Mostrar mensagens com a etiqueta mariacaldeiradesousa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mariacaldeiradesousa. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Dia de celebrar o desapego

Hoje é o dia de celebrar o desapego, de celebrar os nossos antigos, em reunião com a família que se junta. Nada melhor que vos oferecer a broinha que me satisfaz♡ 

Ingredientes:

- 2 chávenas de farinha de trigo

- 1 colher de chá de fermento em pó

- 1 colher de chá de bicarbonato de sódio

- 1 colher de chá de canela em pó

- ½ chávena de cacau em pó

-½ chávena de café mistura solúvel 

- 1/2 colher de chá de noz-moscada

- 1/4 colher de chá de cravo em pó

- ½ colher de erva doce

- 1/2 chávena mel

- 1/2 chávena de açúcar mascavo

- 2 ovos

- 1/2 chávena de azeite

- 1/2 chávena de nozes picadas, amêndoa...

- pitada de sal


Ao forno a 180°C e unte um tabuleiro  com manteiga e farinha.

Numa tigela, misture a farinha de trigo, o fermento, o bicarbonato de sódio, a canela, a noz-moscada,o cravo em pó, cacau, erva doce e café solúvel.

Num tacho misture o mel, o açúcar mascavo, os ovos e o azeite.Agora que têm as duas misturas de ingredientes secos junte numa só mistura de mel e mexa até que fique homogénea, leve ao lume e coza até a massa começar a não colar ao fundo. Desligue o lume e aguarde que arrefeça. 

Adicione as nozes picadas.


Faça pequenas bolinhas, com a mão untada de azeite, leve ao forno preaquecido por 7 minutos, mais tempo ficam mais riginhos.

Retire, deixe arrefecer e passe por açúcar granulado. 


Deliciosas broinhas que vos trarão o "pão por deus" das minhas boas memórias.


Divirtam-se ♡ 




sábado, 14 de outubro de 2023

"Olha a Laranjinha que caíu, caíu! "

Em Idanha-a-Nova, Portugal, a laranjeira não é uma das árvores endógenas. A região é conhecida por ter uma vegetação característica do bioma mediterrâneo, com predominância de árvores como o sobreiro (Quercus suber), o azinheiras (Quercus rotundifolia), o zambujeiro (Olea europaea) e outras espécies típicas da região.


Embora a laranjeira seja amplamente cultivada em Portugal, especialmente nas regiões mais quentes do país, ela não é considerada uma espécie endógena, ou seja, originária daquele lugar. A laranjeira é, na verdade, uma espécie exótica, que foi introduzida no país pelos portugueses durante a época das navegações, assim como ocorreu em grande parte da Europa.


Em meados do século XV, trazida pelos portugueses nas suas viagens de exploração e colonização do Novo Mundo. A fruta encontrou um solo fértil e um clima propício na península ibérica, onde foi cultivada em larga escala.

A partir de Portugal, a laranja disseminou-se por toda a Europa, ganha popularidade entre os povos do continente. A fruta era considerada muito valiosa na época, já que era altamente nutritiva e ajudava a prevenir o escorbuto, doença agressiva que se manifestava nos marinheiros durante as longas viagens marítimas.


Hoje em dia, a laranja é uma das frutas mais consumidas em todo o mundo, sendo cultivada em diversos países e utilizada em diversas receitas da culinária internacional.

Gosto especialmente de  doce de laranja verde é uma iguaria típica do nordeste brasileiro, especialmente dos estados de Pernambuco e Bahia, terras onde o meu adn genético cresceu. Este doce feito a partir da casca da laranja verde, torna a laranja ainda mais apetitosa e aproveito-a em todos os seus momentos, visto que tenho algumas árvores no meu pomar.


 Para esta receita, cozo-a várias vezes de forma a eliminar a acidez e o amargor antes de lhe adicionar o açúcar.

 Corto as cascas da laranja em tiras finas e deixo de molho em água cerca de 24 horas, troco a água de tempos a tempos. As cascas são cozidas em água até ficarem macias, repito em 3 a 4 vezes, só depois são escorridas e reservadas.

Imediatamente, faço uma calda com açúcar e água, com a proporção de 1 para 2, que levo ao lume até atingir o ponto de fio. As cascas de laranja são adicionadas à calda e cozidas cerca de 30 minutos, até que fiquem bem macias e o doce tenha encorpado.


[Doce que a minha cunhada me oferecia com laranjas oriundas do Sobral Monte Agraço ]


segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Mogango Thrones @Monsanto


Na partilha de receituário utilizo o mogango em diversas receitas, tanto doces como salgados. A abóbora Mogango é muito versátil e pode ser utilizada em diferentes pratos, desde sobremesas como:  bolos, pudins, geleias e marmeladas, bolachas; e também nos dá sabor em pratos salgados como; sopas,ensopados, empadão, assados, fritos, e outras delícias culinárias. O mogango é um ingrediente muito saudável, destaco a sua riqueza e benefícios para o organismo em nutrientes como vitaminas e minerais, que podem oferecer muitos benefícios à saúde. Esta abóbora é rica em antioxidantes, vitaminas A, C, complexo B, minerais como cálcio, fósforo e potássio. 

Sugiro experimentarem novas receitas com esta abóbora deliciosa e nutritiva!

A abóbora mogango é uma variedade de formato achatado, casca lisa e verde alaranjado-claro.

Na aldeia de Monsanto, Idanha-a-Nova, considerada a aldeia mais portuguesa de Portugal, o mogango tornou-se uma das abóboras muito consumidas.

Ela é muito utilizada na culinária e também alimento para os seus animais, mostrando a sustentabilidade que se faz notar na região. 

O mogango é cultivado em regiões de clima quente e pouco exigente com a humidade, adoro a sua textura muito macia e sabor adocicado, o que o torna perfeito para a minha forma de interpretar a culinária.


Doce de abóbora com marmelo picante


Ingredientes:


- 1 kg de abóbora mogango com casca e sem sementes

-5 marmelos com casca e sem caroço 

-pectina dos caroços do marmelo

- 1 cálice de conhaque

- 400 g de açúcar refinado

- 1 pau de canela

-   1 limão sem casca

- 1 laranja verde em raspa

- 1 pimento vermelho

- Cabeça de cravinho

- noz moscada

-2 cardamomo 

-2 malaguetas piri-piri


Modo de preparo:


Corte a abóbora em cubos pequenos e coloque-a num tacho.

Guarde os caroços do marmelo, e retire a goma de pectina com ajuda de água gelada (numa pequena chávena de café) coe e adicione essa água ao tacho.

 Adicione o açúcar, o pau de canela e o limão.

 Misture todos os ingredientes e deixe descansar por cerca de 30 minutos, mexendo de vez em quando.

Depois, coloque a panela em mijote e deixe cozinhar cerca de 1 hora, até que a abóbora e o marmelo estejam macios e o açúcar tenha derretido e formado uma calda espessa.

Retire somente o pau de canela e passe a varinha mágica/robot de cozinha ou liquidificador.

Sirva o doce de mogango em frasco de vidro, rale a laranja verde e acompanhe um excelente queijo de Idanha-a-Nova.


Nota: ao adicionar a casca da abóbora, o cravo,o picante,o pimento (o sabor das beira)  e casca de laranja verde dá um toque especial e único. 


Divirta-se tanto como eu.


Chefe Maria Caldeira de Sousa 


quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Harmonias inspiradoras

A alimentação, como parte fundamental da vida e das relações humanas, permite que a gastronomia possa influenciar e enriquecer a nossa existência de diversas maneiras. Com a música não é diferente, esta pode influenciar a experiência culinária, que se deixa explorar pela criatividade humana, beleza e a importância dos detalhes. 
Por exemplo, a casa de comer “Casa da Velha Fonte”, em Idanha-a-Nova, oferece experiências gastronómicas únicas e inspiradoras. Estas experiências podem incluir pratos inspirados na história, e em obras de música ou na cronologia histórica do nosso território. Usufruir da sua experiência gastronómica com música aumenta a atmosfera e diferencia-a. 
Além disso, até os Chefs podem encontrar inspiração na música, para criar pratos destinados a acompanhar peças musicais específicas ou que provoquem emoções. 
Eu, como Chefe de cozinha, tendencialmente procuro a música e a literatura como alvo para a minha criatividade. 
Acrescento que a música também influencia a cultura gastronómica de uma região ou de uma nação. Temos a Itália, pátria da ópera, com uma rica tradição culinária que se deixou influenciar pela história e geografia do país, mas também pela ópera. As óperas de Verdi, as minhas favoritas, são o exemplo: escritas em regiões italianas específicas, e com as tradições culinárias dessas regiões dando o reflexo da própria composição de ópera. 
Posso concluir que a música influencia a gastronomia de várias maneiras e enriquece a experiência culinária dos convivas, oferecendo uma visão paralela do talento humano criativo. A relação entre o compositor musical e o Chef eleva a experiência culinária única e estimulante, onde os comensais se deixam imergir numa performance multidisciplinar, envolvendo o palato, visão e audição. 
Também eu penso em sensibilizar o compositor e estimular a criação de um registo sonoro baseado no cardápio do restaurante: uma vez escolhido o tema principal do prato (por exemplo, o mar, a terra, a pedra bruta ou um determinado tipo de tempero, etc.), criar uma música inspirada nas nuances do sabor presente. 
Optar por criar uma atmosfera de registo musical variante e que se adapte às diferentes fases da refeição, cada uma das quais pode exigir uma experiência musical diferente, tendo sempre em atenção o fio condutor. 
A música pode eventualmente ser tocada ao vivo, com músicos que fazem parte do layout do restaurante, tornando o ambiente agradável e relaxante para os convidados, ou utilizando-a como uma verdadeira banda sonora capaz de assinalar emoções e memorizar o repasto. O encontro entre a música e a culinária pode também ser uma oportunidade para explorar diferentes dimensões artísticas como a cor, a textura, o timing, a apresentação do receituário, empratamento, etc., conectada à performance musical de acordo. Por exemplo, a música pode acompanhar uma série de pratos dispostos para seguir um caminho visual específico, ou enfatizar as cores e as texturas nos pratos. 
Em qualquer dos casos, é sempre uma experiência culinária tão complexa que seria única e inesquecível, capaz de satisfazer os sentidos de uma forma original e inovadora. Compor alimentos na pauta musical da vida é uma metáfora interessante para pensar a relação entre comida e a nossa existência. Assim como uma música pode ser composta por diferentes notas, harmonias e ritmos, o alimento é composto por diferentes ingredientes, texturas e sabores.

In Maria Caldeira de Sousa

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Marmelo ancestral em paz e amor - Idanha a Nova

 [GOLDEN APPLE, diziam os gregos]

Em meados do século VIII, durante o período medieval, trazido pelos árabes. O marmelo começa a ser cultivado em diferentes regiões da Europa. No entanto, foi somente no século XVIII que o marmelo se popularizou na Inglaterra, onde era consumido principalmente na forma de geleias e doces. Atualmente, o marmelo é amplamente cultivado em países como Portugal, Espanha, Itália, França e Grécia,  muito usado tanto na culinária quanto na produção de cosméticos e medicamentos.

Os reis da Europa medieval consideravam o marmelo uma das frutas mais nobres e valiosas devido ao seu sabor exótico e raro, além das propriedades medicinais que lhe eram atribuídas. O marmelo era frequentemente oferecido como presente entre a nobreza e era um ingrediente muito apreciado na culinária refinada da época. Na medicina medieval, o marmelo era utilizado para tratar diversas doenças, principalmente problemas gastrointestinais. De acordo com crenças populares, o marmelo também tinha a capacidade de afastar doenças e energias negativas. 

Geralmente associado à riqueza, prosperidade e boa sorte, muito valorizado tanto pela sua utilidade quanto pelo seu simbolismo. Servindo-me do marmelo como modelo espiritual, o marmelo simboliza a fertilidade e a vida eterna. Algumas culturas associam o marmelo à Deusa da Sabedoria e à Deusa da Fertilidade. 

A primeira, filha de Zeus, Atena para os Gregos e Minerva para o Império Romano, protegia o saber aos poetas, a filósofos e arquitectos. Já Deméter, a deusa das terras férteis, da colheita em abundância, na agricultura e das estações do ano. Responsável por ensinar a humanidade a plantar o amor. 

O marmelo é considerado um símbolo de amor, pela forma de coração com polpa macia e doce, inspirando a doçura do amor e a esperança no futuro profícuo  e generosamente feliz. Desde sempre simbolo que frequentemente é usado em rituais e cerimônias de purificação nomeado como o símbolo da paz e harmonia.

Fruta de casca dura e sabor adstringente altamente valorizada pelos antigos gregos e romanos, que acreditavam que ela possuía propriedades medicinais e podia ser utilizada no tratamentos de diversos males. Além disso, o marmelo também era muito apreciado na culinária, muito utilizado para fazer compotas, geleias, chutneys e outros doces. Até hoje, o marmelo é conhecido por seu sabor único e pela versatilidade, sendo utilizado em receitas salgadas e doces em diversos países ao redor do mundo.  Enquanto a maçã é mais suculenta e adocicada, o marmelo é mais duro e possui sabor adstringente. 


Convido-vos a cozinhar a  receita de marmelada portuguesa com o meu cunho pessoal; 

Ingredientes:

- 2 kg de marmelos

- 650g de açúcar refinado

-cravinho

-pau de canela

-limão sem casca 

-hibisco

-1 cálice de vinho doce

- Água

Modo de preparo:

Lave bem os marmelos, retire os caroços e corte em pedaços pequenos.

Coloque os pedaços de marmelo e todas as especiarias  numa panela grande e adicione água suficiente para cobrir os pedaços. Cozinhe em fogo médio até os marmelos ficarem macios.

Quando os marmelos estiverem macios, retire do fogo e misture bem com uma colher de pau ou passe-os no liquidificador até obter um puré fino.

Pese o puré de marmelo e adicione a mesma quantidade de açúcar refinado e o limão sem casca e sem partes brancas..

Volte a misturar bem o puré de marmelo com o açúcar e leve ao fogo médio, mexendo sempre até levantar fervura.

Quando começar a ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar por mais 2 horas, mexendo de vez em quando, até a marmelada atingir o ponto firme.

Quando a marmelada atingir o ponto, retire do fogo e despeje em formas previamente untadas com spray de óleo, isento de sabor... Deixe arrefecer e depois corte em pedaços.

Se preferir, pode envolver a marmelada em açúcar ou secar ao sol, antes de servir.

A marmelada fica especialmente boa quando é feita com marmelos bem maduros e aromáticos. O processo de cozer o marmelo até obter um puré é um pouco demorado, mas é essencial para que a marmelada fique com uma textura suave e aveludada.