domingo, 25 de fevereiro de 2024

destino

Quando ouvi a "Tão Longe Tão perto"reportagem da Antena 1 ao João D'Eça Lima[ com o grande Fernando Alves], afinal onde se encontram os aromas e os sabores que nos transportam para outras paragens  é o destino. Que bonito!  Ao prato uma descoberta, uma experiência única que nos permite explorar os temperos gastronómicos.

Somos levados a uma viagem sensorial, em que o pecado nos transporta para o lugar distante, a escolha , mergulha em culturas e tradições diferentes. É através dos sabores que podemos vivenciar a essência de um país, a história e a identidade.

Ao que parece longe, torna-se não apenas no lugar para satisfazer a fome, mas sim um destino turístico nele mesmo, e alimentar a alma com experiências inesquecíveis.

Por isso, na viagem que se faz pelo sabor, é importante que o destino seja o restaurante, onde podemos descobrir novas nuances e enriquecer o paladar com as delícias que o cozinheiro tem para oferecer.

Existem cozinheiros e restaurantes igualmente tão únicos que se tratam por tu. ♡

Obrigado João!

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Pão de malte e cerveja preta

 A minha nova farinha chegou e como gosto de estar em movimento, hoje , depois das compras no mercado coloquei as mãos na massa. 

O meu pão é também para todos aqueles que não querem ingerir hidratos de carbono.

Este é bem especial, é de malte e cerveja preta ♡ 

10g de malte

400g de farinha de centeio moagem grossa

100ml de cerveja preta

Sal

Água morna 


Á farinha de centeio junto o malte e a cerveja bem misturados com sal.

Esta massa deve ser bem amassada, pois é hidratação a 90%.

Agora ficamos a aguardar a fermentação.





[O registo da foto é com duas horas de fermentação ♡]





quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

simples... Tomate grelhado

Cozinho o irrepetível, penso no momento e observo o futuro. Entre a capacidade da união entre o tempo e o sabor intemporal conservo o costume e a tradição. Interpreto o alegre e criativo cheios de registo ancestrais. Integro conhecimento entusiasmante na filosofia da alma e através os 5 sentidos nasce prazeroso sabor na minha cozinha.




Tomate grelhado com borrifos de azeite trufado e pérolas de flor de sal com manjericão.
Justo e perfeito.


terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Esparguete com favas emporcalhadas

Espero-a bem minha  boa amiga confrade .

Uma carta é uma mensagem escrita para uma variedade de propósitos, de amigável a formal. Cartas também são usadas por profissionais de cozinha para partilha de receituário. Sem cópia mas com muita originalidade foi-me proposto começar.

Dar caminho após o melhor acervo registado no nosso país, relembro a nossa grande Maria de Lurdes Modesto.

Hoje trago uma receita familiar e de cariz sustentável com uma "estória de amor" escondida no sabor.

Uma mãe que não era minha recebia no seu sitio num almoço de Abril os filhos e sobrinhos na enorme mesa de cozinha de campo. Salada de alface fresca com cebola e bem envinagrada trazia o cheiro que não consigo esquecer, num repasto quase Queiroziano, marcado na minha vida aquela mãe.

Favas com esparguete ( Serra de Santo António)

As favas depois de bem emporcalhadas, isto é em azeite fritar cebola, alho,cravinho louro e piri-piri, junta a carne de porco ( entrecosto) , o sal e vinho branco qb .

Depois de cozinhadas acrescentar água e esparguete. Cozer al dente. Coentros a gosto.

Divirta-se ♡

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

A tal, a cabidela

 [Escrito a 5 de junho de 2023]

Querida Manuela


Após alguns dias sem escrever, alimento agora a alma com estas pequenas letras para si…

Espero que se encontre bem e que a sua criatividade continue cheia de fome.


Todos os dias abro a porta da minha casa a pessoas que não conheço, mas que me chegam com vontade enorme de se alimentar tanto espiritualmente como de alimento. 

Confesso que este meu modelo de receber me eleva a um mundo muito mais cheio de amor que no modelo convencional da restauração. Chamo-lhe o meu “innerfood”.


Tenho conhecido gente extraordinária, que me valorizam e reconhecem.

O Rui com a sua simpatia cativa os comensais com as suas gargalhadas fenomenais, o meu companheiro  querido! 

A minha comida que os separa da modesta fome e sede, e a região que bem tratada é. Nas palavras deste dois anfitriões descobrem um território tanto na sua parte histórica como agrícola, interpretam as pequenas gralhas que o tempo foi esquecendo de lhes dar ênfase. Vendemos aldeias.

Usamos o nosso conhecimento e vivência  para dar letracia ao turismo que nos escolhe!

Ultimamente temos recebido americanos, que nos conhecem de trás para frente, assustador mas tão gratificante!!!

Hoje trago para alimento um Galo do campo bem cozinhado com arroz e muito sangue.

A Cabidela perfeita.




Rachando uma cebola roxa coloco-a ao lume com duas colheres de banha, cravinho, louro e malagueta deixo estrugir. Frito o galo, já cortado em pedaços generosos, muito bem depenado e sem pele e osso. Junto ao alho, uma colherinha de colorau, zimbro, carqueja e o ramo de salsa e, vinho branco de boa qualidade, permito à espera para que cozinhe bem e em lume brando.

Assim que tiver bem cozinhado, cresce 4 copos de caldo e ferve mais uma vez.

Ao ferver, coloco dois copos de um bago de arroz português “Carolino” aguardo que coza moderadamente sem calor demasiado mas com bastante caldo, ao repasto junto em forma generosa o sangue bem avinagrado e permito que engrosse o caldo (7mn), sirvo de imediato com um raminho de salsa por cima e agradeço aos deuses por tanta benção.



E assim me despeço de si, com imenso carinho!


Maria Caldeira De Sousa



terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Alcachofra no status gastronómico do Mediterrâneo

 A alcachofra destacou-se como um alimento consumido na Roma antiga. Os romanos acreditavam que a alcachofra possuía propriedades medicinais e a utilizavam principalmente como um digestivo. De sabor único, utilizavam em diversas receitas culinárias, desde saladas, guisados e até mesmo em sobremesas. Esta iguaria era considerada um alimento de luxo, existem registos que nos dizem que foram apreciadas pela elite romana.

Apicius o Gourmand dos tempos romanos no seu registo, a alcachofra é mencionada de variadas formas.  

As diferentes maneiras de preparar a alcachofra; cozida, frita ou grelhada e, os seus molhos e temperos são a minha predileção. Considerada uma iguaria refinada e sofisticada na culinária deste IMPÉRIO, como também frequentemente servida em banquetes e festas luxuosas.


Portanto, todo o status que lhe entrego na minha forma de cozinhar é dar continuidade ao alimento de prestígio.


Alcachofras na minha mesa


Partidas em quartos, depois de retirar as partes secas e, entaladas em água fervida com uma boa colherada de manteiga de vaca, reservam-se escorridas e secas.

 Frite-se em manteiga com alho e coentro, enfiando-lhe entre as folhas azeite, sal e pimenta, deixe caramelizar, regue-se com sumo de limão e raspa. 


domingo, 4 de fevereiro de 2024

Em cuenca- Espanha

 Cuenca a minha vizinha Espanha, já aqui  pertinho de nós ♡



Um prato simples feito com bacalhau salgado, quase uma desconstrução do pastel de bacalhau . O nome diz que possivelmente chegou a Cuenca entre os tropeiros (encarregados de transportar mercadorias com mulas e arrastar animais para zonas geográficas distantes). Pelo caminho era feito o receituário com a aquisição dos ingredientes. O ajoarriero seria o culminar de todos os negócios e vendas de vinho era quase ritualístico: “O bacalhau era transportado pelo almocreve, a fritada ou acessórios eram pagos pelo vendedor e o vinho era fornecido pelo garapitero ou mediador de tintos e claretes.” segundo registos o prato  torna-se conhecido no século XVII conjuntamente com  o chavão “satisfazer até os burros”, daí um dos seus nomes: “atascaburras”. Para alem da história muito curiosa e digna de uma nota nesta página e com muito  privilégio .


A receita de bacalhau pode ser uma entrada de qualidade. É uma espécie de massa macia ou patê feito com uma mistura de batata, miolo de bacalhau, pão ralado, ovos cozidos, um bom azeite virgem extra e alho.


Este  bacalhau ajoarriero é muito típico em Cuenca, embora muito diferente do que se come noutras zonas de Castela e Leão. De costume, feito nas festas regionais e na Páscoa.

Ajoarriero de bacalhau , ajo arriero, ajada de bacalhau, atascaburras ou pilão de ajo é um prato delicioso e de sabor extraordinário. Embora a palavra alho apareça em quase todos os nomes dados a este prato, quase não se nota na receita porque o seu sabor é intenso como o do bacalhau e cremoso por causa da batata.



Divirta-se!







sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Chouriços e morcela doce

Desta vez trago-vos somente uma ideia deliciosa para trazer aí em casa! 

Com a temporada do tempo frio, este ano brindei-me com enchidos,  fiz poucos mas suficientes. Desta vez, decidi dar alegria ao bom chouriço e dei-lhe o azinho ♡  Aperfeiçoei-me na técnica, tanto no chouriço como num bom fumeiro.


MORCELAS (pudim de sangue enchouriçado)


Á farinha de centeio, pinhões, amêndoas em pedaços, tâmaras cortadas sem caroço, gemas de ovo, 

banha de porco derretida, e sangue cozido de porco, açúcar em calda, sal, cabecinha de cravo-da-índia, canela em pó e uma gota de óleo de essencial de laranja para culinária, misture até obter uma massa maleável e encha com as tripas. De seguida coza em água fervente, até ficarem duras. Ao cozer, pique com um garfo, assim não rebentam. 

Divirtam-se com esta extravagância que aprendi a comer lá pelos lados da Noruega.




Chouriça, ao meu gosto


 Corto muito bem, pequenos pedaços, uma generosa quantidade de carne de porco, lombo e perna; aprendi que 

 envolvendo-a num pano de algodão e, deixar pendurada numa cesta de vime com um peso por cima, algumas horas, faz toda a diferença. [Os antigos faziam assim]. Enquanto isso, preparo o tempero com 0,500kg de sal fino, pimenta em grão,  alho migado(quase em pó)e louro.

Seguidamente junto à carne que descansou um pouco de carne gorda ( toucinho branco) e tempero. Misturo muito bem. 

 Encho as tripas, deixo as chouriças bem atadas. Em metade das chouriças esfrego com uma pasta de pimentão e vinho branco. As restantes ficam simples, gosto assim. Penduro em paus de loureiro e deixo secar. Deito-as ao fumeiro e a minha chouriça estará pronta em breve.


Ainda vai a tempo, se o calor não se fizer notar e a mosca não “atacar” !