terça-feira, 26 de março de 2024

Endívias em idanha


[Escrito a 26 de junho 2023]

 Querida Manuela, 


acredito que se encontra bem, e cheia de apaixonados fazeres. Neste imenso calor que se faz sentir em Idanha, penso nos  antigos egípcios, gregos e romanos que utilizavam a chicória selvagem ou endívias como medicamento na cura de algumas doenças. Existem registos na literatura egípcia, que referem o consumo desta verdura tanto cozida como crua. 


Mas devo referir que na Europa aparece com data do século XIII.


Uma salada de endívia com romã e lima é o que apetece, potenciam a vitamina C e D, óptima para comensais cheios de calor. 



Corte as endívias em quartos na sua verticalidade, unte com azeite, tempere com sal e pimenta preta. Com o grelhador já bem quentinho, coloque-as ao lume, na zona de mais calor durante 3 a 4 minutinhos de cada lado.


Podem ficar queimadinhas pois intensifica o sabor natural da endívia, mais para o doce. Vão tornando-se macias, é fácil perceber quando estão prontas, as folhas vão se soltando. 


Entretanto prepare um melaço de romã com mel, alho e sumo de romã. Deite por cima e raspe a lima.


Uma entrada maravilhosa para uma reunião de amigos e um rosé.




domingo, 24 de março de 2024

A água do jardim [alimento para a alma]

Hoje, no jardim ao ver o guardião entre abelhas e borboletas ♡



Eram as pétalas em dança com as borboletas,
E as abelhas em zumbidos de doce sinfonia,
No jardim, um verdadeiro paraíso,
Vejo laranjeiras que florescem em pura harmonia.

O aroma suave de perfume no ar,

Envolvendo os sentidos numa brisa leve

os espirros vibrantes das asas que batem,

Levam o gato ao telhado

em saltito aparvalhado

Entrego a paz ao sonho breve.


Que bela sinfonia de vida e cor,

Uma dança suave da natureza em ação,

Enchi o coração de gratidão,

Neste simples jardim, cheio de puro amor.


[Foto do meu jardim, créditos Vidu Éach ]



terça-feira, 19 de março de 2024

post-mortem report


 Querida Manuela,





Sei que estás bem, pois hoje vi fotos tuas giríssimas.



Vejamos hoje para onde vai a imaginação, tantos assuntos que gostava de falar.


Escusado será dizer que as cartinhas enviadas são criadas por laivos de imaginação na 1a pessoa, mas em tempos antigos escreviasse na 3a. 


As mensagens funebres, Romanas por exemplo,eram epigrafias fabulosas. 


O Prof. Dr. Armando Redentor exibe um verso arrepiante de um pai que perdera o seu filho jovem, está exposto em Idanha-a-Velha; 



"Pubertatem ingressus, nec tristem mortem timeo, Ancetus, Celti filius, brevem Fatum explevi meum. hic iaceo; hic, cinis, requies."


"Entrando na puberdade, e sem ter medo da triste morte, eu, Anceito, filho de Célcio, cumpri o meu breve destino. Aqui jazo; aqui, cinzas, reposai." - Museu Epigrafico de Idanha-a-velha



Linda homenagem e arrepiante. Fico muito emocionada com o Luto deste pai romano.


Um assunto pouco defendido entre todas as ciências. E na gastronomia?



Poucos falam nos banquetes fúnebres, no alimento que acarinha a dor e atenua a lembrança dos seres que partem através do sabor. Reune-se familiares e amigos, fazem exéquias com gargalhadas e choros, relembrando pontos comuns. Mas do pão e da partilha do alimento na vida dos que vão é ultrapassado por todos os indivíduos.



O alimento do ego, o alimento da alma, o pão da dita comunhão.


O laço da alma através do pão, a união dos singulares vivos que se guardam e castigam na água e sumo da Terra (vinho) é a formação de uma nova forma de disseminação que se deixa ultrapassar pela falta de comunicação.


A construção da individualidade está na partilha do pão.


Pão para o luto, o alimento desinteressado. 


Porque será que quando existe sacrifícios ou penitências se corrige com a alimentação?


Bom, entrego à conversa outra receita que trará alma aos que ficam e com os fumos (canal de comunicação) se convence quem parte que é seguro elevar-se aos céus.



Pão de segurelha



1000g de farinha de trigo


15 g de fermento de padeiro


Sal, segurelha 


50ml de azeite


300ml de água 



Colocar a farinha numa maceira, com as mãos fazer um buraquinho no centro colocar o fermento padeiro seco, o sal e um pouco de água morna. Diluído, junte o azeite e misture com a farinha e a segurelha, amasse com a restante água.


Deixe descansar e levedar até que dobre o tamanho. Dívida em pequenas porções e deixe descansar novamente.


Agora, espalhe a massa até ficar com a grossura de um dedo, pique com os dedos ou um garfo e leve ao forno de lenha já bem quente. Por ser finamente espalmado é rápida a cozedura.


Depois de cozido o pão, pincel generosamente com azeite e umas pedras de sal. 


Alivie a dor e assegure-se que vê refletida "Neles" o sabor da partida de alguém com a alma cheia de amor!


Comer e beber na vida e na morte.


Beijinho 



Chefe Maria Caldeira de Sousa

quarta-feira, 6 de março de 2024

Caldo de Alface

 



Os sábios da gastronomia são aqueles que vêem a culinária com alma e aqueles que cozinham com paixão, dedicação e amor. Enxergam a comida como uma forma de expressão artística e de conexão à comensalidade. Cozinhar vai muito além de simplesmente preparar uma refeição, é uma forma de transmitir emoções, memórias e cultura através da sua sensibilidade. Entregam energia e criatividade em cada receita, trazem um pedacinho de si e das suas experiências.

Cozinhar com alma significa cozinhar com o coração, reflete-se na maneira como os sabores se harmonizam e como os comensais são tocados pela entrega ao palato.

Possuem um profundo conhecimento e uma grande paixão pela gastronomia, instintivo, os sábios da culinária são eternos aprendizes. 

Nesta área vasta e complexa, com infinitas possibilidades e combinações, técnicas e ingredientes, até os mais experientes chefs e cozinheiros têm algo novo para aprender e descobrir.

 Entendo que a humildade e a disposição para aprender são essenciais para o crescimento e a evolução tal como em todas as ciências. Estar sempre atento a novas ideias, tendências e experiências,  constantemente aprimorarmo-nos em habilidades e conhecimentos. Cada prato é uma oportunidade de aprendizagem e brio, a alma está na retaguarda das novas inspirações e desafios.

Considerados mestres na arte da culinária, os sábios da gastronomia mantém a humildade de um aprendiz, sabem que sempre há algo novo para descobrir e aprender na cozinha.



O meu caldinho de alface e coentro (vegan)


1 alface Romana (Lactuca sativa)

1 batata grande

2 xuxus (Sechium edule)

1 cebola roxa (purpura Cepa)

1 nabo com casca (Brassica rapa)

1 fatia de gengibre(Zingiber officinale )

poejo (Mentha pulegium)

1 folha de louro (Laurus nobilis)

pitada de noz moscada (Myristica fragrans)

½ colher de café de pimenta preta

coentros (Coriandrum sativum, do grego κορίαννον)

1 cabecinha de cravinho (Syzygium aromaticum)

60 mg de Azeite (ervas da Zoe Bio)

àgua qb

sal qb

Deixar refogar a cebola cortada rudemente numa noz de manteiga e sem queimar. Acrescentar o xuxu e a batata partidos permitindo soltar os seus sucos e alourar. Juntar os restantes ingredientes excluindo

alface. Adicione a água (não em demasia) e ao primeiro fervor a alface. Deixe ferver e cozer todos os ingredientes por 10mn. Triture muito bem seguidamente coe a sopa para que obtenha um creme sedoso, caso necessário adicione mais água de forma a que fique um creme não

aguado. Sirva quente com coentros cortados finamente e uma gota de vinagre balsâmico. 


Boa Viagem, divirta-se!