sexta-feira, 29 de setembro de 2023
receituário em Carta II
campina Idanhense - o tomate
Este fruto é rico em nutrientes essenciais para a saúde. Carrega em si excelentes nutrientes; vitamina C, vitamina A, potássio e licopeno(repara os danos às células por conflito com radicais livres). um antioxidante associado à redução do risco de certos tipos de carcinomas.
Existem diferentes tipos de tomate, como o tomate cereja,ou tomate chucha, coração de boi…, cada um com características e sabores distintos. Variam na sua cor, tamanho e textura. Alguns são mais ácidos, enquanto outros têm um sabor mais doce.
Ao escolher um tomate, é importante procurar aqueles que estejam firmes, com uma pele lisa e brilhante. Ao tomate mole ou com manchas escuras, use para compotas ou molhos. Acondicionado à temperatura ambiente, longe da luz solar direta, prolonga a sua vida útil.
Em regra o tomate é uma adição saudável e saborosa à sua alimentação. pode consumir cru, grelhado, assados, desidratados ou utilizado como base para diversos molhos e preparações culinárias. Consumir o tomate nas refeições diárias é aproveitar todos os seus benefícios em prol do seu bem estar.
A semente do tomate é essencial para garantir sua diversidade genética. Ao longo dos anos, muitas variedades foram desaparecendo devido à monocultura e uso intensivo de pesticidas, o que acaba afetando a saúde do solo e a qualidade do tomate.
A campina idanhense, localizada na região de Idanha-a-Nova, em Portugal, é conhecida por produzir tomates de sabor inigualável, graças ao uso de técnicas de agricultura tradicional e em modo biológico com respeito à biodiversidade. Recentemente, iniciaram um projeto de recuperação de sementes e o tomate foi um dos escolhidos, com o objetivo de preservar as variedades locais e garantir continuidade.
O projeto é realizado em parceria com a Associação de Agricultores de Idanha-a-Nova e a Universidade de Évora, e inclui a coleta de sementes de tomates de diferentes variedades, o cultivo e a observação das plantas para garantir sua autenticidade e qualidade.
Além de garantir a variedade genética do tomate e preservar o sabor inigualável da região, a recuperação das sementes também contribui para a sustentabilidade do sistema agrícola, já que as variedades locais são mais resistentes a pragas e doenças, reduzindo a necessidade de uso de pesticidas e outros produtos químicos.
O projeto das "sementes vivas" com localização campina idanhense é um ótimo exemplo de como a agricultura tradicional e sustentável pode coexistir com as exigências do mercado e atender às necessidades dos consumidores que procuram alimentos mais saudáveis e saborosos.
De tão bom sabor, decidi trazer duas deliciosas receitas:
-uma de extracto de tomate e outra de um maravilhoso creme de tomate, muito usual nas mesas da nossa casa.
Ingredientes para o extrato:
1,5 kg de tomate
1 saco rede ou fronha velha de algodão
Pasta de alho sem sal
Manjericão
Sal
Fermente o tomate por uns dias (deixe fora do frio), e coloque na rede(fronha) para que toda a água escorra, não tenha pressa, quanto mais escorrer melhor.
Depois de ter o tomate bem escorrido, junte o sal e os sabores. Reserve em frasco, abuse da utilização, sandes, Bruschetta etc…
Ingredientes para a sopinha em creme:
1 kg de tomates maduros
1 cebola média
3 dentes de alho
1 cabeçinha de cravinho
1 litro de caldo de legumes
1 colher de sopa de extrato de tomate
1 colher de sopa de açúcar
1 folha de louro
1 colher de chá de orégano
Sal e pimenta a gosto
2 colheres de sopa de azeite
Descasque e de seguida pique a cebola e o alho. Retire a pele do tomate, cortando uma cruz na parte de baixo e mergulhe em água a ferver por alguns segundos. Em seguida, retire a pele com facilidade. Pique o tomate. Use uma panela grande, aqueça o azeite, refogue a cebola e o alho até ficarem macios e translúcidos.
Adicione o tomate picado, o extrato de tomate (feito artesanal,receita no blog), o açúcar, a folha de louro e os óregãos. Mexa bem com muito carinho para que todos os ingredientes larguem os sabores e cozinhe cerca de 10 minutos.
Adicione o caldo de galinha e deixe ferver por mais 15 minutos.
Retire a folha de louro e bata a sopa no liquidificador ou robot de cozinha até que fique homogénea. Se preferir, deixe pedaços de tomate inteiros.
Leve o creme novamente ao lume em mijote, rectificando o tempero com sal e pimenta a gosto, se necessário.
Sirva quente com croutons e cebola desidratada [ou ovo cozido] e embeleze com umas folhinhas frescas de manjericão. Bom apetite!
sábado, 23 de setembro de 2023
Fome
Pode ler-se no artigo do jornal Reconquista.
https://www.reconquista.pt/articles/gastronomia-a-emocao-e-falta-de-alimento---fome-2
A emoção é falta de alimento - Fome
Cérebros nutridos de alimento são melhores humanos.
Os pais tentavam decidir onde ir almoçar, enquanto os pequenos reclamavam e choravam de fome. A mãe sugeriu ir ao restaurante do hotel, mas o pai queria explorar a cidade e tentar encontrar um local mais autêntico.
A discussão continuou por alguns minutos, enquanto o sol brilhava e a piscina convidava para um mergulho refrescante. Eventualmente, eles resolveram ir ao restaurante do descansado hotel para saciar a fome urgente, com a promessa de explorar a cidade mais tarde.
Enquanto observava a cena, tomei consciência de quanto a fome pode afetar a capacidade das pessoas na tomada de decisões e até de se comunicarem adequadamente. É um lembrete de como é importante cuidar do nosso corpo e alimentá-lo adequadamente, para garantir que possamos desfrutar das coisas boas da vida sem sermos limitados pelas emoções.
A fome é emocional.
Considero que a relação entre emoções e alimentação é bastante complexa e influencia os nossos hábitos alimentares de forma singular. Algumas emoções, como a fome, são uma resposta fisiológica natural do corpo que sinaliza a necessidade de obter nutrientes para manter as funções vitais.
No entanto, vivemos numa sociedade de abundância onde a disponibilidade de alimentos é muito maior do que a necessidade do corpo. Como resultado, muitas vezes comemos não apenas quando estamos fisicamente com fome, mas também quando queremos reavivar os nossos sentidos com algo novo, aliviar o stress ou simplesmente desfrutar de um momento prazeroso.
Foco-me muito sobre a má alimentação, uma questão importante que afeta a humanidade como um todo, e não apenas em países desenvolvidos. A má alimentação pode levar a uma série de problemas de saúde, como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e outras doenças crónicas.
Além disso, também têm um impacto emocional significativo. Como exemplo, algumas pessoas podem se sentir envergonhadas ou culpadas pelas suas escolhas alimentares, enquanto outras podem desenvolver transtornos alimentares, como a bulimia ou a anorexia.
É importante entender que as escolhas alimentares não são apenas uma questão física, mas também emocional e psicológica. Numa abordagem holística na alimentação, tenho em consideração não apenas os aspectos nutricionais, mas também emoções e hábitos alimentares, que podem ajudar a desenvolver um relacionamento mais saudável e equilibrado com a comida.
A emoção refletida na abundância pode dividir a gnose familiar, pois em alguns casos, há uma excessiva oferta de alimentos, o que pode levar ao desperdício e à não valorização da comida. Por outro lado, em famílias carenciadas economicamente ou até estudantes universitários a falta de alimentos de qualidade e variedade nutricional pode levar a uma privação emocional e física, o que gera fome sentimental.
A hiperconectividade causada pelo excesso de alimentação também pode contribuir para sentimentos de solidão e desconexão emocional, já que a comida pode ser usada como uma forma de aliviar o stress e a ansiedade, muitas vezes de forma inconsciente.
A abundância de alimentos pode levar a escolhas alimentares menos saudáveis, o que pode afetar negativamente a saúde física e emocional. A alimentação é um fator importante na formação de nossa identidade cultural e pode influenciar padrões de consumo e hábitos alimentares.
É importante refletir sobre nossas escolhas alimentares e a forma como nos relacionamos com a comida, buscando um equilíbrio entre a abundância e a moderação, valorizando a comida e evitando o desperdício, além de ter consciência dos impactos emocionais e físicos que nossas escolhas alimentares podem ter.
Infelizmente, a história do mundo confirma que a fome pode ser um factor importante no desencadear de guerras e conflitos entre povos. A escassez de alimentos pode levar ao desespero e à agressividade da humanidade, sendo a alavanca propulsora de medidas extremas para obter alimentos e recursos para sobrevivência.
Relembro os registos durante a Segunda Guerra Mundial, muitos países passaram pela escassez de alimentos devido à interrupção do comércio internacional, o que levou a uma competição feroz por recursos e territórios. Muitos conflitos contemporâneos, como a guerra civil Síria e a que nos atropela diariamente na Ucrania , também nos têm mostrado escassez de alimentos e recursos naturais.
A fome e a ausência de alimentos são usadas como arma política, na decisão dos governos de restringir o acesso a alimentos para controlar as populações ou enfraquecer as forças oponentes.
No entanto, é importante lembrar que a fome e a míngua de alimentos são frequentemente resultado de desigualdades estruturais e políticas injustas que afetam sem proporção as comunidades marginalizadas e vulneráveis. Continuemos a promover a justiça social e o acesso recto a alimentos, água e recursos é uma parte crucial para prevenir conflitos e promover a paz global.
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Gentileza e figos de piteira
segunda-feira, 18 de setembro de 2023
Marmelo ancestral em paz e amor - Idanha a Nova
Em meados do século VIII, durante o período medieval, trazido pelos árabes. O marmelo começa a ser cultivado em diferentes regiões da Europa. No entanto, foi somente no século XVIII que o marmelo se popularizou na Inglaterra, onde era consumido principalmente na forma de geleias e doces. Atualmente, o marmelo é amplamente cultivado em países como Portugal, Espanha, Itália, França e Grécia, muito usado tanto na culinária quanto na produção de cosméticos e medicamentos.
Os reis da Europa medieval consideravam o marmelo uma das frutas mais nobres e valiosas devido ao seu sabor exótico e raro, além das propriedades medicinais que lhe eram atribuídas. O marmelo era frequentemente oferecido como presente entre a nobreza e era um ingrediente muito apreciado na culinária refinada da época. Na medicina medieval, o marmelo era utilizado para tratar diversas doenças, principalmente problemas gastrointestinais. De acordo com crenças populares, o marmelo também tinha a capacidade de afastar doenças e energias negativas.
Geralmente associado à riqueza, prosperidade e boa sorte, muito valorizado tanto pela sua utilidade quanto pelo seu simbolismo. Servindo-me do marmelo como modelo espiritual, o marmelo simboliza a fertilidade e a vida eterna. Algumas culturas associam o marmelo à Deusa da Sabedoria e à Deusa da Fertilidade.
A primeira, filha de Zeus, Atena para os Gregos e Minerva para o Império Romano, protegia o saber aos poetas, a filósofos e arquitectos. Já Deméter, a deusa das terras férteis, da colheita em abundância, na agricultura e das estações do ano. Responsável por ensinar a humanidade a plantar o amor.
O marmelo é considerado um símbolo de amor, pela forma de coração com polpa macia e doce, inspirando a doçura do amor e a esperança no futuro profícuo e generosamente feliz. Desde sempre simbolo que frequentemente é usado em rituais e cerimônias de purificação nomeado como o símbolo da paz e harmonia.
Fruta de casca dura e sabor adstringente altamente valorizada pelos antigos gregos e romanos, que acreditavam que ela possuía propriedades medicinais e podia ser utilizada no tratamentos de diversos males. Além disso, o marmelo também era muito apreciado na culinária, muito utilizado para fazer compotas, geleias, chutneys e outros doces. Até hoje, o marmelo é conhecido por seu sabor único e pela versatilidade, sendo utilizado em receitas salgadas e doces em diversos países ao redor do mundo. Enquanto a maçã é mais suculenta e adocicada, o marmelo é mais duro e possui sabor adstringente.
Convido-vos a cozinhar a receita de marmelada portuguesa com o meu cunho pessoal;
Ingredientes:
- 2 kg de marmelos
- 650g de açúcar refinado
-cravinho
-pau de canela
-limão sem casca
-hibisco
-1 cálice de vinho doce
- Água
Modo de preparo:
Lave bem os marmelos, retire os caroços e corte em pedaços pequenos.
Coloque os pedaços de marmelo e todas as especiarias numa panela grande e adicione água suficiente para cobrir os pedaços. Cozinhe em fogo médio até os marmelos ficarem macios.
Quando os marmelos estiverem macios, retire do fogo e misture bem com uma colher de pau ou passe-os no liquidificador até obter um puré fino.
Pese o puré de marmelo e adicione a mesma quantidade de açúcar refinado e o limão sem casca e sem partes brancas..
Volte a misturar bem o puré de marmelo com o açúcar e leve ao fogo médio, mexendo sempre até levantar fervura.
Quando começar a ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar por mais 2 horas, mexendo de vez em quando, até a marmelada atingir o ponto firme.
Quando a marmelada atingir o ponto, retire do fogo e despeje em formas previamente untadas com spray de óleo, isento de sabor... Deixe arrefecer e depois corte em pedaços.
Se preferir, pode envolver a marmelada em açúcar ou secar ao sol, antes de servir.
A marmelada fica especialmente boa quando é feita com marmelos bem maduros e aromáticos. O processo de cozer o marmelo até obter um puré é um pouco demorado, mas é essencial para que a marmelada fique com uma textura suave e aveludada.
Os Mercados regionais
Reencontro gastronómico em família | AGOSTO 2023
A importância dos mercados e a cultura gastronómica variam por regiões devido à disponibilidade e ao acesso a diferentes ingredientes, clima, tradições culinárias locais e influências culturais. Na minha opinião e alguns exemplos de como os mercados e a cultura gastronómica mudam em diferentes partes do mundo:
Na América Latina assisti a mercados de rua frenéticos comuns nesta região, onde podemos encontrar frutas tropicais, legumes, pimentas, especiarias e carnes frescas de uma qualidade altíssima. A culinária deixa-se influenciar por legados indígenas, europeus e africanos, com pratos como ceviche, tacos, arepas, feijão e arroz, e guacamole. Delícias que se aplicam na cozinha profissional, mas tb na doméstica. Receituário que agrega o valor esquizofrénico do amor.
Por seu lado, a Ásia oferece corredores de mercados de rua onde se distingue uma parte fundamental da cena gastronómica asiática, com ingredientes e especiarias exóticas em exposição. Cada país é palco das suas próprias especialidades regionais, como o ramen japonês, os dim sums chineses, o pad thai tailandês e os curries indianos. A fusão mediática da alma com o olfacto. A renúncia ao corpo físico e o ganho espiritual inundados de cheiro e sabor.
Aqui, onde cresço em abundante fervor, na Europa: Com uma ampla variedade de cozinhas, a Europa conta com mercados que oferecem todas as variedades organicas e biológicas de queijos, chouriços, brindes do mar, vinhos e cervejas de alta qualidade. A culinária varia de país para país, com pratos desde a chanfana de cabra, franguinho da Guia, lampreia Basca, açordas, pizza italiana, croissants franceses, tapas espanholas, as cervejas Belgas e chucrute alemão. Entre tantos e tantos outros sabores a mar e terra que elevam país a país ao seu Ego gastronómico.
Porém em África, os mercados de rua são uma parte essencial da vida em muitos países africanos. As refeições são muitas vezes compartilhadas em volta de uma tigela, como com a injera da Ethopia ou o fufu da África Ocidental. Outros pratos notáveis são o bobotie da África do Sul, o cuscuz marroquino e o peixe grelhado com molho de amendoim da África Ocidental tudo excelente quando se junta à união humilde das gentes locais. Onde o sabor vai alcançar algo que partilhamos sem dar conta, o fraterno.
Chegamos então a América do Norte onde os mercados de agricultores são comuns nesta região, com uma grande variedade de frutas e legumes. A comida é influenciada por culturas de todo o mundo e pode ser encontrada em pratos icónicos como hambúrgueres, cachorros-quentes, churrascos, tortilla chips e poutine canadense.
Muito resumidamente, os mercados e a cultura gastronómica variam de região para região, com diferenças notáveis baseadas na diversidade disponível, tradições e influências culturais locais.
Centro-me agora em portugal e muito nas regiões por onde ando, dou conta que ao comprar em mercados regionais tenho acesso a produtos frescos e de qualidade diretamente dos produtores agrícolas e pecuária como também do mar/rio. Alegra-me que ao comprar diretamente apoio a economia local e incentivo práticas sustentáveis de produção e pesca.
Nestes mercados regionais, os produtores e pescadores geralmente oferecem produtos frescos que foram colhidos, pescados ou produzidos recentemente. Produtos estes que têm um sabor mais intenso e são mais saudáveis, já que não passaram por longos processos de armazenamento e transporte. Além de comprar direto aos produtores, sendo mais barato, já que não envolve intermediários.
Nos mercados podemos descobrir novos alimentos ou produtos que não estão disponíveis nos supermercados locais. Isso permite-nos experimentar novos sabores, conhecer melhor a culinária local e apoiar pequenos produtores dedicados e sobreviventes.
Portanto, ao comprar em mercados ,não só está só a garantir a frescura na sua mesa mas sabor, como também está a apoiar a economia local e incentivar as práticas sustentáveis de produção e pesca.
Em ambiente familiar decidimos por unanimidade viver os dias em comunhão com a produção local e comunidade dos locais, tal como fazemos em casa ou para o restaurante. A compra de peixes e exclusivos do mar provenientes da pesca de arte xávega em ambientes de férias pode ser uma experiência muito positiva. A arte xávega é uma técnica de pesca tradicional que é praticada em algumas regiões costeiras de Portugal, utilizando uma rede de arrasto operada por um conjunto de pescadores. Homens que devem ser brindados todos os dias.
Quero com isto realçar o consciente colectivo e promover a sustentabilidade tanto doméstica como profissional.
A pesca proveniente desta técnica de pesca tradicional, permite a apoiar a economia local e incentivar a preservação de práticas sustentáveis de pesca. A pesca de arte xávega é geralmente considerada uma técnica de pesca mais sustentável do que outros métodos, prática de pequenos grupos de pescadores locais, que capturam peixes e exclusivos do mar de forma mais seletiva e cuidadosa.
Afirmo que ao comprar peixes e exclusivos do mar da arte xávega em ambientes de férias pode ser uma maneira de experimentar novos sabores locais e frescos repondo o iodo em falha no grande percurso de concentração estudantil e carga laboral porque todos passamos no decorrer do ano. Os peixes e frutos do mar capturados por esta técnica de pesca geralmente são frescos e saborosos, capturados no próprio dia ou no dia anterior.
No entanto, ao comprar da arte xávega em ambientes de férias, é importante escolher fornecedores confiáveis e que observem as normas de segurança alimentar. Verifique se os produtos estão frescos e adequadamente refrigerados, e se o local de compra é licenciado e regulamentado pelas autoridades locais e de saúde. Os mercados camarários são extraordinários para nos mostrar as gentes e certificados.
Uma experiência positiva e agradável maneira de apoiar a economia local, incentivar práticas de pesca sustentáveis e experimentar novos sabores frescos. As férias de verão são a oportunidade para incluir gastronomia e criação de experiências e memórias em família. Uma maneira de fazer isso é experimentar novos sabores, visitar mercados e permitir que eles conversem com os vendedores e escolham o seu alimento. (A promoção do não neofóbico)
Além disso, envolver as crianças na preparação de refeições e na criação de novo receituário. Pode ser uma atividade divertida em família e que permite que as crianças aprendam mais sobre alimentos e culturas diferentes. Os desafios, geralmente, ensinam as crianças e representam autoconfiança, preparar pratos tradicionais ou tentar um prato novo que nunca experimentaram antes.
O fortalecimento de laços através da comida e das compras pode incentivar visitas às quintas organicas ou cooperativas locais para conhecer os produtores, o que nos leva aprender mais sobre a produção de alimentos e pesca. Desta forma ajudamos todos a manter um nicho de turismo mais sustentável e de formação coletiva. Ajudar a ensinar as crianças sobre a importância da sustentabilidade e do consumo consciente.
Divirtam-se entre as memórias do verão nas histórias do Inverno!
quinta-feira, 14 de setembro de 2023
ser feliz e desenhada por palavras de bloguers " contos alfacinhas"
Esta não é apenas uma viagem ao passado, é um desenrolar dos séculos até ao presente, feito com amor e respeito à terra e aos produtos da região, a maioria em produção biológica.
Mas vamos então à degustação. Começámos com uma mesa farta de entradas. O típico pão casqueiro, que continua a ser cozido no forno comunitário a partir da massa-mãe, sem fermento. A bica de azeite, amarela, espalmada, resultado da tradição judaica da região, emparelhada com uma taça de azeite aromatizado com anis em cima de uma tábua de madeira. Numa ardósia alinhavam-se um queijo de ovelha curado da terra, cremoso no ponto certo para comer à fatia, uma chouriça da Covilhã e um raminho de cenouras. As azeitonas temperadas eram gulosas e as cerejas frescas, uma surpresa nas entradas, ajudaram a abrir o apetite. Para além do palato, o bom gosto sobressaía na apresentação. “Os romanos idolatravam o belo” disse-nos Maria com um piscar de olho.

Nos pratos principais, que são servidos em frigideiras de ferro, com doses generosas para duas pessoas, começámos com o Pato Apício. Pernas tostadas, espetadas com um camarão inteiro e molho de garum. Numa outra frigideira, costeletas de cordeiro acompanhavam umas impressionantes migas micológicas. Sim, assim mesmo. Ainda que as costeletas estivessem óptimas, a estrela foram as migas, ricas em vários tipos de cogumelos, cremosas e pontuadas por espargos verdes crocantes. Era difícil acreditar que nada tinha sal, tal era a profusão de sabores de todos os pratos. Não foram só os portugueses que trouxeram especiarias do oriente. Muito antes, também os romanos sofriam influências do seu vasto império e das trocas comerciais. Essas influências chegaram também à cozinha e Apício era fã de ervas aromáticas e medicinais.

Para sobremesa, o Pudim Egitanea. À vista desarmada, parece um “simples” pudim flan. Mas a receita antiga esconde ingredientes especiais. O leite é de ovelha, está aromatizado com zimbro e é adoçado apenas com mel. Uma delícia.
Saímos do almoço em passeio pela aldeia com a arqueóloga Patrícia, já a rebolar de tanta comida. Mas há muito mais para provar. Codornizes à Romano, Pato Assado Visigótico, “Polypus” Confúcio foram alguns dos nomes que me saltaram à vista, na lista escrita na parede da sala. A lista de sopas tinha 11 entradas, que deixam vontade de voltar em dias de outono fresquinhos.
Por motivos pandémicos e para poder prever as quantidades, é preciso reservar mesa. Mas, por princípio, não se recusa comida a ninguém. Às vezes já estourados, em fins de tarde de muito movimento, ainda vão preparar qualquer coisa para viajantes desprevenidos. “Não sai daqui ninguém com fome”. Apesar de não ser da terra, nota-se em Maria o amor ao lugar onde escolheu vir viver com o marido, Rui Sousa, que trata da sala, e o filho. Diz no seu blog “Ao fim destes 5 anos de mudança saliento que todos os dias me considero mais Idanhense, mais Beirã, sem perder o rasto da minha identidade e ADN genético.(…) Tudo isto se passa como se de uma receita gastronómica se tratasse, agora aquece o azeite, agora esfria com o vinho e por fim degusta com pão. A Tríade perfeita. Eu sou desta terra.” "
quarta-feira, 13 de setembro de 2023
Neta do Mar
Maria Caldeira de Sousa
Chefe de cozinha Histórica
Dou por mim a analisar a vida de um pescador, esta pode variar muito, dependendo do local onde ele trabalha, do tipo de pesca que pratica e das circunstâncias individuais. Geralmente, a vida de um pescador é caracterizada por desafios, trabalho árduo e uma conexão profunda com o mar ou corpos de água onde a pesca é realizada.
O dia a dia de um pescador começa cedo, antes do amanhecer. A rotina na preparação de seus equipamentos, verificação do clima e as condições do mar até se deixarem levar pelos seus barcos de pesca. O dia de trabalho é longo, muitas vezes de "sol a sol" , dependendo da quantidade de peixes que pretendem. Durante a jornada, os pescadores lançam redes, armadilhas ou linhas de pesca e esperam pacientemente pelos peixes. Tarefa que se repete inúmeras vezes ao longo da semana, assim como na demanda e nas oportunidades de pesca.
As histórias que me lembro de serem contadas sobre os pescadores [bisavós, avós, tios e primos] reportam às condições de trabalho difíceis e perigosas.Enfrentam o mau tempo, ondas fortes, temperaturas extremas, períodos prolongados de isolamento e desgaste físico. Além disso, a pesca é uma atividade sazonal, e resiliência destes homens vulneráveis às mudanças de sazonalidade e migração de peixes para continuação do sucesso em suas pescarias e nas nossas mesas.
Diferentes métodos de pesca, dependendo do tipo de peixe, incluem a pesca com rede, pesca com anzol e linha, pesca com armadilhas ou gaiolas, e pesca com redes de arrasto. Cada método de pesca requer habilidades específicas e conhecimentos sobre o comportamento dos peixes, o ecossistema marinho e as regulamentações de pesca.
Em muitas comunidades costeiras, a pesca é uma parte essencial da identidade cultural e económica. Os pescadores frequentemente seguem tradições transmitidas ao longo de gerações, e a pesca desempenha um papel importante na culinária local e nas festividades. Além disso, muitos pescadores têm um profundo respeito pelo meio ambiente e estão envolvidos em esforços de conservação para garantir a sustentabilidade dos recursos pesqueiros.
A vida destas gentes de mar pode ser desafiadora em diversos aspectos. Além das condições adversas, os pescadores enfrentam incertezas quanto à captura, flutuações de preços, regulamentações políticas e concorrência. No entanto, a pesca também pode ser uma ocupação gratificante. A sensação de liberdade e conexão com a natureza.
Receituário tradicional piscatório de Vagos
Chora - (o caldo do povo a chorar o mar)
1 cebola
1 dente alho
1 folha de louro
1 cravinho
Azeite
Pimento vermelho
1 colherinha de Colorau
1 malagueta piri-piri
Coentros
Ventrechas do melhor peixe que não se vendeu
Berbigão
1/2 copinho de vinho branco
Água 2 copos
Massa milaneza cotovelo grosso
Sal
Refogue a cebola picadinha em azeite, junte-lhe os restantes ingredientes, deixe apurar, coloque o pescado e o berbigão e o 1/2 copinho de vinho, acrescente água e cozinhe por 5 minutos. Retire o peixe, o berbigão e reserve. Coloque a massa, deixe cozer. Recoloque o peixe e o berbigão, embeleze com coentros e sirva quente.
Eu neta de gentes de Mar [Peniche], largo aqui as memórias do meu registo genético noutros litorais.
Agosto 2023
sábado, 9 de setembro de 2023
Papas de carolo - Beira interior
O milho é um dos alimentos mais consumidos e cultivados em todo o mundo. É uma planta gramínea originária da América Central e foi domesticada há milhares de anos pelos povos indígenas. Existem várias variedades de milho, cada uma com suas próprias características e usos culinários.
Aparece-nos este grão pelos descobrimentos, no final do século XV, por meio dos espanhóis que trouxeram diversas variedades de milho da América do Sul e Central. O milho rapidamente se tornou um alimento popular na Europa e espalha-se por todo o continente, como cultivo em diversas regiões. Hoje, o milho é um dos bagos mais importantes do mundo e é amplamente cultivado em todos os continentes.
O milho é apreciado por seu sabor doce e textura macia. Pode ser consumido de várias maneiras diferentes. Um modo popular de preparar é cozinhá-lo e servi-lo como uma espiga, muitas vezes com manteiga derretida e temperos. O milho também é usado como ingrediente em diversas receitas, como saladas, sopas, tortilhas, tacos, pães e bolos.
Além de ser delicioso, o milho também é uma fonte de nutrientes importantes. É rico em fibras, vitaminas (como vitamina A, vitamina B e vitamina C) e minerais (como magnésio e potássio). Esses nutrientes são essenciais para a saúde geral do corpo, ajudando no funcionamento adequado do sistema digestivo, fortalecimento do sistema imunológico e manutenção da saúde ocular.
O milho pode ser encontrado fresco, enlatado ou congelado em supermercados durante todo o ano. Ao escolher o milho fresco, escolha as espigas com casca brilhante e grãos firmes e suculentos. Evite espigas com casca murcha ou grãos descoloridos.
Em modo geral, o milho é um alimento versátil, saboroso e nutritivo que pode ser desfrutado de várias formas. Experimente diferentes receitas e descubra as várias maneiras de aproveitar o sabor e os benefícios do milho na sua alimentação.
Em Portugal, na região da Beira Interior, o milho geralmente aparece durante a época do verão e outono, é nesta altura que começo a servir aos meus comensais. As sementes de milho são plantadas na primavera e, ao longo dos meses seguintes, as espigas vão crescendo até estarem prontas para serem colhidas.
O momento exato em que o milho está pronto para ser colhido pode variar um pouco, pois depende do tipo de milho plantado e das condições climáticas. No entanto, geralmente, as espigas de milho estão maduras e prontas para a colheita entre os meses de agosto e outubro.
Depois de colhido, o milho pode ser utilizado de diversas formas na culinária portuguesa, como na preparação de broa de milho, canjica, cuscuz,milhos doces ou salgados, assinalado como uma iguaria típica de cada região.
A papa de carolo é bem reconhecida no nosso território é uma preparação tradicional feita com o carolo de milho, que são os grãos inteiros que ficam presos na espiga após retirar os grãos. É uma receita bastante comum, é considerada uma iguaria por seu sabor único.
Considero muito especial a papa de carolo, vamos precisar dos seguintes ingredientes para a construir sob o meu cunho pessoal:
- Carolo de 4-5 espigas de milho (pode optar por farinha moida seŕa uma chávena)
- Água/ leite de coco
-especiarias várias
-amêndoas, passas
- 2 gemas de ovo
- Sal (opcional)
- Açúcar /mel(opcional)
Aqui está o passo a passo para preparar a papa de carolo:
1. Lave bem as espigas de milho e remova os grãos, separando-os dos carolos. Você pode usar um descaroçador de milho ou simplesmente cortar os grãos com uma faca.
2. Coloque os carolos em uma panela e cubra com água suficiente para cobri-los completamente.
3. Leve a panela ao fogo médio-alto e deixe ferver. Em seguida, diminua o fogo para médio-baixo e deixe cozinhar os carolos por cerca de 30-40 minutos, mexendo ocasionalmente. O tempo de cozimento pode variar, então verifique se os carolos estão macios o suficiente.
4. Quando os carolos estiverem macios, desligue o fogo e deixe a mistura esfriar um pouco.
5. Com o auxílio de um liquidificador ou robot de cozinha, bata os carolos cozidos com um pouco da água da cozedura até obter uma consistência cremosa. Adicione o leite de coco ,e as especiarias (cardamomo; anis; poejo e baunilha) se necessário, para atingir a consistência desejada.
6. Se desejar, adicione açúcar ou mel e a canela a gosto para adoçar a papa de carolo.
7. Transfira a papa de carolo para uma tigela ou prato de servir e está pronta para ser saboreada!
A papa de carolo pode ser consumida quente ou fria, como uma sobremesa ou lanche. É uma ótima opção para aproveitar integralmente o milho e experimentar um sabor diferente e reconfortante. Espero que goste desta delícia beira com toque dos Navegadores♡!
[Foto tirada da net]
sexta-feira, 8 de setembro de 2023
Cópia de receituário
"Ninguém sabe quem sou eu
[...]Na imitação da vida
Ninguém me vai superar"
A cópia de trabalhos ou projetos de outras pessoas sem permissão é uma violação dos direitos autorais e da ética profissional. Além disso, os chefes de cozinha dedicam tempo e esforço para desenvolver suas próprias criações culinárias, ou forma de gestão dos seus espaços e é importante respeitar sua propriedade intelectual. Para quem está interessado em seguir uma carreira na culinária, ou de gestão é de recomendar que desenvolva as próprias habilidades culinárias, que experimente diferentes ingredientes e técnicas, e crie as próprias receitas, a singularidade faz de si único.
Sócrates -a verdadeA originalidade e a criatividade são valores na gastronomia, e os chefes de cozinha são reconhecidos pela capacidade de inovar e trazer novos sabores e conceitos para a culinária. Quando se mostra interessado em aprender com chefes de cozinha renomados, existem várias opções disponíveis, como participar de cursos de culinária, assistir a programas de culinária na televisão, ler livros de receitas [o que mais gosto] ou até mesmo fazer estágios em restaurantes ou mesmo com a Associação de cozinheiros. Essas experiências podem ajudar a desenvolver habilidades e conhecimentos culinários com ética e respeitosa. Acrescente sempre à sua receita ou prato, a inspiração ou a fonte que utilizou garantidamente é um ponto positivo para quem degustar.
O respeito pelo trabalho de outros não deve ser tido como falta de moda. Mas sim a valorização de nós mesmos.
Chefe Maria Caldeira de Sousa
Agosto 2023
quinta-feira, 7 de setembro de 2023
Ervas Apicianas II
Embora Apício fosse um excêntrico cozinheiro de alta gastronomia, a sua preocupação era ter a melhor qualidade, marcar a diferença com os melhores produtos. Os ataques frequentes e repulsa a Apício, deviam-se à forma de cozinha refinada e original, fora do regime “VEGETARIANO” que na época se vivia.
Entramos na ala da magia sagrada, onde umas pequenas gotas de azeite se perfumam com ervas e flores, onde se constrói os tónicos da saúde e do bem estar, foi aqui que Apício desenvolveu, digestivos, xaropes e tónicos.
Deixando o legado em escritos de Latim.
-Arruda (Ruta graveolens) é uma planta da família das Rutáceas. Também é denominada arruda-fedida, arruda-doméstica, arruda-dos-jardins, ruta-de-cheiro-forte.
Arbusto de folhas, fortemente aromáticas, não cresce muito, um metro aproximadamente, de ramo lenhoso, ramificado desde a base. As folhas são alternas carnudas, de até 15 cm de comprimento. As flores são pequenas e amareladas.Aumenta a resistência dos vasos capilares e estimula as fibras musculares, indicada especialmente no reumatismo, nevralgia, verminoses e problemas respiratórios (a sua inalação abre os brônquios).
A medicina popular indica-a nos casos de supressão da menstruação, possui efeitos abortivos, por causar fortes contrações uterinas que, por sua vez, podem provocar graves hemorragias, aborto e até a morte da mulher. Suas folhas são utilizadas como chá com fins calmantes. Na forma de infusão (20 gramas para um litro de água), ou empregando-se as folhas secas em pó, combate os piolhos. Segundo consta na antiga Grécia, era usada para afastar doenças contagiosas.
A forma de cultivo para a Arruda é simples, pode ser plantada utilizando as sementes colhidas e por estaca.
-Coentro (coriandrum sativum) originário de uma área entre baixo mediterrâneo e o Cáucaso, também conhecidos por salsa árabe. Encontrados nas tumbas dos egípcios. Foram usados por Gregos e Romanos da Antiguidade nas suas comidas e bebidas. Têm como qualidades alimentares,estimular apetite; digestivo, carminativo.O coentro é antiséptico, antifúngico e anti putrefactivo, calmante hipotensivo, promotor do aumento das glândulas mamárias, estimulador da audição. Contém Vitamina C e Vitamina E.
Neutralizante do odor do alho.
Na sua forma de cultivo deve-se colocar a Semente, em lugar definitivo desde meados da Primavera, quer sol.
-Endro (Anethum graveolens), originários do Oriente (Índia e Irão). É uma planta anual, com grande popularidade na Noruega, Suécia e Dinamarca. Possui essências carvone e limoneno
Neutralizante de peixe e carne
Favorece o apetite
Previne anorexia
Previne diarreias e vómitos
Hemorróidas; Reumatismo
Previne a insuficiência de secreção láctea
Previne infecções urinárias (banho de tisana)
Ervas Apicianas I

“ Na verdade o homem não é só o que come, mas também a maneira como come.” - Inês de Ornellas e Castro in “O livro de cozinha de Apício”
A dieta, na Antiguidade era fundamentada por vida saudável, cura e exercício frequentes, descansos, purgas e banhos regulares. A medicina antiga prevenia e preservava a saúde na dieta, então, tinha a função de restaurar o equilíbrio, ou impedir, que algo quebrasse a harmonia.
Conduzo-vos agora para umas das ervas e especiarias que se encontram entre 30 receitas de Apício, que se manifestam com a medicina antiga na preparação culinária, dando-nos indicações da terapêutica, como por exemplo o “oxygarum digestibilem”:
“XXXII – “Digestivo Xarope” 2 onças de cominho, 1 onça de gengibre, 1 onça de Arruda fresca, 6 escrópulos de bicarbonato de sódio, 12 escrópulos de tâmaras grandes, 1 onça de pimenta, 9 onças de mel. Mergulhe em vinagre os cominhos da Etiópia da Síria ou da Líbia, seque-os muito bem e esmague-os assim. Depois ligue-os com mel. Quando precisar use com garum de vinagre.”
O mundo das ervas de Apício era vasto e mencionava inúmeras. Como exemplo, duas que descrevo de seguida:
Cominhos
Gengibre
Os cominhos (comminum cyminum) conhecidos como falsa anis, são originários do Turquestão ou Turquistão, região geográfica da Ásia Central. O seu gosto e o seu perfume lembram a alcaravia (cominho romano). Segundo Jean Claude Rodet, no seu Livro “Verts Médicinales des Plantes Aromátiques (Rodet, 2012: 69), os hebreus usaram esta especiaria para pagar o dízimo. Os servos Ingleses medievais, para resgatar a sua servidão. Já os Egípcios usavam-no como pimenta e colocavam na tumba dos seus defuntos. O cominho também muito apreciado pelos romanos, era uma das especiarias mais usada nas receitas de Apício.
Os cominhos estão associados à lealdade.
Contêm óleos essenciais, os flavonóides, favorece a menstruação, aromatizante,aperitivo,digestivo,carminativo,anti-coagulante sanguíneo, redutor de plaquetas no sangue.
Gengibre (gengiber, eris) - Uma espécie anciã, especiaria tropical, sem se conhecer muito bem a sua origem, Malásia/Índia/China, contudo bem conhecida por Gregos e Romanos. Não só Apício a utilizou, mas também Plínio, o Velho (23 dc a 79 dc), um naturalista romano, e Pedânio Dioscórides, um autor greco-romano, fundador da farmacologia. A obra deste último “De matéria médica”, foi a principal fonte de informação sobre drogas medicinais desde o século I até ao século XVIII. O gengibre era muito comum nas mesas aristocráticas da idade média. Considerado como o indivíduo mais importante e influente na formação da história humana, Confúcio (551 a.C a 479 a.C), mencionava que gengibre estimula a eliminação de toxinas da carne e evitava a putrefação intestinal. O gengibre carrega 40 tipos diferentes de antioxidantes.
Existem duas espécies de gengibre:
- O cinzento, proveniente das Índias: odor forte e picante (gingérol)
- O branco, proveniente da Jamaica: sabor superior, quase que queima.
Enorme fonte de magnésio (Mn), atua como coo-fator para várias enzimas que facilitam uma dúzia de processos metabólicos diferentes, participa na prevenção de danos causados por radicais livres. Conhecido também como fonte de Cobre (Cu), necessário à formação de hemoglobina e colagénio (ótimo cicatrizante), analgésico, anti diarréico, anti infeccioso e por fim afrodisíaco.
Plantação autónoma, em vaso ou na terra e de multiplicação rápida. 9 a 10 meses de crescimento.
domingo, 3 de setembro de 2023
Toalhas de mesa - ambição ou despojo
A ler no Jornal Reconquista | Castelo Branco
https://www.reconquista.pt/articles/leitores-toalhas-de-mesa---ambicao-ou-despojo-







