar novos sabores e culturas.Avistem mercados, leiam com as gentes locais e ajudem a resiliência de quem não tem só Verão. 

Divirtam-se entre as memórias do verão nas histórias do Inverno!


quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Neta do Mar


Maria Caldeira de Sousa 

Chefe de cozinha Histórica 


Dou por mim a analisar a vida de um pescador, esta pode variar muito, dependendo do local onde ele trabalha, do tipo de pesca que pratica e das circunstâncias individuais. Geralmente, a vida de um pescador é caracterizada por desafios, trabalho árduo e uma conexão profunda com o mar ou corpos de água onde a pesca é realizada.

O dia a dia de um pescador começa cedo, antes do amanhecer. A rotina na  preparação de seus equipamentos, verificação do clima e as condições do mar até  se deixarem levar pelos seus barcos de pesca. O dia de trabalho é longo, muitas vezes de "sol a sol" , dependendo da quantidade de peixes que pretendem. Durante a jornada, os pescadores lançam redes, armadilhas ou linhas de pesca e esperam pacientemente pelos peixes. Tarefa que se  repete inúmeras vezes ao longo da semana, assim como na demanda e nas oportunidades de pesca.

As histórias que me lembro de serem contadas sobre os pescadores [bisavós, avós, tios e primos] reportam às condições de trabalho difíceis e perigosas.Enfrentam o mau tempo, ondas fortes, temperaturas extremas, períodos prolongados de isolamento e desgaste físico. Além disso, a pesca é uma atividade sazonal, e resiliência destes homens vulneráveis às mudanças de sazonalidade e migração de peixes para continuação do sucesso em suas pescarias e nas nossas mesas.

Diferentes métodos de pesca, dependendo do tipo de peixe, incluem a pesca com rede, pesca com anzol e linha, pesca com armadilhas ou gaiolas, e pesca com redes de arrasto. Cada método de pesca requer habilidades específicas e conhecimentos sobre o comportamento dos peixes, o ecossistema marinho e as regulamentações de pesca.

Em muitas comunidades costeiras, a pesca é uma parte essencial da identidade cultural e económica. Os pescadores frequentemente seguem tradições transmitidas ao longo de gerações, e a pesca desempenha um papel importante na culinária local e nas festividades. Além disso, muitos pescadores têm um profundo respeito pelo meio ambiente e estão envolvidos em esforços de conservação para garantir a sustentabilidade dos recursos pesqueiros.

A vida destas gentes de mar pode ser desafiadora em diversos aspectos. Além das condições adversas, os pescadores enfrentam incertezas quanto à captura, flutuações de preços, regulamentações políticas e concorrência. No entanto, a pesca também pode ser uma ocupação gratificante. A sensação de liberdade e conexão com a natureza. 


Receituário tradicional piscatório de Vagos


Chora -  (o caldo do povo a chorar o mar)


1 cebola

1 dente alho

1 folha de louro 

1 cravinho 

Azeite

Pimento vermelho

1 colherinha de Colorau

1 malagueta piri-piri 

Coentros

Ventrechas do melhor peixe que não se vendeu

Berbigão 

1/2 copinho de vinho branco

Água 2 copos 

Massa milaneza cotovelo grosso 

Sal


Refogue a cebola picadinha em azeite, junte-lhe os restantes ingredientes, deixe apurar, coloque o pescado e o berbigão e o 1/2 copinho de vinho, acrescente água e cozinhe por 5 minutos. Retire o peixe, o berbigão e reserve. Coloque a massa, deixe cozer. Recoloque o peixe e o berbigão, embeleze com coentros e sirva quente.


Eu neta de gentes de Mar [Peniche], largo aqui as memórias do meu registo genético noutros litorais.


Agosto 2023

sábado, 9 de setembro de 2023

Papas de carolo - Beira interior

 O milho é um dos alimentos mais consumidos e cultivados em todo o mundo. É uma planta gramínea originária da América Central e foi domesticada há milhares de anos pelos povos indígenas. Existem várias variedades de milho, cada uma com suas próprias características e usos culinários.

Aparece-nos este grão pelos descobrimentos, no final do século XV, por meio dos espanhóis que trouxeram diversas variedades de milho da América do Sul e Central. O milho rapidamente se tornou um alimento popular na Europa e  espalha-se por todo o continente, como cultivo em diversas regiões. Hoje, o milho é um dos bagos mais importantes do mundo e é amplamente cultivado em todos os continentes.

O milho é apreciado por seu sabor doce e textura macia. Pode ser consumido de várias maneiras diferentes. Um modo popular de preparar é cozinhá-lo e servi-lo como uma espiga, muitas vezes com manteiga derretida e temperos. O milho também é usado como ingrediente em diversas receitas, como saladas, sopas, tortilhas, tacos, pães e bolos.

Além de ser delicioso, o milho também é uma fonte de nutrientes importantes. É rico em fibras, vitaminas (como vitamina A, vitamina B e vitamina C) e minerais (como magnésio e potássio). Esses nutrientes são essenciais para a saúde geral do corpo, ajudando no funcionamento adequado do sistema digestivo, fortalecimento do sistema imunológico e manutenção da saúde ocular.

O milho pode ser encontrado fresco, enlatado ou congelado em supermercados durante todo o ano. Ao escolher o milho fresco, escolha as espigas com casca brilhante e grãos firmes e suculentos. Evite espigas com casca murcha ou grãos descoloridos.

Em modo  geral, o milho é um alimento versátil, saboroso e nutritivo que pode ser desfrutado de várias formas. Experimente diferentes receitas e descubra as várias maneiras de aproveitar o sabor e os benefícios do milho na sua alimentação.

Em Portugal, na região da Beira Interior, o milho geralmente aparece durante a época do verão e outono,  é nesta altura que começo a servir aos meus comensais. As sementes de milho são plantadas na primavera e, ao longo dos meses seguintes, as espigas vão crescendo até estarem prontas para serem colhidas.

O momento exato em que o milho está pronto para ser colhido pode variar um pouco, pois depende do tipo de milho plantado e das condições climáticas. No entanto, geralmente, as espigas de milho estão maduras e prontas para a colheita entre os meses de agosto e outubro.

Depois de colhido, o milho pode ser utilizado de diversas formas na culinária portuguesa, como na preparação de broa de milho, canjica, cuscuz,milhos doces ou salgados, assinalado como uma iguaria típica de cada região.










A papa de carolo é bem reconhecida no nosso território é uma preparação tradicional feita com o carolo de milho, que são os grãos inteiros que ficam presos na espiga após retirar os grãos. É uma receita bastante comum, é considerada uma iguaria por seu sabor único.

Considero muito especial a papa de carolo, vamos precisar dos seguintes ingredientes para a construir sob o meu cunho pessoal:


- Carolo de 4-5 espigas de milho (pode optar por farinha moida seŕa uma chávena)

- Água/ leite de coco

-especiarias várias 

-amêndoas, passas 

- 2 gemas de ovo

- Sal (opcional)

- Açúcar /mel(opcional)


Aqui está o passo a passo para preparar a papa de carolo:

1. Lave bem as espigas de milho e remova os grãos, separando-os dos carolos. Você pode usar um descaroçador de milho ou simplesmente cortar os grãos com uma faca.

2. Coloque os carolos em uma panela e cubra com água suficiente para cobri-los completamente.

3. Leve a panela ao fogo médio-alto e deixe ferver. Em seguida, diminua o fogo para médio-baixo e deixe cozinhar os carolos por cerca de 30-40 minutos, mexendo ocasionalmente. O tempo de cozimento pode variar, então verifique se os carolos estão macios o suficiente.

4. Quando os carolos estiverem macios, desligue o fogo e deixe a mistura esfriar um pouco.

5. Com o auxílio de um liquidificador ou robot de cozinha, bata os carolos cozidos com um pouco da água da cozedura até obter uma consistência cremosa. Adicione o leite de coco ,e  as especiarias (cardamomo; anis; poejo e baunilha) se necessário, para atingir a consistência desejada.

6. Se desejar, adicione açúcar ou mel e a canela a gosto para adoçar a papa de carolo.

7. Transfira a papa de carolo para uma tigela ou prato de servir e está pronta para ser saboreada!

A papa de carolo pode ser consumida quente ou fria, como uma sobremesa ou lanche. É uma ótima opção para aproveitar integralmente o milho e experimentar um sabor diferente e reconfortante. Espero que goste desta delícia beira com toque dos Navegadores♡!


[Foto tirada da net]



sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Cópia de receituário


"Ninguém sabe quem sou eu

[...]Na imitação da vida

Ninguém me vai superar"


A cópia de trabalhos ou projetos de outras pessoas sem permissão é uma violação dos direitos autorais e da ética profissional. Além disso, os chefes de cozinha dedicam tempo e esforço para desenvolver suas próprias criações culinárias, ou forma de gestão dos seus espaços e é importante respeitar sua propriedade intelectual. Para quem está interessado em seguir uma carreira na culinária, ou de gestão é de recomendar que desenvolva as próprias habilidades culinárias, que experimente diferentes ingredientes e técnicas, e crie as próprias receitas, a singularidade faz de si único. 

                       Sócrates -a verdade


A originalidade e a criatividade são valores na gastronomia, e os chefes de cozinha são reconhecidos pela capacidade de inovar e trazer novos sabores e conceitos para a culinária. Quando se mostra interessado em aprender com chefes de cozinha renomados, existem várias opções disponíveis, como participar de cursos de culinária, assistir a programas de culinária na televisão, ler livros de receitas [o que mais gosto] ou até mesmo fazer estágios em restaurantes ou mesmo com a Associação de cozinheiros. Essas experiências podem ajudar a desenvolver habilidades e conhecimentos culinários com ética e respeitosa. Acrescente sempre à sua receita ou prato, a inspiração ou a fonte que utilizou garantidamente é um ponto positivo para quem degustar.

O respeito pelo trabalho de outros não deve ser tido como falta de moda. Mas sim a valorização de nós mesmos.


Chefe Maria Caldeira de Sousa

Agosto 2023

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Ensopado de borrego - Idanha-a-Nova

 Piedade, piedade popular

Os cantos alimentam a alma como se de alimentos se tratasse. Nestas terras entranhadas estão as primitivas religiões, de longe nos séculos, que se fazem perdurar nas vozes das mulheres.

Os nossos antepassados rogavam as almas pela germinação e fecundação das suas sementes, terminado o Inverno. Cultos pagãos que nos fazem viajar na história. A Alta Idade Média oferece-nos a tradição dos dias de hoje, onde o culto aos mortos é celebrado pedindo a intercessão de Deus a favor das almas sujeitas a penas do purgatório, de forma a alcançarem o céu. 

A encomendação das almas é um dos cantos de piedade popular, genuíno e português, e segundo Catana (2005) não conhecemos nenhum outro povo que o cante.

Durante a Quaresma, altura do renascer das plantas, pequenos grupos de homens e mulheres do mundo rural unem-se e continuam  no alto das povoações da Raia Beirã a dar vida aos cantos de piedade, a “Encomendação (Amentar) as almas”.

Mesmo que outrora tenham migrado para Lisboa ou outras localidades em busca de pão, a população quando volta reata com desejo a tradição e mantém o canto popular acordado desde a Idade Média. Às sextas-feiras da Quaresma, até mesmo na Semana Santa a Encomendação sai às ruas, quebrando o silêncio da noite, para que possa ser ouvido nas dezasseis freguesias do concelho.

A piedade soa em vozes de mulheres entre o som do sino, tornando inquieto o sono da aldeia. Uma emoção que sufoca de amor a alma e o coração e “Ele” escuta-as lá no alto, e ao mistério, para afastar o medo. Hoje chamam-lhe Eco.

                                       

                      Fig 6 - Encomendação das almas Ladoeiro (registo pessoal).

Na Páscoa, revivendo a mensagem de “Desejo e Perfume- Folar de Idanha a Nova ” deste blogue, mata-se o borrego, tradição que vem de longe, dos costumes religiosos assentes no cristianismo e no judaísmo, sendo o animal o símbolo da libertação. Ainda nos dias de hoje, como refere Longo (2013), a Rota da Pastorícia centrada nesta região tem grande importância em Idanha a Nova.


Ensopado de borrego - Limpe o borrego de gorduras e corte-o em pedaços. Faça um refogado com cebola, alhos picados e 2 dl de azeite. Deixe bringir um pouco e adicione o tomate pelado  picado, o colorau, as folhas de louro, o piri-piri e a carne. Envolva tudo, regue com o vinho tinto e com o branco e tempere com sal a gosto. Tape o tacho e deixe cozinhar durante uma a duas horas, dependendo do tamanho (idade) do borrego.

O amor partilhado têm mais amor!

Trabalho académico Mestrado Historia da Alimentação- Gastronomia Maria Caldeira de Sousa  U. Coimbra 2019/2020