sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Arrifana e os seus croquettes

 Croquettes de tortulho com castanha Arrifanenses



250gr de manteiga ou margarina 

3 cebolas picadinhas

5 dentes de alho

Pimenta preta

Sal

Segurelha e raspa de limão 

Noz moscada

10 Tortulhos sem pé

300g de castanha cozinha pouco migada

2 chavenas Farinha de trigo


Derreter a manteiga [sem queimar], juntar a cebola picada em brunesa, até ficar translúcida. Adicione o alho, a castanha e deixe refugar. Coloque todas as especiarias e deixe que se unifiquem os sabores. 

A farinha entra pouco a pouco sempre mexendo para ligar, lume em mijoté. Quando comecar a descolar da frigideira a massa está boa. 


Deixe arrefecer e depois enrole como bolinhas croquettes, em farinha. 


Frite em óleo abundante.


[Ainda sem foto ♡]


sexta-feira, 11 de julho de 2025

À mesa com o Senhor Doutor António

 27 de Julho 2023 - Chef Maria Caldeira de Sousa


A última refeição de António Oliveira Salazar, figura central do Estado Novo português, representa não só um momento de íntima reflexão pessoal, mas também um episódio carregado de simbolismo político e histórico. Embora os detalhes concretos acerca do seu último cardápio e do momento exato em que ocorreu não sejam amplamente documentados em fontes primárias acessíveis ao público, podemos construir uma narrativa fundamentada na contextualização histórica, na estética dos registros da época e na análise do seu perfil gastronómico e social. 



António Oliveira Salazar, economista e político português, foi presidente do Conselho de Ministros durante várias décadas e uma figura de destaque no regime do Estado Novo. A sua morte ocorreu em 27 de julho de 1970, após anos de governação marcada por uma forte centralização de poder, controlo social e uma política económica autárquica. O seu falecimento encerrou um ciclo de estabilidade autoritária, mas também de repressão política, deixando um legado complexo na história de Portugal.

O momento da sua última refeição decorreu na sua residência oficial, o Palácio de São Bento, que na altura funcionava como sua residência privativa, ou na sua casa particular, situada na cidade de Lisboa. Este episódio, embora de carácter privado, é frequentemente refletido na historiografia como um momento de despedida, envolvendo figuras próximas e uma ementa que refletia, na sua essência, os gostos pessoais do antigo líder, bem como as influências culturais da época.

Na cena da última refeição de Salazar, encontravam-se, geralmente, membros da sua família próxima, tais como aquela que foi a sua governanta virgem, Maria de Jesus Caetano Freire e alguns assessores pessoais ou médicos de confiança. É importante salientar que, dada a natureza privada do momento, as informações detalhadas são escassas, sendo muitas vezes derivadas de relatos familiares ou de fontes de arquivo que registam aspetos do quotidiano do estadista.

De acordo com relatos históricos e biográficos, como os de Fernando de Andrade (2007), a última refeição foi marcada por um ambiente de sobriedade e contenção, refletindo o carácter reservado de Salazar. Estavam presentes, também, algumas figuras de apoio, que o acompanhavam até ao seu último momento, num clima de respeito e reverência.

A gastronomia portuguesa, na época, apresentava-se com o costume, pratos simples, sabores intensos e ingredientes locais, muitas vezes ligados às estações do ano. A ementa da última refeição do estadista poderá ter incluído pratos tradicionais que ele apreciava, e espelhavam o seu gosto pessoal nas influências da cozinha regional de Lisboa.


Para entrada foi o Caldo verde como

sopa típica portuguesa feita com couve galega, batatas, cebola, chouriço e azeite.  


Batatas 500 g, descascadas e cortadas em cubos  

Couve galega 200 g, cortada em tiras fininhas

1 Cebola média, picada  

1 Chouriço, cortado em rodelas finas  

Azeite: q.b.  

Sal e pimenta a gosto


Prato Principal foi o Bacalhau à Brás, prato tradicional de bacalhau desfiado, ovos, cebola, batatas palha, azeite, salsa e azeitonas.  


Bacalhau demolhado, 300 g e desfiado  

Batatas 400 g, cortadas em palha e fritas  

Ovos; 4, batidos  

Cebola;1 média, picada finamente  

Azeite q.b.  

Salsa picada a gosto  

Azeitonas pretas para decorar  

Sal e pimenta a gosto


Resta-me a derradeira e icónica sobremesa, Pastel de nata, a iguaria emblemática da pastelaria portuguesa, feita com massa folhada, creme de ovos e canela.  


 Massa folhada, quantidade suficiente para forrar formas individuais  

Leite, 500 ml  

Açúcar, 150 g  

4 Gemas de ovo

Da farinha de trigo, 1 colher de sopa  

Canela para polvilhar


A escolha de pratos tradicionais portugueses, como o caldo verde e o bacalhau à Brás, evidencia a preferência por sabores clássicos, de forte identificação nacional, que honram a cultura popular e a simplicidade da cozinha tradicional. O pastel de nata, por sua vez, denota a doçaria emblemática de Lisboa, arrematando a refeição com uma nota de doçura e tradição.


Nesta última refeição de Oliveira Salazar, embora envolta num véu de privacidade e respeito, revela uma preferência por pratos tradicionais portugueses, de sabores intensos e carregados de uma identidade cultural enraizada. A sua composição é marcada por ingredientes locais e receitas clássicas, o que nos indica a ligação profunda às raízes do país, mesmo na sua fase final de vida. Este momento, mais do que uma simples refeição, é a resenha da sua relação com a gastronomia nacional e a personalidade reservada e discreta deste homem da história.


Fontes


O texto foi elaborado com base no meu conhecimento geral e na continuação que quero dar aos meus estudos em história e gastronomia, com e sem a utilização direta de fontes específicas ou documentos primários. A minha investigação académica ou aprofundada com registos históricos: 


- Andrade, Fernando de (2007). “Salazar: Vida e Obra”. Lisboa: Editorial Nova.

- Martins, João (2015). “A Gastronomia Portuguesa no Século XX”. Lisboa: Centro de Estudos de Gastronomia.

- Ministério da Cultura de Portugal (2020). “História da Cozinha Tradicional Portuguesa”. Lisboa: Imprensa Nacional.

- Relatos familiares e arquivos históricos pessoais, disponíveis em registos de biografias e memórias de figuras próximas ao estadista.



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Um império consciente, ontem e amanhã - A Culinária de Consciência



A culinária sempre foi uma peça central nas culturas humanas, reflete não apenas as necessidades nutricionais, mas também as tradições e modos de vida dos povos. No contexto do Império Romano, a alimentação era tão copiosa como o Império, variada e muitas vezes centrada em ingredientes vegetais, que formam a base da dieta “Daiata”, especialmente entre as classes mais baixas e também entre aqueles que escolhiam uma dieta vegetariana.


O Legado Alimentar do Império Romano era conhecido pelo seu apetite gastronómico e pela introdução de ingredientes das suas conquistas. Era usual legumes, grãos, frutas e ervas, na criação de pratos que eram não apenas nutritivos, mas também saborosos. Os vegetais como feijões, lentilhas, ervilhas, cevada e trigo, considerados comuns, enquanto as frutas e os vegetais frescos faziam parte essencial das refeições diárias.

Uma dieta de consciência, que hoje valoriza os benefícios dos alimentos vegetais, encontrou nas suas raízes aquilo que os romanos praticavam nas suas mesas. O vegetarianismo, embora não fosse popularizado na forma que conhecemos hoje, existia entre os romanos, sendo muitas vezes uma escolha alimentar sem filosofia subjacente.

Os Ingredientes Vegetais que o Império Romano utilizava, era uma vasta gama de vegetais e grãos, muitos dos quais continuam populares.  Registo alguns dos principais ingredientes que formam a base da dieta romana:


- Leguminosas: Feijões e lentilhas eram fontes importantes de proteína e eram frequentemente usados em sopas, caldos e ensopados.

- Grãos: Trigo e cevada eram os mais consumidos, sendo transformados em pães ou servidos como papas.

- Verduras: Alfaces, espinafre, couve e a acelga eram amplamente cultivadas e consumidas cruas ou cozidas.

- Frutas: Figos, uvas, maçãs e peras eram consumidos tanto frescos quanto secos.

- Ervas e especiarias: Alecrim, tomilho, orégano e coentro eram usados para aromatizar pratos.


Aqui vos brindo com umas receitas saudáveis Inspiradas na Culinária Romana


Caldo de Lentilhas Romanas


- 200g de lentilhas

- 1 talo de aipo picado

- 1 cebola picada

- 2 dentes de alho

-2 ovos 

- 1 água 

- Azeite

- Ervas frescas a gosto (salsa, tomilho)

- Sal e pimenta a gosto


 Aqueça azeite, refogue a cebola e o alho até ficarem loirinhos.

Adicione a cenoura e o aipo, cozinhe por mais alguns minutos.

Junte as lentilhas e o caldo de legumes. Cozinhe por aproximadamente 30 minutos ou até que as lentilhas estejam macias. Escalfe os ovos durante 5 minutos.

Tempere com sal, pimenta e ervas frescas antes de servir.


Salada de Grãos e Vegetais


- 100g de cevada cozida

- 1 alcaparras  picadas

-  6 espargos Picados grelhados

- 1/2 cebola roxa picada

- Sumo de 1 limão

- Azeite

- Sal e pimenta a gosto

- coentros picada


Misture todos os ingredientes.

Tempere com sumo de limão, azeite, sal e pimenta. Deve ser servido em temperatura ambiente.


3. Copinho de Legumes Assados



- 200g castanhas 

- 1 berinjela em cubos

- 2 cenouras em rodelas

- 1 cebola roxa em tiras

- Azeite

- Ervas (tomilho, orégano, alecrim)

- Sal e pimenta a gosto



Preaqueça o forno a 200°C.

Em assadeira, coloque os legumes e regue com azeite.

Polvilhe as ervas, sal e pimenta.

Asse aproximadamente  25-30 minutos ou até que os legumes estejam dourados e macios.

O Vegetarianismo na Roma Antiga

Embora o vegetarianismo não fosse uma prática hegemónica no Império Romano, existiam indivíduos e grupos que o adotavam. Entre eles, alguns filósofos e pensadores promoviam a ideia de equilíbrio, ao consumir uma dieta rica em vegetais e evitar carnes, especialmente por considerarem que poderiam beneficiar na saúde e no bem-estar.


Muitos romanos encontravam nas leguminosas e nos vegetais as principais fontes de sustento. Isso coloca a culinária de consciência em um contexto histórico onde a alimentação saudável e equilibrada não era apenas uma modificação de hábitos, mas uma maneira de estar em harmonia com a natureza e com os próprios corpos.

Dizer que considero que a culinária de consciência, baseada na escolha de alimentos saudáveis e sustentáveis, têm muito a aprender com as práticas alimentares do passado, especialmente com as utilizadas no Império Romano. Ao resgatar receituário e ingredientes sazonais, podemos não apenas nutrir os nossos corpos de forma mais consciente, mas também honrar um legado culinário que já valoriza a saúde e a capacidade de promover o bem-estar através da alimentação.


Absorver estes princípios na dieta contemporânea não é apenas uma escolha benéfica para a saúde, mas também um passo em direção a um estilo de vida mais equilibrado, honrando as tradições que moldaram o que hoje entendemos por culinária consciente.



Espero que este texto tenha aguçado a vossa curiosidade!


Divirtam-se!