sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Bolo de cenoura

Inspirada na origem geográfica Judaica, apresento-vos o meu Bolo de cenoura em entrega á Aldeia Histórica de Belmonte a mais judaica das gémeas 12.

A culinária judaica é uma das mais saborosas e tradicionais que se têm registo, no entanto, pouco se modificou no decorrer de séculos de história em sua formação cultural. Originalmente, essa cozinha enfatizava os sete elementos bíblicos citados no Deuteronómio: a cevada, o trigo, a azeitona, o figo, a romã, a tâmara e as ervas. E há alguns milênios atrás, as comidas eram rústicas, elaboradas pelas mãos de camponesas judias, que foram transmitindo as receitas oralmente para suas filhas, como uma das formas de manter a identidade e a união de um povo escolhido.

Optei pela religião na escolha de receituário gastronómico, pois a culinária reflete história, hábitos e costumes de seus comensais. Quando pensamos na comida judaica, que se adaptou às necessidades de seu povo no decorrer da história entendemos a veracidade de ambas.

Quando os romanos expulsaram os judeus da Palestina, no século I d.C., estes últimos se dispersaram por muitos lugares do mundo e tiveram que se adaptar às diferentes formas de vida da diáspora. Assim, eles adquiriram novos hábitos alimentares e passaram a utilizar os ingredientes que estavam disponíveis. Os seus pratos incorporaram vários temperos, ervas e especiarias nativas, que eram cultivadas em função do solo, da temperatura, do clima e dos hábitos das diversas regiões. A culinária judaica é marcada por tradições e princípios religiosos. Os judeus, quando foram expulsos de sua terra, procuraram adaptar seus hábitos alimentares às matérias-primas e costumes de cada uma das regiões por onde passaram. 

O "haruatboker" (pequeno Almoço), uma refeição farta, fica então assinalado pelo Bolo de Cenoura.




Para o recheio e a cobertura

  225 g de manteiga sem sal

  110 g de açúcar de confeiteiro

  300 g de  creme de queijo mascarpone

  10 ml de sumo de limão 

  1/2 colher (sopa) de essência de baunilha



Para a massa

  190 g de farinha de trigo

   3/4 de colher (chá) de fermento químico 

 3/4 de colher (chá) de bicarbonato de sódio 

  3/4 de colher (chá) de sal

4 ovos

80 g de mel 

 1 1/2 colher (chá) de canela em pó 

 250 g de cenoura ralada 

 90 g de nozes picadas 

  Raspas de 1 limão 

 Manteiga para untar 


Prepare o recheio

Na batedeira, bata a manteiga e o açúcar usando o batedor espátula até que a mistura fique cremosa e branquinha. Acrescente o creme de queijo mascarpone e misture bem. Junte o sumo de limão e a baunilha. Leve ao frio por cerca de uma hora antes de montar o bolo.

A massa

Prepare a massa numa uma tigela, peneire a farinha, o fermento, o bicarbonato, o sal e a canela. Reserve. Na batedeira, bata os ovos com o mel por sete minutos ou até que a mistura dobre de volume. Despeje o óleo aos poucos, batendo sempre, até que esteja bem incorporado aos outros ingredientes. Com uma espátula, misture aos poucos os ingredientes secos. Junte a cenoura, as nozes e as raspas de limão. Numa forma untada com manteiga com sal e polvilhada com farinha, leve a massa ao forno pré aquecido a 180°C por 40 minutos ou até que, ao espetar um palito no centro da massa, ele saia limpo. Retire do forno, espere arrefecer e desenforme. Com uma faca de pão, corte o bolo ao meio na horizontal, com cuidado, obtendo dois discos. Recheie com parte da mistura de creme de queijo mascarpone e cubra todo o bolo com o restante do creme, espalhando com uma espátula. 


Divirta-se!





 













segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

RECEITA de uma análise positiva

 Mas não sou eu que importo...

Dia 9 de Dezembro de 2020, o dia em que troquei as queimaduras do fogão por um teste positivo ao vírus SARS-COV 2.

Não podia ter acontecido, como? 

Questiono-me muitas vezes como falhei, Mas a resposta foi sempre a mesma; permissiva e a falta de consciência alheia. Fechei o meu estabelecimento, disse não a tantas reservas, chorei cada vez que negava aquilo que mais gostava de fazer, Cozinhar, chorei porque contagiei o meu marido e o meu filho (que responsabilidade, meu Deus), Chorei pq não tenho forças para estudar (que frustração) e ainda tenho que ser grata por estar viva...


Estou em casa fechada há 38 dias, doente, sem faturas e 2 "safts" (para quem entende, isto dói!), os sintomas foram imensos e graves, mas ainda tenho que mostrar gratidão por nada ser respiratório (até agora). 

O Covid19 bateu-me á porta sem perguntar se podia entrar. E andam por ai todos a passarinhar. Uns bebem vinho pelos botecos que restam abertos, outros fazem fogueiras e vão aos shoppings, é tão ridículo que em tempo de pandemia até se elege um Presidente. Devíamos ser capazes de identificar todos os que tiveram contacto com pessoas infetadas para que se garantisse o isolamento de todos.

Se me sinto mal? Sinto sim, este hóspede  arranjou-me para aqui um 31 qualquer, que só consigo identificar quando houver tempo para me estudar. Fui muito bem acompanhada pela médica de Família, pela pediatra do meu filho e o meu médico particular. (sempre atentos aos meus sinais)

Já não sei se fui eu que não deixei o Bicho em paz ou se foi ele que me testou a toda a hora. Os sintomas, as dores, o medo, o RESPEITO.

Mas não sou eu que importo...

Somos a História e não fazemos nada por ela, simplesmente deixamos morrer, pois é melhor o convívio social, somos a História (sabem o que isto significa?) Posso tentar-vos mudar a narrativa?

Nós temos Egrégios avós mas os nossos filhos nem os vão poder descobrir, ler ou estudar sobre eles. Vão ler atestados de óbito vergonhosos, porque vocês não fizeram nada para ficar em casa.

As dores são horríveis, flutuantes e agressivas, os zumbidos deixam-nos loucos, os ouvidos tapados num mundo balão, a desidratação é tanta que podes mesmo afogar em líquidos, a roupa da cama pesa no corpo, as articulações e os músculos em dor de uma só caibra. a pele arde de queimaduras invisíveis que nenhum creme hidratante te ajuda, a cabeça ferve e não tens febre, a glote inchada que nos sufoca, a cabeça rebenta ao som de um passarinho, a dor é tão forte que até os dentes ficam a abanar, bebes e comes porque te obrigas, as náuseas, a diarreia, a dor de barriga, a ausência de cheiro e paladar não te deixam em paz. (O que se passa comigo, meu Deus?)

Dormes e quando acordas, pensas que não morreste, os lábios mudam de cor para cereja escuro, e percebes que não tens ar, vais a janela respirar, o frio magoa-te quando inalas, cuidas e agasalhas para não teres uma pneumonia, hoje tosses, amanhã não te moves parece que foste atropelada por um camião. A pele das mãos, dos pés, dos órgãos genitais (esfíncter e uretra) e dos lábios caí, e tu não sabes porquê. Os dias vão passando e tu está ali, sem força, o cansaço é tão pesado que te sentes tuberculosa, a água do banho magoa-te tanto que nem te apetece voltar a tomar... Doí-te tudo, doí-te tudo dia após dia, vives agarrado ao aparelho de saturação de o2, medes a tensão 16/14... e estás doente pá, como é possível!? (é, porque tu não tens Covid, não é? Porque tu andas a passear sem sintomas, não é?)

Tudo isto acontece porque este vírus é um bruto, o nosso organismo não pára de lutar, não baixa a guarda, caso baixe quem ganha é a sepsies, ou síndromas que nos ficam para a vida. 90 dias é muito tempo e muito tempo é caro em vida e financeiramente. Vai para casa, faz a tua parte.

Mas não sou eu que importo...


Como te sentes? (perguntam eles cá em casa) - Bem. (porque sou a mãe)

Todos os dias acordas com mais um sintoma,  levantas-te para sentir a respiração do teu filho e marido, todos os dias te esqueces de ontem. Amanhã  as dores são outras! (Estes foram os meus sintomas, eramos 3 com sintomatologia diferente. Os meus foram mais agressivos.)

- E eles continuam lá fora como se nada fosse, mas eles não entendem. Não entendem o sacrifício de quem morre ou escolhe quem vai morrer. 

Por enquanto eu sobrevivi.


Tu aí, ainda podes ser TU.

...Fiquem isolados.


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sábado, 2 de janeiro de 2021

Caldinho de alface e coentros

 


De inspiração greco-romana, vou cultivando o longo período da Era Vegetariana (não filosófica), onde os homens só comiam o que restava dos deuses. A alface romana, de folha resistente com talo grosso, conseguia trazer à memória o sabor amargo da sua seiva, símbolo dos tempos amargos vividos e impostos por Egípcios e Israelitas, usualmente comida por altura da Páscoa. Na atualidade, segundo Jean-Claude Rodet (2012) associada a bem-estar, compreendemos que a alface é um excelente antioxidante e é anticancerígena, devendo ser consumida regularmente!


1 alface romana (lactuca sativa) 2 chuchus (sechium edule) 1 cebola roxa (purpura cepa) 1 nabo com casca (brassica rapa) 1 fatia de gengibre (Zingiber officinale) Poejo (mentha pulegium) 1 folha de louro (laurus nobilis) 1 pitada de noz-moscada (myristica fragrans) ½ colher de café de pimenta preta (piper nigrum) Coentros (coriandrum sativum) 1 cabecinha de cravinho (syzygium aromaticum) 60 ml de azeite (Ervas da Zoé BIO) Água q.b. Sal q.b.


Preparação: Deixe refogar a cebola cortada rudemente no azeite, sem queimar, e acrescente o chuchu, permitindo soltar os seus sucos e alourar. Junte os restantes ingredientes excluindo a alface. Adicione a água (não em demasia) e, ao primeiro fervor, a alface. Deixe ferver e cozer todos os ingredientes por 10 minutos. Triture e seguidamente coe a sopa para obter um creme sedoso. Caso necessário, adicione mais água, de forma a que fique um creme não aguado. Sirva quente com coentros (coriandrum sativum, do grego κορίαννον) cortados finamente. Boa viagem.