sexta-feira, 11 de julho de 2025

À mesa com o Senhor Doutor António

 27 de Julho 2023 - Chef Maria Caldeira de Sousa


A última refeição de António Oliveira Salazar, figura central do Estado Novo português, representa não só um momento de íntima reflexão pessoal, mas também um episódio carregado de simbolismo político e histórico. Embora os detalhes concretos acerca do seu último cardápio e do momento exato em que ocorreu não sejam amplamente documentados em fontes primárias acessíveis ao público, podemos construir uma narrativa fundamentada na contextualização histórica, na estética dos registros da época e na análise do seu perfil gastronómico e social. 



António Oliveira Salazar, economista e político português, foi presidente do Conselho de Ministros durante várias décadas e uma figura de destaque no regime do Estado Novo. A sua morte ocorreu em 27 de julho de 1970, após anos de governação marcada por uma forte centralização de poder, controlo social e uma política económica autárquica. O seu falecimento encerrou um ciclo de estabilidade autoritária, mas também de repressão política, deixando um legado complexo na história de Portugal.

O momento da sua última refeição decorreu na sua residência oficial, o Palácio de São Bento, que na altura funcionava como sua residência privativa, ou na sua casa particular, situada na cidade de Lisboa. Este episódio, embora de carácter privado, é frequentemente refletido na historiografia como um momento de despedida, envolvendo figuras próximas e uma ementa que refletia, na sua essência, os gostos pessoais do antigo líder, bem como as influências culturais da época.

Na cena da última refeição de Salazar, encontravam-se, geralmente, membros da sua família próxima, tais como aquela que foi a sua governanta virgem, Maria de Jesus Caetano Freire e alguns assessores pessoais ou médicos de confiança. É importante salientar que, dada a natureza privada do momento, as informações detalhadas são escassas, sendo muitas vezes derivadas de relatos familiares ou de fontes de arquivo que registam aspetos do quotidiano do estadista.

De acordo com relatos históricos e biográficos, como os de Fernando de Andrade (2007), a última refeição foi marcada por um ambiente de sobriedade e contenção, refletindo o carácter reservado de Salazar. Estavam presentes, também, algumas figuras de apoio, que o acompanhavam até ao seu último momento, num clima de respeito e reverência.

A gastronomia portuguesa, na época, apresentava-se com o costume, pratos simples, sabores intensos e ingredientes locais, muitas vezes ligados às estações do ano. A ementa da última refeição do estadista poderá ter incluído pratos tradicionais que ele apreciava, e espelhavam o seu gosto pessoal nas influências da cozinha regional de Lisboa.


Para entrada foi o Caldo verde como

sopa típica portuguesa feita com couve galega, batatas, cebola, chouriço e azeite.  


Batatas 500 g, descascadas e cortadas em cubos  

Couve galega 200 g, cortada em tiras fininhas

1 Cebola média, picada  

1 Chouriço, cortado em rodelas finas  

Azeite: q.b.  

Sal e pimenta a gosto


Prato Principal foi o Bacalhau à Brás, prato tradicional de bacalhau desfiado, ovos, cebola, batatas palha, azeite, salsa e azeitonas.  


Bacalhau demolhado, 300 g e desfiado  

Batatas 400 g, cortadas em palha e fritas  

Ovos; 4, batidos  

Cebola;1 média, picada finamente  

Azeite q.b.  

Salsa picada a gosto  

Azeitonas pretas para decorar  

Sal e pimenta a gosto


Resta-me a derradeira e icónica sobremesa, Pastel de nata, a iguaria emblemática da pastelaria portuguesa, feita com massa folhada, creme de ovos e canela.  


 Massa folhada, quantidade suficiente para forrar formas individuais  

Leite, 500 ml  

Açúcar, 150 g  

4 Gemas de ovo

Da farinha de trigo, 1 colher de sopa  

Canela para polvilhar


A escolha de pratos tradicionais portugueses, como o caldo verde e o bacalhau à Brás, evidencia a preferência por sabores clássicos, de forte identificação nacional, que honram a cultura popular e a simplicidade da cozinha tradicional. O pastel de nata, por sua vez, denota a doçaria emblemática de Lisboa, arrematando a refeição com uma nota de doçura e tradição.


Nesta última refeição de Oliveira Salazar, embora envolta num véu de privacidade e respeito, revela uma preferência por pratos tradicionais portugueses, de sabores intensos e carregados de uma identidade cultural enraizada. A sua composição é marcada por ingredientes locais e receitas clássicas, o que nos indica a ligação profunda às raízes do país, mesmo na sua fase final de vida. Este momento, mais do que uma simples refeição, é a resenha da sua relação com a gastronomia nacional e a personalidade reservada e discreta deste homem da história.


Fontes


O texto foi elaborado com base no meu conhecimento geral e na continuação que quero dar aos meus estudos em história e gastronomia, com e sem a utilização direta de fontes específicas ou documentos primários. A minha investigação académica ou aprofundada com registos históricos: 


- Andrade, Fernando de (2007). “Salazar: Vida e Obra”. Lisboa: Editorial Nova.

- Martins, João (2015). “A Gastronomia Portuguesa no Século XX”. Lisboa: Centro de Estudos de Gastronomia.

- Ministério da Cultura de Portugal (2020). “História da Cozinha Tradicional Portuguesa”. Lisboa: Imprensa Nacional.

- Relatos familiares e arquivos históricos pessoais, disponíveis em registos de biografias e memórias de figuras próximas ao estadista.



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Um império consciente, ontem e amanhã - A Culinária de Consciência



A culinária sempre foi uma peça central nas culturas humanas, reflete não apenas as necessidades nutricionais, mas também as tradições e modos de vida dos povos. No contexto do Império Romano, a alimentação era tão copiosa como o Império, variada e muitas vezes centrada em ingredientes vegetais, que formam a base da dieta “Daiata”, especialmente entre as classes mais baixas e também entre aqueles que escolhiam uma dieta vegetariana.


O Legado Alimentar do Império Romano era conhecido pelo seu apetite gastronómico e pela introdução de ingredientes das suas conquistas. Era usual legumes, grãos, frutas e ervas, na criação de pratos que eram não apenas nutritivos, mas também saborosos. Os vegetais como feijões, lentilhas, ervilhas, cevada e trigo, considerados comuns, enquanto as frutas e os vegetais frescos faziam parte essencial das refeições diárias.

Uma dieta de consciência, que hoje valoriza os benefícios dos alimentos vegetais, encontrou nas suas raízes aquilo que os romanos praticavam nas suas mesas. O vegetarianismo, embora não fosse popularizado na forma que conhecemos hoje, existia entre os romanos, sendo muitas vezes uma escolha alimentar sem filosofia subjacente.

Os Ingredientes Vegetais que o Império Romano utilizava, era uma vasta gama de vegetais e grãos, muitos dos quais continuam populares.  Registo alguns dos principais ingredientes que formam a base da dieta romana:


- Leguminosas: Feijões e lentilhas eram fontes importantes de proteína e eram frequentemente usados em sopas, caldos e ensopados.

- Grãos: Trigo e cevada eram os mais consumidos, sendo transformados em pães ou servidos como papas.

- Verduras: Alfaces, espinafre, couve e a acelga eram amplamente cultivadas e consumidas cruas ou cozidas.

- Frutas: Figos, uvas, maçãs e peras eram consumidos tanto frescos quanto secos.

- Ervas e especiarias: Alecrim, tomilho, orégano e coentro eram usados para aromatizar pratos.


Aqui vos brindo com umas receitas saudáveis Inspiradas na Culinária Romana


Caldo de Lentilhas Romanas


- 200g de lentilhas

- 1 talo de aipo picado

- 1 cebola picada

- 2 dentes de alho

-2 ovos 

- 1 água 

- Azeite

- Ervas frescas a gosto (salsa, tomilho)

- Sal e pimenta a gosto


 Aqueça azeite, refogue a cebola e o alho até ficarem loirinhos.

Adicione a cenoura e o aipo, cozinhe por mais alguns minutos.

Junte as lentilhas e o caldo de legumes. Cozinhe por aproximadamente 30 minutos ou até que as lentilhas estejam macias. Escalfe os ovos durante 5 minutos.

Tempere com sal, pimenta e ervas frescas antes de servir.


Salada de Grãos e Vegetais


- 100g de cevada cozida

- 1 alcaparras  picadas

-  6 espargos Picados grelhados

- 1/2 cebola roxa picada

- Sumo de 1 limão

- Azeite

- Sal e pimenta a gosto

- coentros picada


Misture todos os ingredientes.

Tempere com sumo de limão, azeite, sal e pimenta. Deve ser servido em temperatura ambiente.


3. Copinho de Legumes Assados



- 200g castanhas 

- 1 berinjela em cubos

- 2 cenouras em rodelas

- 1 cebola roxa em tiras

- Azeite

- Ervas (tomilho, orégano, alecrim)

- Sal e pimenta a gosto



Preaqueça o forno a 200°C.

Em assadeira, coloque os legumes e regue com azeite.

Polvilhe as ervas, sal e pimenta.

Asse aproximadamente  25-30 minutos ou até que os legumes estejam dourados e macios.

O Vegetarianismo na Roma Antiga

Embora o vegetarianismo não fosse uma prática hegemónica no Império Romano, existiam indivíduos e grupos que o adotavam. Entre eles, alguns filósofos e pensadores promoviam a ideia de equilíbrio, ao consumir uma dieta rica em vegetais e evitar carnes, especialmente por considerarem que poderiam beneficiar na saúde e no bem-estar.


Muitos romanos encontravam nas leguminosas e nos vegetais as principais fontes de sustento. Isso coloca a culinária de consciência em um contexto histórico onde a alimentação saudável e equilibrada não era apenas uma modificação de hábitos, mas uma maneira de estar em harmonia com a natureza e com os próprios corpos.

Dizer que considero que a culinária de consciência, baseada na escolha de alimentos saudáveis e sustentáveis, têm muito a aprender com as práticas alimentares do passado, especialmente com as utilizadas no Império Romano. Ao resgatar receituário e ingredientes sazonais, podemos não apenas nutrir os nossos corpos de forma mais consciente, mas também honrar um legado culinário que já valoriza a saúde e a capacidade de promover o bem-estar através da alimentação.


Absorver estes princípios na dieta contemporânea não é apenas uma escolha benéfica para a saúde, mas também um passo em direção a um estilo de vida mais equilibrado, honrando as tradições que moldaram o que hoje entendemos por culinária consciente.



Espero que este texto tenha aguçado a vossa curiosidade!


Divirtam-se!


domingo, 22 de dezembro de 2024

A Ascensão da Gastronomia e do Autor

 A Ascensão da Gastronomia e do Autor

[Escolhi a maçã para vos recordar o momento Biblico e da altura em que estamos.]


A ascensão da gastronomia de criação de autor revolucionou a forma como nos relacionamos com a comida, transformou refeições em experiências artísticas inesquecíveis. Esta tendência dá destaque a criatividade e individualidade dos chefes de cozinha, que criam pratos exclusivos e fundem tradição com inovação. Um exemplo sublime é o bacalhau confitado com lagostim, receita que vos vou trazer este Natal. As plataformas digitais democratizaram o acesso a estas receitas, permitem que qualquer pessoa, em qualquer lugar, recrie pratos sofisticados na própria cozinha, impulsionadora da comensalidade tradicional para novos patamares de interação social e cultural. O futuro promete uma fusão ainda mais intensa entre a tecnologia e a culinária, onde a inovação não terá limites e a cozinha será um palco de infinitas possibilidades criativas. 


Bacalhau com Lagostim


Usei 

4 postas de cachaço de bacalhau demolhadas

8 lagostins descascados 

algumas folhas de couve portuguesa

100g de castanhas portuguesas

100g de bacon em cubos

1 colher de sopa de segurelha fresca

3 dentes de alho picados

4 cebolinhas charlotte 

Azeite 

Sal e pimenta a gosto

Limão para decorar



Prepararei as Castanhas em água a ferver por 15 minutos. Retirei as cascas e reservei.

Confitei o Bacon numa frigideira. As charlotte inteiras e o bacon fritei até ficar crocante. Retirei e coloquei de lado, sobre papel absorvente para retirar o excesso de gordura.

Refoguei a Couve na mesma frigideira, adicionei um fio de azeite, os dentes de alho picados e refoguei para que ficassem dourados. Acrescentei a couve cortada em tiras e refoguei até murcharem. Temperei com sal, pimenta e a segurelha.

Numa panela, coloquei as postas de bacalhau com a pele para cima e cubri com azeite. Cozinhei em lume baixo por aproximadamente 20 minutos, até que o bacalhau lasque e fique macio.

Numa frigideira, aqueçi um pouco de manteiga e grelhei os lagostins rapidamente, até que fiquem rosados. Temperei com sal e pimenta.

Escolhi um prato fundo, coloquei uma porção generosa de couve refogada como base. Sobre a couve, coloquei a posta de cachaço bacalhau confitado e, ao lado, os lagostins grelhados. Finalizei com as castanhas confitadas e o bacon crocante por cima. Reguei com o Azeite a ferver.



Sirva imediatamente, apreciem esta combinação de sabores sofisticados e sintam- se felizes ♡ .

Bom apetite!


terça-feira, 15 de outubro de 2024

Residencia gastronómica "o Xisto"

Na encantadora Praia da Louçainha-Penela, onde não existem as ondas do Atlântico que não beijam suavemente a areia dourada, ergue-se o restaurante O Xisto, um refúgio gastronómico que celebra a essência da natureza envolvente. É lá que a chefe Maria Caldeira de Sousa, uma artista da culinária, traz à vida uma residência gastronómica que transcende o comum, entrelaçando sabores e aromas que ecoam a beleza do bosque circundante.
 

A atmosfera é mágica; o ar é impregnado com o perfume dos carvalhos e castanheiros, enquanto o canto dos veados se mistura aos risos dos clientes que se reúnem para partilhar experiências memoráveis. O bosque, com suas árvores imponentes e vegetação exuberante, serve como um vasto festim às cegas à chefe Maria Caldeira de Sousa, que caminha entre a folhagem, colhendo ervas frescas e ingredientes silvestres que transformam os pratos em obras-primas. Cada refeição é uma homenagem à Rota do sal, a trilha que serpenteia até a costa, onde a riqueza do mar se encontra com a generosidade da terra.  

Maria Caldeira de Sousa, a chef destemida e criativa, inspira-se nas tradições locais e na sabedoria do seu mentor, o chef João D’Eça Lima. Juntos, eles exploram a fusão do mar e da montanha, criando pratos que contam histórias de ligação e respeito pela natureza. Os peixes frescos, encomendados durante a noite aos peixeiros locais de Condeixa e Penela, acompanhadas por um caldo de massinha aromatizado com a flor do sal, dançam no prato como uma sinfonia de sabores, enquanto os cogumelos silvestres, colhidos ao amanhecer pelos locais, trazem um toque terroso que faz lembrar as florestas densas.

A residência gastronómica da chef Maria Caldeira de Sousa foi um convite a todos os sentidos. Os visitantes não apenas degustaram, mas também experimentaram a essência da Louçainha, cada prato é uma viagem pela paisagem. O cremoso gnocchi de algas marinhas com castanha que acompanha o javali, por exemplo, evoca a frescura da água, enquanto a sobremesa de frutas da época, servida com um fio de mel silvestre (urze), traz a doçura da terra à mesa.

Ao entardecer, enquanto o sol se despede atrás daquele vale na altitude, os clientes reúnem-se à volta de mesas de madeira, partilhando histórias e risadas sob a  transparência do vinho da serra do Sicó. A luz suave do luar filtra-se através das folhas, cria um ambiente acolhedor e mágico, onde a camaradagem é tão importante quanto a comida. É aqui que a chefe Maria Caldeira de Sousa, com o seu olhar apaixonado e as mãos hábeis, transforma uma simples refeição numa celebração da vida.

No” O Xisto”, a gastronomia vai além do prato; é uma experiência sensorial que conecta as pessoas à natureza e à herança cultural da região. E sob a orientação de Maria e do João, cada visita torna-se uma nova descoberta, uma nova história a ser contada, uma nova memória a ser guardada. 

A Praia da Louçainha não é apenas um destino, mas um verdadeiro santuário de sabores e tradições, onde a magia da culinária se entrelaça com a beleza do mundo natural.



E no fundo é X…isto!



[Acreditem que o peso da responsabilidade foi o que nos fez mover, Sinto uma enorme gratidão pelo meu querido amigo João.Apostamos na amizade e no respeito pelo trabalho de cada um nós ,o que nos elevou ao foco e permitiu mais um sucesso♡ ]









domingo, 26 de maio de 2024

Mercado São Miguel -Guarda

 


A carne de vaca jarmelista, da Guarda e os excelentes anfitriões.


Jarmelista é a defesa desde 2006  que se refere à carne de vaca que é criada na região da Guarda, Municipio do centro de Portugal. A jarmelista é conhecida pela qualidade e sabor, e é muito apreciada pelas suas características.


A carne jarmelista é uma especialidade regional ,os criadores de gado tentam manter as técnicas tradicionais e respeitam os processos naturais de crescimento do animal. A carne é caracterizada pela cor vermelha escuro, textura firme e macia  com um sabor intenso e de enorme qualidade..Um miminho♡


Ontem, no mercado de São Miguel, quem nunca provou a carne de vaca jarmelista da Guarda, teve a oportunidade de experimentar no Showcooking promovido pelo Município da Guarda, Traçoinox  e entre muitos outros, cozinhada por mim  a delícia Guardense!


O Prego da vazia jarmelista[oferecido pelo Eng.José Manuel- Acriguarda] foi confeccionado em chouriço frito, da Probas e um fio de azeite, alho socado e louro.

Servido em pão de qualidade excelente, acompanhado de batata [de primeira qualidade, incrível] “pala-pala” frita na hora. 

O molho; cebola reduzida e aromatizada com vinho rufete, chouriço, ervas aromáticas [da minha querida Ludovina] e alho. Todos os ingredientes guardenses foram entregues pelos seus produtores.

Existiu uma interação com a comunidade  muito empenhada e animada.

E, de inovação gastronómica confeccionei como sobremesa, Montanha de grão e mel com os Mirtilos de Idanha em Neve. 


Durante esta mostra de “cousas de comer” para além dos equipamentos da Robotcoup, e Arcos, tive a colaboração dos souschef;  Vereador do turismo Rui Melo, D.Tina e Vitor Almeida  que me prestaram apoio extraordinário.♡

Mas, não fico por aqui… 

Na primeira linha de bancada tinha o Nerga, na pessoa da Presidencia, alegre, cheio de humor observador e gourmand.

E assim, chego à mais pequenina de todas mas muito cheia de “movida” conheci a Guardense,  Cecília, impulsionadora da defesa e dinamização deste evento, foi amor à primeira vista… [que existam mais vontades e mostras desta honestidade]


 Regressei da Guarda com vontade de lá voltar. 


Adorei.


Ps: sinto uma enorme gratidão ao acolhimento que recebi. Bem hajam.

sábado, 25 de maio de 2024

Empadão de Pedriz SecXIV


 Em 2015, escolhi Idanha e todo o seu território para representar a cozinheira e a paisagem não estéril, isto é; agrícola e histórica, procuro dar ênfase à habilidade em cozinhar e preparar receituário altamente dependente de uma variedade de ingredientes frescos e diversificados que encontro tanto na produção local, mesmo que pequena mas de compromisso com a consciência e, no património cultural e histórico gastronómico. A paisagem estéril geralmente é caracterizada pela ausência de vida vegetal e, portanto, não oferece os recursos necessários para a prática da culinária. Como também é necessário uma fonte de água potável e de um ambiente adequado para a preparação higiênica dos alimentos, que geralmente não se encontra disponível neste tipo de paisagem. Assim, é improvável que um cozinheiro se encontre em tal ambiente.

Na época medieval os nobres plantavam as suas hortas com plantas e árvores estéreis, isso era feito por razões estéticas e de status social. As hortas eram consideradas um símbolo de riqueza e poder, e criar paisagens artificiais estéreis era uma maneira de exibir o controle e a opulência dos nobres sobre a natureza. Estas eram frequentemente incluídas em jardins formais ao redor de castelos e palácios.

As plantas e árvores eram escolhidas pela sua beleza visual e características ornamentais. Incluía árvores cuidadosamente podadas para criar formas geométricas, como arbustos em formato de animais ou esculturas vegetais, lembro-me de em Mafra(terra onde cresci nos meses de Verão) ver o “jardim do buxo”onde eram utilizados canteiros com plantas que não produziam frutos ou flores, mas que tinham folhagens atraentes, como o buxo e a hera.

Além da estética, as plantas estéreis também ofereciam uma vantagem prática aos nobres. Como essas plantas não produziam frutos ou flores, elas não atraíam insetos indesejados como abelhas e mosquitos, o que tornava essas áreas mais confortáveis para o prazeroso tempo passado ao ar livre.

No entanto, é importante a ressalva que nem todas as hortas medievais eram estéreis. Muitas também eram utilizadas para o cultivo de alimentos, ervas medicinais e plantas aromáticas, pois era necessário suprir as necessidades alimentares das famílias nobres.


Empadão de perdiz Sec XIV


Depois de depenadas e bem lavadas, cozem em água fervida as perdiz até estarem macias. Retiram-se todos os ossos e em lascas junta-se aos cortes miúdos em cebola roxa, que se deixa fritar em banha de porco. 

Acresce-se o alho, louro, pimenta em grão, e ervas; carqueja e tomilho.


Noutra panela já cozeu as batatas que nesta época [séc XVI] se tornaram moda.

Use um tabuleiro furado e esmigalhe a batata, basta uma vez. Após esta tarefa, adicione um pouco do caldo de cozer a perdiz, manteiga, noz moscada, alho e sal, batata muito bem até obter um puré consistente.

Por camadas, coloca-se o puré e a perdiz até chegar ao top do tabuleiro de barro retangular. 

Bate duas gemas e pincele o topo, coloque umas rodelinhas de chouriço e farinheira, leve ao forno até que todos os sabores se mistuŕem. 

Divirta-se entre os séculos e na comensalidade. 




sexta-feira, 17 de maio de 2024

As flores do meu jardim

Olhem bem para o vosso jardim!
O dente-de-leão é o vosso fito-farmaceutico!
 Poderoso tónico para o fígado e os rins,
actua como um diurético, permite que os 
resíduos sejam removidos rapidamente
 do corpo. É uma erva amarga, estimula o 
sistema digestivo, ajuda a absorção 
dos nutrientes nos alimentos com mais
 eficiência,  e gera menos resíduos 
metabólicos. 

Assim, significa que o fígado pode usar a sua energia em tarefas
 mais importantes, como por exemplo livrar o corpo do excesso de gordura armazenada. E, como todas as verduras do início da primavera, as folhas do dente-de-leão são carregadas de vitaminas e minerais – algo que geralmente nos falta durante o inverno.
Têm uma ação tónica no organismo, o dente-de-leão também ajuda a reduzir a 
inflamação no fígado. 
O dente-de-leão é muito rico em vitaminas A e C, beta-caroteno, potássio, ferro e
 cobre, usado como um importante impulso nutricional para o corpo após um inverno
carregado de refeições pesadas.
 O dente-de-leão pode ser um tônico para todo o corpo, ajudando a corrigir
 problemas de eliminação como prisão de ventre, pedras biliares, indigestão,
 lentidão e cansaço. 
Também ajuda a combater problemas de pele e aliviar o impacto do diabetes e,
regula o açúcar no sangue como também a diminuir o colesterol.
Aqui está a minha flor para as águas aromatizadas 
 primaveris ♡

Divirtam-se


sexta-feira, 19 de abril de 2024

Idanha Romana




 O creme de nabo e hortelã é uma sopa cremosa e reconfortante, perfeita e ancestral ♡


Os nabos descascados e cortados em pedaços, cebola, alho, caldo de legumes, batata,noz de manteiga, sal, pimenta, uma colher de vinagre e hortelã a gosto.


Comece por refogar  a cebola e o alho na noz de manteiga até que fiquem translúcidos( sem queimar). Adicione os nabos e refogue por mais alguns minutos. Cubra com caldo de legumes e deixe cozinhar até que os nabos estejam macios. Use a trituradora para que sopa tenha uma consistência cremosa. Coe, tempere com sal, vinagre(eu coloco balsamico),pimenta e hortelã a gosto. Sirva quente e desfrute desta deliciosa sopa de nabo!





quarta-feira, 17 de abril de 2024

beldroegas na minha horta é sopa ❤

O caldo de beldroega é conhecido por ser rica em nutrientes e vitaminas. A beldroega possui um sabor leve e fresco, juntamente com outros ingredientes como batatas, cebolas e ervas aromáticas.



É importante buscar alternativas e tecnologias que permitam aproveitar os recursos naturais de forma eficiente e responsável, como a implementação de práticas de sustentáveis.



Ao aproveitar os recursos naturais de forma sustentável, é possível promover o desenvolvimento económico e social sem comprometer o equilíbrio ecológico do planeta. As soluções sustentáveis e a adoção de práticas responsáveis são fundamentais para garantir um futuro mais saudável para todos.

Relembro-vos um caldo que faço muito, afinal  a rega das beldroegas é ao mesmo tempo que a restante horta♡ 


Para preparar a sopa de beldroega, basta refogar os legumes picados em azeite, adicionar água ou caldo de legumes e deixar cozinhar até que todos os ingredientes estejam macios. Depois é só adicionar as folhas de beldroega, o ovo para escalfar e deixar ferver por mais alguns minutos. Sirva quente e delicie-se com esta saborosa e saudável sopa!

terça-feira, 26 de março de 2024

Endívias em idanha


[Escrito a 26 de junho 2023]

 Querida Manuela, 


acredito que se encontra bem, e cheia de apaixonados fazeres. Neste imenso calor que se faz sentir em Idanha, penso nos  antigos egípcios, gregos e romanos que utilizavam a chicória selvagem ou endívias como medicamento na cura de algumas doenças. Existem registos na literatura egípcia, que referem o consumo desta verdura tanto cozida como crua. 


Mas devo referir que na Europa aparece com data do século XIII.


Uma salada de endívia com romã e lima é o que apetece, potenciam a vitamina C e D, óptima para comensais cheios de calor. 



Corte as endívias em quartos na sua verticalidade, unte com azeite, tempere com sal e pimenta preta. Com o grelhador já bem quentinho, coloque-as ao lume, na zona de mais calor durante 3 a 4 minutinhos de cada lado.


Podem ficar queimadinhas pois intensifica o sabor natural da endívia, mais para o doce. Vão tornando-se macias, é fácil perceber quando estão prontas, as folhas vão se soltando. 


Entretanto prepare um melaço de romã com mel, alho e sumo de romã. Deite por cima e raspe a lima.


Uma entrada maravilhosa para uma reunião de amigos e um rosé.




domingo, 24 de março de 2024

A água do jardim [alimento para a alma]

Hoje, no jardim ao ver o guardião entre abelhas e borboletas ♡



Eram as pétalas em dança com as borboletas,
E as abelhas em zumbidos de doce sinfonia,
No jardim, um verdadeiro paraíso,
Vejo laranjeiras que florescem em pura harmonia.

O aroma suave de perfume no ar,

Envolvendo os sentidos numa brisa leve

os espirros vibrantes das asas que batem,

Levam o gato ao telhado

em saltito aparvalhado

Entrego a paz ao sonho breve.


Que bela sinfonia de vida e cor,

Uma dança suave da natureza em ação,

Enchi o coração de gratidão,

Neste simples jardim, cheio de puro amor.


[Foto do meu jardim, créditos Vidu Éach ]



terça-feira, 19 de março de 2024

post-mortem report


 Querida Manuela,





Sei que estás bem, pois hoje vi fotos tuas giríssimas.



Vejamos hoje para onde vai a imaginação, tantos assuntos que gostava de falar.


Escusado será dizer que as cartinhas enviadas são criadas por laivos de imaginação na 1a pessoa, mas em tempos antigos escreviasse na 3a. 


As mensagens funebres, Romanas por exemplo,eram epigrafias fabulosas. 


O Prof. Dr. Armando Redentor exibe um verso arrepiante de um pai que perdera o seu filho jovem, está exposto em Idanha-a-Velha; 



"Pubertatem ingressus, nec tristem mortem timeo, Ancetus, Celti filius, brevem Fatum explevi meum. hic iaceo; hic, cinis, requies."


"Entrando na puberdade, e sem ter medo da triste morte, eu, Anceito, filho de Célcio, cumpri o meu breve destino. Aqui jazo; aqui, cinzas, reposai." - Museu Epigrafico de Idanha-a-velha



Linda homenagem e arrepiante. Fico muito emocionada com o Luto deste pai romano.


Um assunto pouco defendido entre todas as ciências. E na gastronomia?



Poucos falam nos banquetes fúnebres, no alimento que acarinha a dor e atenua a lembrança dos seres que partem através do sabor. Reune-se familiares e amigos, fazem exéquias com gargalhadas e choros, relembrando pontos comuns. Mas do pão e da partilha do alimento na vida dos que vão é ultrapassado por todos os indivíduos.



O alimento do ego, o alimento da alma, o pão da dita comunhão.


O laço da alma através do pão, a união dos singulares vivos que se guardam e castigam na água e sumo da Terra (vinho) é a formação de uma nova forma de disseminação que se deixa ultrapassar pela falta de comunicação.


A construção da individualidade está na partilha do pão.


Pão para o luto, o alimento desinteressado. 


Porque será que quando existe sacrifícios ou penitências se corrige com a alimentação?


Bom, entrego à conversa outra receita que trará alma aos que ficam e com os fumos (canal de comunicação) se convence quem parte que é seguro elevar-se aos céus.



Pão de segurelha



1000g de farinha de trigo


15 g de fermento de padeiro


Sal, segurelha 


50ml de azeite


300ml de água 



Colocar a farinha numa maceira, com as mãos fazer um buraquinho no centro colocar o fermento padeiro seco, o sal e um pouco de água morna. Diluído, junte o azeite e misture com a farinha e a segurelha, amasse com a restante água.


Deixe descansar e levedar até que dobre o tamanho. Dívida em pequenas porções e deixe descansar novamente.


Agora, espalhe a massa até ficar com a grossura de um dedo, pique com os dedos ou um garfo e leve ao forno de lenha já bem quente. Por ser finamente espalmado é rápida a cozedura.


Depois de cozido o pão, pincel generosamente com azeite e umas pedras de sal. 


Alivie a dor e assegure-se que vê refletida "Neles" o sabor da partida de alguém com a alma cheia de amor!


Comer e beber na vida e na morte.


Beijinho 



Chefe Maria Caldeira de Sousa

quarta-feira, 6 de março de 2024

Caldo de Alface

 



Os sábios da gastronomia são aqueles que vêem a culinária com alma e aqueles que cozinham com paixão, dedicação e amor. Enxergam a comida como uma forma de expressão artística e de conexão à comensalidade. Cozinhar vai muito além de simplesmente preparar uma refeição, é uma forma de transmitir emoções, memórias e cultura através da sua sensibilidade. Entregam energia e criatividade em cada receita, trazem um pedacinho de si e das suas experiências.

Cozinhar com alma significa cozinhar com o coração, reflete-se na maneira como os sabores se harmonizam e como os comensais são tocados pela entrega ao palato.

Possuem um profundo conhecimento e uma grande paixão pela gastronomia, instintivo, os sábios da culinária são eternos aprendizes. 

Nesta área vasta e complexa, com infinitas possibilidades e combinações, técnicas e ingredientes, até os mais experientes chefs e cozinheiros têm algo novo para aprender e descobrir.

 Entendo que a humildade e a disposição para aprender são essenciais para o crescimento e a evolução tal como em todas as ciências. Estar sempre atento a novas ideias, tendências e experiências,  constantemente aprimorarmo-nos em habilidades e conhecimentos. Cada prato é uma oportunidade de aprendizagem e brio, a alma está na retaguarda das novas inspirações e desafios.

Considerados mestres na arte da culinária, os sábios da gastronomia mantém a humildade de um aprendiz, sabem que sempre há algo novo para descobrir e aprender na cozinha.



O meu caldinho de alface e coentro (vegan)


1 alface Romana (Lactuca sativa)

1 batata grande

2 xuxus (Sechium edule)

1 cebola roxa (purpura Cepa)

1 nabo com casca (Brassica rapa)

1 fatia de gengibre(Zingiber officinale )

poejo (Mentha pulegium)

1 folha de louro (Laurus nobilis)

pitada de noz moscada (Myristica fragrans)

½ colher de café de pimenta preta

coentros (Coriandrum sativum, do grego κορίαννον)

1 cabecinha de cravinho (Syzygium aromaticum)

60 mg de Azeite (ervas da Zoe Bio)

àgua qb

sal qb

Deixar refogar a cebola cortada rudemente numa noz de manteiga e sem queimar. Acrescentar o xuxu e a batata partidos permitindo soltar os seus sucos e alourar. Juntar os restantes ingredientes excluindo

alface. Adicione a água (não em demasia) e ao primeiro fervor a alface. Deixe ferver e cozer todos os ingredientes por 10mn. Triture muito bem seguidamente coe a sopa para que obtenha um creme sedoso, caso necessário adicione mais água de forma a que fique um creme não

aguado. Sirva quente com coentros cortados finamente e uma gota de vinagre balsâmico. 


Boa Viagem, divirta-se!