sábado, 19 de dezembro de 2020

Rabanadas de Natal


[esta sou eu na minha pagina facebookiana]

 O bicho a viver os luxos de natal ao Lanche ♡


Ele não morre mas eu tb não ♡

Rabanadas e fios de ovo feito pela covidiana mais velha cá de casa, ainda com muitos sintomas mas forte como o aço ♡♡♡

500ml de leite de amêndoa( ou de vaca)
Casca de limão
Vagem de baunilha
Pau de canela
Açúcar de coco bio ( ou convencional)
1ovo
2 gemas
Pão de ontem
Óleo vegetal
Canela em pó

Leva ao lume o leite com a casca de limão, a baunilha, a canela e o açúcar, até aquecer bem sem ferver. Bate o ovo com as gemas e mistura ao leite. Ensopa o pão, já cortado em fatias.
Frita em óleo bem quente, retira o excesso de óleo em papel borrão. Por fim passa por canela e açúcar.
Bom apetite no pequeno almoço de Natal.

Fios de ovos

Calda de açúcar sem ponto, eu coloco poejo para "aromar ♡ com a terra" 6 gemas batitas ( dose pequena para 3 pessoas). Funil de ovos na mão e tabuleiro com gelo na bancada.
Deixar correr as gemas pelo funil de ovos na calda fervente, separar com garfo e colocar sobre o gelo. No fim arrefecer a calda e deitar um pouquinho sobre os fios de ovos para reservar sem secar.

♥️🦄 Natal

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Dióspiro com Feta

 Inspirada na mitologia grega, o alimento de Zeus, brindo-vos com mais uma das minhas receitas;

Lava sem magoar este  fruto tão especial. Corta os topos do dióspiro e reserva. Com uma colher de chá retira o interior (scoop) e reserva numa tigela, junta ao puré de diospiro, mel, amêndoas, vinagre balsâmico e queijo feta (eu prefiro com feta pois considero o queijo dos deuses), e carinhosamente mistura muito bem, prova e adoça a gosto. Com a vareta acaricia a mistura, e pensa na festa.

Usa a mistura para encher (refill) os diospiros e deixa descansar por 30minutos. O empratamento fica a teu gosto. 

Excelente para vegetarianos e neste Natal surpreende, esta seria a entrada de Natal no meu restaurante para os vouchers que vinham a caminho ♡

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Flan de Canterellus e Macaron de Trompetas e Doce de Leite (Mário Rui Ramos)

 

Nada do que se quer fazer e se vê como insólito, o é... 

Ser especial é conseguir criar uma linha no tempo e sem deixar perder a identidade, almejar o sabor dentro do gene. Mostrar á memória o passado dentro do conforto do presente.  A pureza e impureza podem ser rastreadas, até certo ponto, por um estudo de consumo padrões de alimentação e predileções.

"Nenhum outro alimento suscitou mais curiosidade, fascínio, paixão e até medo do que os cogumelos silvestres."

Modesto e Baptista-Ferreira (2010: 25)

Tenho o prazer de partilhar conhecimento, técnicas e ingredientes com um cozinheiro de coração grande, pai de família e apaixonado pela sua alma gémea Raquel Ramos, também ela Chef.



       Chef Mário Rui Ramos, nascido em Lisboa no ano de 1980  sob o signo de peixes, migrante de Sintra para  Idanha-a-Nova, Professor e douto em micologia. 

Um menino a ocupar lugar de grandes, protegendo-se na arrogância, máscara que largou com a maturidade, e deu lugar ao humor e boa disposição. No seu caminho de empreendedor, resolve a cozinha com sustentabilidade utilizando os recursos naturais da natureza como padrão, elevando os sabores de neofóbicos a perfeitos apaixonados gastronómicos!

Sigo o trabalho de Mário, curiosa pelo conhecimento do mundo "cogumelo" .

Vamos lá então:

O Mário diz que  Limpeza "a seco", sempre que possível. A água é o maior inimigo e a estrutura do cogumelo é muito absorvente, refere também a separação de juvenis e maduros. Entre quilómetros que fazemos as nossas conversas vagueiam entre tempos de cozedura e texturas diferentes (entre outros), adianta também que a confeção rápida e em lume forte (há exceções - eliminação de toxinas) preserva-se o sabor/ aroma, textura e volume. [ Isto de se ter um Docente a conduzir, permite que consigamos visualizar o prato, e sentir os cheiros! ] Nesta viagem de confeção demorada e suave volatilizamos aromas, surgem sabores desagradáveis (amargos) e endurecem cogumelos com tanta conversa e gargalhada.

O principal é não perder sabor/aroma, textura e volume, ou seja, IDENTIDADE.

Após várias conversas entre caminhos, conseguimos concluir que a melhor forma para boa conservação é refrigerados (2 ou 3 dias), congelados (em cru ou confecionado), desidratados (40 e 65%, 6/8 horas), em azeite (depois de bringidos) e por fim em vinagre (depois de bringidos),salmoura e esterilização.


"Flan de Canterellus e Macarron de Trompetas e Doce de Leite" 

Receita de Macarons (mia);

Imagino que o Chef tenha usado os seguintes ingredientes para concluir esta deliciosa sobremesa. Aos 300 g de açúcar em pó adicionou 200 g de farinha de amêndoa e 100g de  farinha de trompetas desidratadas, moída artesanalmente, unindo suavemente com 110 g de clara de ovo batidas em neve. As 300 g de açúcar granulado e 75 g água fazem a calda quando seguramente arrefecida a 40º  para que elevem o preparado das restantes 110 g de claras de ovo em castelo obtendo o merengue num estágio mais crocante aquando a cozedura. Ao preparado de amêndoa e trompeta  adicione 30% do merengue  e com pá una em movimentos cheios de carinho, depois de bem misturados acrescente o restante merengue. Em papel vegetal, o Chef Mário prepara-se para assar em forno pré aquecido 160º, deixando descansar os pequeninos Macarons em tabuleiro até formarem uma doce capinha,15minutos será o suficiente, vão ao forno finalmente por 18mn, bem contados, nem mais nem menos. Foram recheados a frio. 
Para o recheio, estimulamos a criatividade alheia!!

O que parece uma trabalheira, têm sempre as mãos de chefes dedicados!




quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

(Re) pizza



 Podia comer-se somente com azeitonas, como gosto tanto...

Num pequeno monte (quase imaculado por proximidade) feito de pedras e oliveiras conheci uma mãe, nascida sobre o signo de leão, em data especial para mim, 15 de Agosto. Uma mulher conhecedora do mundo, mãe de dois filhos e douta de dedicação familiar. Jamais pensaria escrever sobre esta Mãe se não me tivesse acrescentado conhecimento na vida. 

Em 7 anos de aprendizagem com Clarisse Ferreira Calado ( sem autorização de a mencionar, mas não consigo resistir) tive o prazer de vivenciar a vida desta aldeia "Serra de Santo António", apaixonei-me nas pedras e pelas pedras, apaixonei-me pela água que ali não corria, as pessoas que toquei e que ainda hoje passam por mim, tempo de aprender os costumes que hoje servem de tinta nas minhas mãos.
Clarisse, manipulava os alimentos na sua cozinha de campo, um ritual, no Inverno acender pela manhã na antiga lareira e de alpendre. O bacalhau já demolhado de véspera esperava as brasas para ser assado. Antes já a panela fervia com o feijão branco em água, cebola, louro, alho e sal. A broa de milho (a melhor que já comi até aos dias de hoje, Padaria Santo António) desfeita em pequenas migalhas quase cirúrgicas, recordo as suas mãos, pequenas e ligeiras! 
Consigo sentir o cheiro da lenha a aquecer aquele espaço...
A faca ouvia-se na tábua com cortes repetidos para a couve serrana migar e se colocar a cozer, um perfume que inundava qualquer coração. 
A união destes três ingredientes em banho de "oiro do lagar". 
Azeite que jamais esquecerei o sabor, sem acidez num corpo "Serrano" perfeitamente degustado no Lagar da Serra de Santo António, um lagar tradicional, onde tibornas e boas histórias não faltavam na companhia de uns e outros que se faziam aparecer. 
 Repisa, uma miga de 1º classe, onde todos os sabores sabem ao que são. Mais azeite, menos bacalhau e uma mão cheia de azeitonas são os tempero da amizade e do calor da fogueira!

Uma Mãe que não era a minha, uma Serra abençoada por gentes e sabores.

Grata Serranos do meu coração.