quinta-feira, 4 de maio de 2023

Erotismo à mesa

 Os comensais habituados às virtudes da minha mesa, sabem que nada fica por mencionar. 

O gengibre é um dos meus ingredientes secretos, estimula a circulação e realça todos os sabores em qualquer prato mais exótico.

Este rizoma sempre foi muito utilizado para tratar disfunção eréctil; existem registo escritos que Luís XV misturava na sua gemada gengibre para incrementar os seus propósitos á luxúria.

A perdiz exótica vem sendo um dos pratos mais preparados por mim. A tiborna de perdiz é tão idanhense como eu, rega a espiritualidade local em prazeres dilacerantes. Esta carne selvagem envolta em sumo de laranja, gengibre e mel, seduz o passado na contemporaneidade. Perfeitas 250g de carne, seladas no quente do ferro e o ouro do lagar. Massajar a pequena perdiz numa massa de alho fresco e sal, depois de selada, (não se deve queimar o alho). Fresco e descascado, entra o gengibre para aromatizar em pequenas lascas, o louro e a malagueta, deixo cozinhar um pouco, num acto singular rego com sumo de uma laranja com mel e deixo estufar, salsa quanto baste e 5mn em lume. Passe o pão por azeite e aqueça-o na sauté para que fique louro,  sirva a perdiz em tiborna. 

E assim ofereço a minha inspiração gastronómica aos prazeres da comensalidade. 


Divirtam-se!



quarta-feira, 3 de maio de 2023

Especialistas em Idanha

Eles não seguiram o pin drop que lhe havia enviado. 

Pararam num dos sítios públicos, perto da rua onde iriam almoçar o repasto que se preparará. A funcionária do espaço, prontamente afirma que Eu não existo... 

Toca o meu telefone, e ouve-se a conversa.

Passaros esvoaçantes e incrédulos da minha existência.

Havia preparado um excelente centro de interpretação regional, daqueles que só o palato consegue definir qual o caminho certo a tomar.

Os comensais entraram e rejuvenesceram dentro deste humilde canto, fazia-se ouvir os estalidos do pão de centeio que ainda fumegava, na envergonhada trufa que dançava na nata salgada e batida. O mel com pó de carvalho esse escorria num leito fermentado de cabra e ovelha salpicado de noz... tudo se compunha agora sentados na longa mesa de castanho. 

A toalha de linho mostrava o imaculado momento, a música de fundo alegrava os corações, dos que estavam e dos que chegaram. 

O aroma do fumeiro, que se fazia mostrar entre a batata era porco, criado pela mão dos de cá, um luxo.

A ementa prometia, os comensais bebiam alegres a reserva do nectar beirão, estrondosamente as nuances dos frutos vermelhos sobressaiam às especiarias deslizando num aveludado persistente.

Num caldo uniforme e quente afastado de grande gala e abundância iniciavam os convivas o parco repasto.

"Este Rei todos os dias, festeja a companhia Lusitana, com banquetes , manjares desuados, com fruta, aves, carnes e pescados." 

Dizendo a cozinheira em tom de poeta, interpelando os sons de bom comer.


domingo, 16 de outubro de 2022

O Pão, o sustento/ável

Quando a tua rotina diária não deixa de ser a mesma, mesmo quando isto está mau! 

Como alguém escreveu e bem... ( com imensa humildade)

"... a experiência vivencial do seu património. A abordagem inovadora de Maria Caldeira de Sousa ao legado culinário da Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha constitui uma proposta estruturada e de futuro."



O Pão, o sustento/ável.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

le cock Bloody Mary

... entendes o valor da gastronomia.

Chovia lá fora, e naquela cozinha também. 

A angústia do espaço obsoleto fazia-se sentir pela água que molhava o fogão, ainda assim não desistia. Podia descrever o tamanho do desespero mas não é por aí que o caminho vai.

Pensava que ia entrar alguém com fome, alguém que correra as estradas para ali entrar. Confesso que a preocupação era enorme, acreditar para continuar era o lema.

Entra o guardião e diz;  "querem ver-te, vêm para te ver."

Cumprimentos a desconhecidos que me tratavam com 2100 anos de reconhecimento. Espreitava o galo, recebido por oferta, que depenei e arranjei. A cabidela foi entregue a mesa a gritar de quente e envinagrada que baste. Lambem os dedos, fotografam a frigideira, num canto que pertence ao Mundo.


1 Galo do campo 

2 cebola

2 dentes de alho

1 cabecinha de cravinho

1 folha de louro

1 colher de carqueja 

1 malagueta

vinagre qb

vinho branco

sangue do galo com sal

arroz carolino Bom Sucesso 

azeite e 1 colherinha de banha

Caldo de galinha (aproveitamento )

...

Alegres comensais que de barriga cheia vão contentes.

A história que era dita, pertença de professores,  estudos escritos e investigados, a horas a entender as peças registadas de arqueologia, hortas, e a comunidade. 

Os repastos baseiam-se sempre na cultura, no conhecimento e nas leituras. Já os sabores, ah, os sabores, esses são feitos com a alma, a minha alma, a ternura dos meus sonhos, o respeito e o amor.

Ali ficou o sabor do meu tamanho e não o reconhecimento, mas terei sempre o privilégio de o ter feito.

"Já eu vi o taverneiro vender vaca por carneiro, mas não vi por vida a minha vender vaca por galinha..." 

Lá fora ouvem-se os escarros de gente miúda, e a mal dizencia, não entendem a dimensão se não o viveram. Esquecemos o prometido pois não temos mais nada para oferecer.


segunda-feira, 11 de abril de 2022

Ode à Páscoa

 Ode á Pascoa Raina IDANHA-A-NOVA


Dia da sua ressurreição que ocorreu três dias após a crucificação do nosso Senhor Jesus Cristo, em Israel sobre o domínio do Império Romano, segue até hoje com uma tradicional fé cristã em Idanha a Nova, situada na Beira Interior Sul, uma extensão de território vincado por relevos suaves e montados densos de Carvalhais, Azinheiras e Olivais, lugar cheio de riqueza em história e tradição.



Na Vida seja ela como de direito for.




No perdão máximo daquilo de belo que representa o puríssimo amor.

Na ressurreição de Jesus Cristo Nosso Senhor, e  sua aparição aos seus testemunhos como motivador [influencer nos dias de hoje :) ].

Surge a Páscoa festiva a celebrar este acontecimento 

Toquem os sinos, os Adufes e Chocalhos por este tão grande Amor!

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Ser mulher

 Porque gosto de ser mulher? Existe história para me certificar como tal, existe não só o genero mas a actitude.  

Os meus dias passam agarrada ao fogão, mil e uma dúvidas, mil e uma palavra investigada. Deixo de ouvir o barulho daqui e dali e foco no sabor... Mas as dúvidas só logo desaparecem. Quando as FONTES são lidas.

Penso nas Mulheres - Uma longa história. Que vale a pena aproveitar contar, o papel da mulher na sociedade humana da Antiguidade, porque os tempos actuais já  todos sabemos. 


Dizem os historiadores [ como sabem o carinho que tenho por gregos e romanos], sistemas matriarcais podem ter existido na Idade do Bronze (cerca de 3000 a.C. a 700 a.C.), em Micenas ou Creta. Porém nas antigas sociedades mediterrâneas mais conhecidas, como a da Grécia clássica (séculos 5 e 4 a.C.) ou as do período helenístico (séculos 3 a 1 a.C.), a mulher sem condição legal e sem direitos políticos.

Não seria uma situação generalizada: em algumas cidades (pólis) gregas ou do Egito, o sexo feminino tinha certos direitos de propriedade ou de igualdade legal. Em geral, porém, a mulher dependia do pai e do marido e sua ação restringia o âmbito da casa. Os casamentos eram combinados entre o noivo, ou o pai deste, e o pai da noiva. As viúvas e seus bens passavam para os cuidados do parente mais próximo na linha de sucessão e estes, se quisessem, podiam tomá-las como esposas.


De Aspásia a Lívia

Por outro lado, convém lembrar que a história e a literatura não deixam de registrar exceções ilustres. Aspásia, esposa do estadista democrático ateniense Péricles (séc. 5 a.C.), celebrizou-se como mulher de cultura, respeitada no círculo filosófico de Sócrates. Além disso, a comédia "Lisístrata", de Aristófanes - da qual existe uma excelente adaptação de Millôr Fernandes -, retrata as mulheres de Atenas num papel paradoxalmente ativo.

Para acabar a guerra contra Esparta, Lisístrata comanda uma greve de sexo, que - pondo os homens diante do dilema combater ou fornicar- obriga os atenienses a pôr fim às hostilidades. Falamos de ficção, sem dúvida, mas que elogia a sensatez das mulheres e sugere que elas, melhor do que os homens, poderiam coordenar as questões políticas da humanidade.

Trás os montes elegeu a sua 1a autarca com uma vitória absoluta... parabéns Helena Barril, que independentemente do partido político seja um sucesso de mandato. 


sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Gastronomia, o outro sentido

                                                                                                             


Maria José Caldeira De Sousa -Empresária e Cozinheira 
Mestranda em Alimentação: Fontes, Cultura e Sociedade (em tese pela UC ) 



(imagem tirada da net)


Gastronomia, a ciência confere-lhe a História da cultura cheia de espírito aventureiro em estudo de Alimentação, Património e Fontes.[no meu exemplo Mestrado faculdade Letras UC.] A descoberta de investigadores que incentivam os prazeres da comida com as suas opiniões interessantes e conselhos apetitosos... Uma História deve forçosamente diferenciar outras histórias, no seu todo, os registros sociais e o resgate das crônicas de vivência cujo chão esconde e se deixa procurar através da “Arqueologia”. Assim é a gastronomia, recuperar a saciedade e os sabores entre mundos distantes. Revelando os seus resultados sob uma perspectiva pessoal, e imbuídos da carga emocional e racional que lhes é intrínseca. Gastronomia não é a formação de cozinheiros Chefes, mas sim a união do bardo, do Ovate tornados em Druidas na Cozinha. A junção destas ciências nada têm de contemporânea, assim, e de acordo com a minha história pessoal e profissional, vive na narrativa etnoantropológica em torno do legado alimentar, construção culinária e a sua dieta. A Matriz.

 "A diferenciação é importante, mas mais cedo ou mais tarde as suas inovações podem ser copiadas pela concorrência'' 

A chave é o plano de diferenciação e simplista. "É impossível copiar coisas únicas” Ramos,Mario. Assim é fundamental realizar esta investigação de forma a verificar o nível de longevidade, crescimento e replicação do receituário deixando escritos, perpetuando a gastronomia criando receituário culinário. Cada garfada eleva a memória do sabor e nos registo mais ancestrais do nosso corpo, gastronomia é o ADN genético, memes que não se separam de registos familiares e comunitários. A história da humanidade. Estas memórias percorrem em fontes o tempo e a vida da humanidade.

 “Quando se fala na alimentação e no papel que desempenhou na História, sobressai a sua inesgotável contribuição para o despoletar das principais fases de evolução das sociedades, numa interdependência dinâmica com as vertentes social, política e cultural lhes são inerentes.” Grenha,P

Gastronomia na lonjura da cultura alimentar. O património da humanidade.


[Resumo escrito por mim e para mim, entre fogão e telefone na data 21/05/2021 ás 23H  a pedido de alguém especial no mundo da alimentação, mas que não foi usado, nem será. ]


domingo, 9 de maio de 2021

DONA CATARINA DE BRAGANÇA – A RAINHA QUE IMPLANTOU O CHÁ NA CORTE INGLESA

 DONA CATARINA DE BRAGANÇA – A RAINHA QUE IMPLANTOU O CHÁ NA CORTE INGLESA.


"Dona Catarina de Bragança 1638-1705, era filha do rei dom João IV de Portugal e da rainha dona Luísa de Gusmão, portanto, era irmã do rei dom Pedro II.

Seu pai era o duque de Bragança, cujo as cortes tinham convidado a aceitar o trono português que estava sob domínio da casa dos Habsburgos. Dom João IV aceitou a coroa sob uma guerra de independência. Após sair vitorioso dom João falece alguns anos depois, e foi a rainha regente, dona Luísa de Gusmão que teve a ideia de casar sua filha dona Catarina com o rei da Inglaterra, Carlos II.

O casamento acontece 1662 e ela parte para a corte inglesa, uma rainha católica numa corte protestante. A vida de dona Catarina não foi fácil. Ela introduziu o chá na corte inglesa, substituiu a louça de prata por porcelana. Após ficar viúva em 1685, retornando a Portugal anos depois para em sua terra natal falecer em 31 de dezembro de 1705.


Edmund Waller, um poeta popular na época, até escreveu uma ode de aniversário para a rainha logo após sua chegada, o que ligou para sempre a rainha e Portugal com a moda do chá na Inglaterra. Ele escreveu:


"A melhor das rainhas e a melhor das ervas, nós devemos Àquela importante nação, pela forma como eles mostraram. À justa região onde o sol se põe, Cujas ricas produções nós valorizamos justamente".


Além do chá é também atribuído a dona Catarina a introdução do uso da porcelana na corte inglesa. Foi rainha consorte da Inglaterra por ter casado com Carlos II. Nunca tiveram filhos."

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Ensopado de borrego - Idanha-a-Nova

 Piedade, piedade popular

Os cantos alimentam a alma como se de alimentos se tratasse. Nestas terras entranhadas estão as primitivas religiões, de longe nos séculos, que se fazem perdurar nas vozes das mulheres.

Os nossos antepassados rogavam as almas pela germinação e fecundação das suas sementes, terminado o Inverno. Cultos pagãos que nos fazem viajar na história. A Alta Idade Média oferece-nos a tradição dos dias de hoje, onde o culto aos mortos é celebrado pedindo a intercessão de Deus a favor das almas sujeitas a penas do purgatório, de forma a alcançarem o céu. 

A encomendação das almas é um dos cantos de piedade popular, genuíno e português, e segundo Catana (2005) não conhecemos nenhum outro povo que o cante.

Durante a Quaresma, altura do renascer das plantas, pequenos grupos de homens e mulheres do mundo rural unem-se e continuam  no alto das povoações da Raia Beirã a dar vida aos cantos de piedade, a “Encomendação (Amentar) as almas”.

Mesmo que outrora tenham migrado para Lisboa ou outras localidades em busca de pão, a população quando volta reata com desejo a tradição e mantém o canto popular acordado desde a Idade Média. Às sextas-feiras da Quaresma, até mesmo na Semana Santa a Encomendação sai às ruas, quebrando o silêncio da noite, para que possa ser ouvido nas dezasseis freguesias do concelho.

A piedade soa em vozes de mulheres entre o som do sino, tornando inquieto o sono da aldeia. Uma emoção que sufoca de amor a alma e o coração e “Ele” escuta-as lá no alto, e ao mistério, para afastar o medo. Hoje chamam-lhe Eco.

                                       

                      Fig 6 - Encomendação das almas Ladoeiro (registo pessoal).

Na Páscoa, revivendo a mensagem de “Desejo e Perfume- Folar de Idanha a Nova ” deste blogue, mata-se o borrego, tradição que vem de longe, dos costumes religiosos assentes no cristianismo e no judaísmo, sendo o animal o símbolo da libertação. Ainda nos dias de hoje, como refere Longo (2013), a Rota da Pastorícia centrada nesta região tem grande importância em Idanha a Nova.


Ensopado de borrego - Limpe o borrego de gorduras e corte-o em pedaços. Faça um refogado com cebola, alhos picados e 2 dl de azeite. Deixe bringir um pouco e adicione o tomate pelado  picado, o colorau, as folhas de louro, o piri-piri e a carne. Envolva tudo, regue com o vinho tinto e com o branco e tempere com sal a gosto. Tape o tacho e deixe cozinhar durante uma a duas horas, dependendo do tamanho (idade) do borrego.

O amor partilhado têm mais amor!

Trabalho académico Mestrado Historia da Alimentação- Gastronomia Maria Caldeira de Sousa  U. Coimbra 2019/2020











Folar De Idanha a Nova (Proença a Velha)

         Desejo e perfume

  • Naquele primeiro dia da semana, Elas acordaram cedo. Andavam apressadas e tristes, batiam no peito e lamentavam, as filhas de Jerusalém. Choravam por elas e pelos seus filhos, a pedido de Jesus (Lucas: 23,28). Levavam perfumes com mãos pesadas, Elas estavam presentes na morte de Jesus (Lucas: 23,49) impotentes e persistentes até ao fim, viram de longe a morte e sua declaração de fim. Acompanharam o corpo sepultado na véspera do sábado, viram o túmulo e o corpo silenciado viram de longe a morte e sua pedra declarando o fim.

     S. Lucas escreve e insiste em descobrir naquelas mulheres um motivo, um desejo, uma vontade de não deixar a morte dizer a última palavra (Lucas: 8). Elas prepararam perfumes com especiarias e unguentos para o corpo morto de Jesus (Lucas: 23,56). Guardaram o sábado, repousando! Nas mãos os cheiros, nos olhos a paisagem de morte e dor. O óleo perfumado era uma tradição, algo que era costume fazer com o corpo morto, como a última homenagem.   

             

  • Fig 1 e 2 Lamentação sobre o Cristo Morto (pintor italiano Andrea Mantegna, in Pinterest.PT).

    A pedra mostra-nos a expressão da vitória dos poderosos que, mais uma vez, perseguiram, torturaram e venceram a utopia dos pobres. E lá estava a pedra, plena de gravidade e de absolutos fins. Elas sabiam que teriam de enfrentar a pedra e sua arrogância.  Era maior que Elas, era pesada e difícil para ser afastada, imagino.

    Numa Tríade entre S.Lucas, S.Mateus e S.Marcos, compreende-se que a pedra foi afastada não por Elas, mas por algo bem mais profundo. S.Mateus vai registar um grande terremoto e associá-lo a um anjo do Senhor, que remove a pedra e se senta sobre ela enquanto conversa com as mulheres (Mateus: 28,1,2,3; Marcos: 16, 4 e 5).

    Com a pedra removida o processo não está terminado. Elas terão que interpretar, procurar sinais, conclusões de leitura que ajudassem a entender o inesperado. As figuras de anjos vão ter este papel tal qual como na anunciação do nascimento de Jesus para Maria (Lucas: 1). Foi assim à luz do evangelho.

    O inesperado exige das mulheres uma espiritualidade profunda de acreditar para além do possível. Olhos de ver o novo. Ouvidos de ouvir o que vem. A envolvência com todo o corpo, o perfume que traziam as mulheres deixavam as narinas atentas e sensíveis. A pedra removida e as aparições enchem os olhos das mulheres de enigmas, que elas interpretam como acontecimentos e entendem a sequência, assim como a gestão  dos conflitos e resiliência que nós hoje sabemos administrar. É madrugada e nós mulheres ao redor do mundo continuamos a acordar cedo, preparando perfumes.


    Unindo num alguidar de barro, [já bem usado era este que os meus olhos viram, pena não ter fotos, pois fiquei sem bateria nesta pequena viagem que fiz para entrega de take aways] (farinha, açúcar, fermento e a canela). Trabalhando sempre com as mãos misturei muito bem, o cheiro a canela fazia-se notar no branco imaculado como se de pequenos pedaços de dor se acalmassem. Formei nesta mistura um vulcãozinho. Juntei-lhes os ovos, o sumo da laranja de Idanha (tão docinhas que roubei no quintal dos meus vizinhos...), o azeite e a água ardente. Amassei com a alma a pensar na festa que vamos celebrar, senti que a massa se fundiu numa só quando não colava as minhas mãos, era hora de a deixar repousar... Os mais antigos usavam o alguidar dentro de outros com água a ferver e embrulhavam um pano (linho os mais ricos) e duas mantas para abafar e levedar. Deixei por 12 horas, mas antes de me deitar tirei o alguidar da água, senti que não era preciso, afinal estava um calorzinho de primavera, ontem. Finta a minha massa, dividi-os, fiz 3 folares e com a ponta de uma faca molhada fiz um corte na massa. Coloquei-os no forno a 200ºc. Brunindo-os com açúcar batido com clara e um pinguinho de azeite a meia da cozedora. Baixei um pouco a temperatura e foram cozer novamente.  Tornaram-se lustrosos os meus folares. 

Divirtam-se e Páscoa Feliz  <3 

Trabalho académico Mestrado Gastronomia Maria Caldeira de Sousa  U. Coimbra 2019/2020

sábado, 6 de março de 2021

Sopa de Feijão do Rosmaninhal



Rosmaninhal - onde dogmas são transmitidos de geração em geração influenciando a passagem periódica de rebanhos da Serra da Estrela e das varas de porcos vindos do Alentejo. Marcada região de Idanha a Nova e quase deserta nos dias de hoje podemos assistir em silencio a beleza do parque Natural do Tejo internacional, avistando aves e veados. A sua envolvencia é entre as gentes das Cegonhas, Couto Dos Correias e Soalheira. Fora Vila em 1510 a 1836, hoje quase despovoada mas com muito cheiro a tradição.


Podia falar do cordeiro e do queijo que marca esta Aldeia com grande requinte, mas não.

Trago-vos a sopa de feijão, tão rude como o rosmaninhos que percorrem os caminhos e a pureza de quem lá vive.

Junto de gentes antigas que tive o prazer de conversar, para cozinhar esta  sopa devemos usar o feijão  redondo (muito usual nesta Beira interior raiana)  dizem que fica com o " molho mais grosso" [caldo consistente].  

Demolhar o feijão em água fria de um dia para outro.

 Depois de lavado em água corrente, leva-se ao lume em bastante  água "bastante, mesmo!" juntamente com cebola bem picadinha, alho picado, louro, um fio de azeite, e  metade de um pimento verde também picadinho.  Em lume  lento vai cozendo com as conversas de avental enquanto se lasca bem fino o pão artesanal do Rosmaninhal. 

Depois de bem cozidinho, vem o sabor da memória acrescentado pelo poejo verde e o sal que lhe ajuda a alma, e em lume ainda mais brando  ferve uns minutos, a terminar serve-se em prato individual o caldo de feijão sobre as lascas de pão.

Simples e cheio de identidade, o conforto no Rosmaninhal que deixo muito para contar.

 Sejam felizes comensais...


terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Bolo de noz com massa folhada [ adesso tu]

 

As minhas conversas às  6h manhã com a minha Teté. 

São 39 anos que nós carregamos de amizade, jamais esquecer os tempos na escola, as brincadeiras... A Teresa era a nossa 'adesso tu' ♡♡♡  Hoje vive com Miguel que também era meu colega de carteira, era o mais preguiçoso mas era aquele que todos queriam ajudar! 

Os dois juntos é maravilhoso!! 

Adoro-vos muito.

Ai quando te abraçar♡♡♡






Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:15

Zezinha tudo bem?

Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:15

Sim


Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:15

E vós?


Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:15

Nós tudo bem.

Olha o Mike faz anos daqui a uns dias e eu perguntei-lhe que bolo é que lhe apetecia( devia ter estado calada) e ele quer um bolo de noz com massa folhada no meio...decorado com chantilly e ananas...se fosse gaja diria que estava grávida...

Tens alguma receita parecida?????

Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:16

Já vou ver


Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:16

Eu fiz uma pesquisa mas nahhhh.... não me parece.

Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:16

Obrigada!!!!! Beijos

Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:16

A massa folhada tens que fazer a parte e com peso em cima. Para não levantar mto qd cose


Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:17

Certo.

Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:17

Precisas do bolo ou da massa folhada receita?


Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:17

Bolo...e a junção...creme de ovos?

Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:18

Já vou ver ali nas minhas


Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:18

💋🙏

Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:18

Agora não consigo


Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:19

Claro.

Tens todo o tempo.

Não tenho pressa...

Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:19

Já viste o meu de cenoura?

É húmido


Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:20

Já e ia fazer esse....

Posso adaptar??? Talvez?

Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:20

Tb podes...

Já vejo


Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:20

Ok.

Quando puderes...beijo

08/02/2021, 06:34

Enviaste a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:34

Desculpa não ter sido logo... mas ando sempre envolvida em cenas...

Eu adoro esta massa.


Theresa enviou a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:43

Tranquilo.  Eu percebo...

Enviaste a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:43

310 de açúcar

5 ovos

5g de sal 

135 de natas

240 de farinha

4g de fermento

80g de manteiga

50g de nozes [caramelizadas ou não]


Juntas os ovos com o açúcar e o sal ate uma massa homogénea, esponjosa e esbranquiçada (como para o pão de lo) [dobra o volume] adicionas as natas e bates novamente ate bem misturadas. Peneiras a farinha com o fermento ate obter massa lisa homogénea e sem grumos.

Derretes a manteiga em lume brando juntas a massa e mexes ate que fica perfeitamente misturada.

O forno a 160

Papel vegetal

As nozes vão ao forno com o bolo, por cima... mas eu misturo também. 

A massa fica tipo queque. Mas eu gosto muito. Se fizeres individual  fica tao fixe e é só 15mn no forno

Eu adoro esta é chiquérrima. Lol


Theresa enviou a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:44

Vou fazer...

E a massa folhada?

Tipo no meio com o doce ovos?

Enviaste a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:44

Mas vou ver outra que faço. Podes cortar a farinha e fazer com farinha de noz.


Theresa enviou a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:45

Ok tbm pode ser. que Miguel vai amar ...irra


😁

Enviaste a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:45

A massa folhada é trabalhosa. Mas o truque é agua gelada e boa manteiga.

Pera já vejo onde escrevi a minha massa folhada.

Acho que foi no facebook

Enviaste a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:46

Já vou ver.


Theresa enviou a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:46

Ok. Obg Zé

Enviaste a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:52

Olha eu caramelizo as nozes no forno. Papel vegetal nozes e açúcar por cima. Forno grill ♡

Fica tooooooppppp e dos deuses

08/02/2021, 09:10


Theresa enviou a mensagem: 8 de Fevereiro às 09:10

Ok ok...

Qua, 19:48


a minha massa folhada 

Enviaste a mensagem: 10 de Fevereiro às 20:03

Massa folhada tem sua história tão baralhada como as voltas que se lhe têm que dar. Contam que esta maravilha da gastronomia tenha sido inventada ainda na Antiguidade. Provavelmente por egípcios antigos ou gregos mitológicos.

E hoje o pequeno almoço do filho foi mini Palmiers ❤

O segredo para mim é na água gelada!

0,5 kg de farinha de trigo

Sal q.b.

2,5 dl de água gelada

0,5 kg de margarina

Farinha para polvilhar q.b.

Coloque a farinha em vulcão sobre a mesa,, deite nesta uma pitada de sal e a água e comece a amassar com cuidado, sempre do lado de dentro, até a farinha e a água estarem completamente ligadas.

Bata bem a massa para ficar fofa e ganhar elasticidade. Forme uma bola. Agasalhe a massa com um pano húmido e deixe repousar cerca de meia hora.

Polvilhe depois a mesa com farinha, ponha sobre esta a bola de massa e golpeie-a em cruz, sem cortar muito (até meio).Depois de golpeada em cruz, estenda com o rolo da massa as 4 pontas (ficando um envelope com a manteiga no meio), deixando o centro um pouco mais alto que as extremidades. Espalme a margarina um pouco, coloque-a no centro da massa e comece a cobri-la (tapar) com as pontas da mesma. Acabe de cobrir.

AGORA VEM AS DOBRAS!! MUITO IMPORTANTE AS VOLTAS...

Dobre “em três” . Volte a estender com o rolo da massa e a dobrar “em três” mais 5 vezes. Isto é: ao todo, a massa é estendida e dobrada 6 vezes; ou seja, leva 6 voltas. O acto de embrulhar a margarina não é considerado “volta”.

Antes de estender NOVAMENTE deve enrolar a massa em película de cozinha e deixa-la descansar no frigorífico durante 20 minutos ou 5 minutos no congelador. Finalmente, para a poder utilizar, estenda-a com cuidado de modo a ficar com espessura uniforme. 


Esta é a minha receita da massa para as minhas natas, empadas e palmiers...

Experimentem, dá trabalho mas é tão especial!!!

.

 Coze em forno forte (200ºC – 240ºC). Logo que a massa tenha subido bastante reduz a temperatura para cozer sem queimar. (a cozedura é importante, senão fica crua por dentro)

Aproveito para vos dizer Que Gosto muito de vós ❤


Theresa enviou a mensagem: 10 de Fevereiro às 20:03

Nós tbm gostamos muito de ti...💗