Um banquete especial numa aldeia que defendo”, esta criação parte da "patina de , preparação muito presente no imaginário culinário da Roma Antiga, associada a pratos cozinhados em recipiente baixo, entre o creme, o gratinado e a composição de mesa. A partir desse gesto antigo, a receita transforma-se numa leitura contemporânea e cronotópica, onde o tempo romano se cruza com o território da aldeia, da Beira Baixa e da memória alimentar que se pretende preservar.
A romã, fruto de forte presença simbólica no mundo antigo, surge aqui como sinal de fertilidade, abundância, renovação e pertença. Os seus bagos vermelhos funcionam como pequenos rubis alimentares, marcando o prato com uma linguagem quase ritual. Na leitura de heráldica gastronómica, o barro assume-se como campo ou escudo; o creme branco representa a base de pureza e continuidade; a romã inscreve a vitalidade e a descendência; e os fios amarelos evocam luz, ouro, celebração e permanência. O prato torna-se, assim, um brasão comestível: não apenas alimento, mas emblema de uma aldeia, de uma história e de uma defesa cultural.
Esta receita integra o receituário de autor desenvolvido no âmbito do trabalho e projecto de Mestrado da chefe Maria Caldeira de Sousa, Embaixatriz Gastronómica da Beira Baixa pelo Turismo de Portugal Centro, valorizando a investigação, a criação culinária e a interpretação contemporânea do património histórico. No âmbito do projecto apoiado pelo
Programa Promove da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI e com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), esta proposta afirma a gastronomia como instrumento de identidade, conhecimento, território e futuro.
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