domingo, 4 de abril de 2021
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Ensopado de borrego - Idanha-a-Nova
Piedade, piedade popular
Os cantos alimentam a alma como se de alimentos se tratasse. Nestas terras entranhadas estão as primitivas religiões, de longe nos séculos, que se fazem perdurar nas vozes das mulheres.
Os nossos antepassados rogavam as almas pela germinação e fecundação das suas sementes, terminado o Inverno. Cultos pagãos que nos fazem viajar na história. A Alta Idade Média oferece-nos a tradição dos dias de hoje, onde o culto aos mortos é celebrado pedindo a intercessão de Deus a favor das almas sujeitas a penas do purgatório, de forma a alcançarem o céu.
A encomendação das almas é um dos cantos de piedade popular, genuíno e português, e segundo Catana (2005) não conhecemos nenhum outro povo que o cante.
Durante a Quaresma, altura do renascer das plantas, pequenos grupos de homens e mulheres do mundo rural unem-se e continuam no alto das povoações da Raia Beirã a dar vida aos cantos de piedade, a “Encomendação (Amentar) as almas”.
Mesmo que outrora tenham migrado para Lisboa ou outras localidades em busca de pão, a população quando volta reata com desejo a tradição e mantém o canto popular acordado desde a Idade Média. Às sextas-feiras da Quaresma, até mesmo na Semana Santa a Encomendação sai às ruas, quebrando o silêncio da noite, para que possa ser ouvido nas dezasseis freguesias do concelho.
A piedade soa em vozes de mulheres entre o som do sino, tornando inquieto o sono da aldeia. Uma emoção que sufoca de amor a alma e o coração e “Ele” escuta-as lá no alto, e ao mistério, para afastar o medo. Hoje chamam-lhe Eco.
Fig 6 - Encomendação das almas Ladoeiro (registo pessoal).
Na Páscoa, revivendo a mensagem de “Desejo e Perfume- Folar de Idanha a Nova ” deste blogue, mata-se o borrego, tradição que vem de longe, dos costumes religiosos assentes no cristianismo e no judaísmo, sendo o animal o símbolo da libertação. Ainda nos dias de hoje, como refere Longo (2013), a Rota da Pastorícia centrada nesta região tem grande importância em Idanha a Nova.
Ensopado de borrego - Limpe o borrego de gorduras e corte-o em pedaços. Faça um refogado com cebola, alhos picados e 2 dl de azeite. Deixe bringir um pouco e adicione o tomate pelado picado, o colorau, as folhas de louro, o piri-piri e a carne. Envolva tudo, regue com o vinho tinto e com o branco e tempere com sal a gosto. Tape o tacho e deixe cozinhar durante uma a duas horas, dependendo do tamanho (idade) do borrego.
O amor partilhado têm mais amor!
Trabalho académico Mestrado Historia da Alimentação- Gastronomia Maria Caldeira de Sousa U. Coimbra 2019/2020
Folar De Idanha a Nova (Proença a Velha)
Desejo e perfume
Naquele primeiro dia da semana, Elas acordaram cedo. Andavam apressadas e tristes, batiam no peito e lamentavam, as filhas de Jerusalém. Choravam por elas e pelos seus filhos, a pedido de Jesus (Lucas: 23,28). Levavam perfumes com mãos pesadas, Elas estavam presentes na morte de Jesus (Lucas: 23,49) impotentes e persistentes até ao fim, viram de longe a morte e sua declaração de fim. Acompanharam o corpo sepultado na véspera do sábado, viram o túmulo e o corpo silenciado viram de longe a morte e sua pedra declarando o fim.
S. Lucas escreve e insiste em descobrir naquelas mulheres um motivo, um desejo, uma vontade de não deixar a morte dizer a última palavra (Lucas: 8). Elas prepararam perfumes com especiarias e unguentos para o corpo morto de Jesus (Lucas: 23,56). Guardaram o sábado, repousando! Nas mãos os cheiros, nos olhos a paisagem de morte e dor. O óleo perfumado era uma tradição, algo que era costume fazer com o corpo morto, como a última homenagem.
Fig 1 e 2 Lamentação sobre o Cristo Morto (pintor italiano Andrea Mantegna, in Pinterest.PT).
A pedra mostra-nos a expressão da vitória dos poderosos que, mais uma vez, perseguiram, torturaram e venceram a utopia dos pobres. E lá estava a pedra, plena de gravidade e de absolutos fins. Elas sabiam que teriam de enfrentar a pedra e sua arrogância. Era maior que Elas, era pesada e difícil para ser afastada, imagino.
Numa Tríade entre S.Lucas, S.Mateus e S.Marcos, compreende-se que a pedra foi afastada não por Elas, mas por algo bem mais profundo. S.Mateus vai registar um grande terremoto e associá-lo a um anjo do Senhor, que remove a pedra e se senta sobre ela enquanto conversa com as mulheres (Mateus: 28,1,2,3; Marcos: 16, 4 e 5).
Com a pedra removida o processo não está terminado. Elas terão que interpretar, procurar sinais, conclusões de leitura que ajudassem a entender o inesperado. As figuras de anjos vão ter este papel tal qual como na anunciação do nascimento de Jesus para Maria (Lucas: 1). Foi assim à luz do evangelho.
O inesperado exige das mulheres uma espiritualidade profunda de acreditar para além do possível. Olhos de ver o novo. Ouvidos de ouvir o que vem. A envolvência com todo o corpo, o perfume que traziam as mulheres deixavam as narinas atentas e sensíveis. A pedra removida e as aparições enchem os olhos das mulheres de enigmas, que elas interpretam como acontecimentos e entendem a sequência, assim como a gestão dos conflitos e resiliência que nós hoje sabemos administrar. É madrugada e nós mulheres ao redor do mundo continuamos a acordar cedo, preparando perfumes.
Unindo num alguidar de barro, [já bem usado era este que os meus olhos viram, pena não ter fotos, pois fiquei sem bateria nesta pequena viagem que fiz para entrega de take aways] (farinha, açúcar, fermento e a canela). Trabalhando sempre com as mãos misturei muito bem, o cheiro a canela fazia-se notar no branco imaculado como se de pequenos pedaços de dor se acalmassem. Formei nesta mistura um vulcãozinho. Juntei-lhes os ovos, o sumo da laranja de Idanha (tão docinhas que roubei no quintal dos meus vizinhos...), o azeite e a água ardente. Amassei com a alma a pensar na festa que vamos celebrar, senti que a massa se fundiu numa só quando não colava as minhas mãos, era hora de a deixar repousar... Os mais antigos usavam o alguidar dentro de outros com água a ferver e embrulhavam um pano (linho os mais ricos) e duas mantas para abafar e levedar. Deixei por 12 horas, mas antes de me deitar tirei o alguidar da água, senti que não era preciso, afinal estava um calorzinho de primavera, ontem. Finta a minha massa, dividi-os, fiz 3 folares e com a ponta de uma faca molhada fiz um corte na massa. Coloquei-os no forno a 200ºc. Brunindo-os com açúcar batido com clara e um pinguinho de azeite a meia da cozedora. Baixei um pouco a temperatura e foram cozer novamente. Tornaram-se lustrosos os meus folares.
sábado, 6 de março de 2021
Sopa de Feijão do Rosmaninhal
Rosmaninhal - onde dogmas são transmitidos de geração em geração influenciando a passagem periódica de rebanhos da Serra da Estrela e das varas de porcos vindos do Alentejo. Marcada região de Idanha a Nova e quase deserta nos dias de hoje podemos assistir em silencio a beleza do parque Natural do Tejo internacional, avistando aves e veados. A sua envolvencia é entre as gentes das Cegonhas, Couto Dos Correias e Soalheira. Fora Vila em 1510 a 1836, hoje quase despovoada mas com muito cheiro a tradição.
Podia falar do cordeiro e do queijo que marca esta Aldeia com grande requinte, mas não.
Trago-vos a sopa de feijão, tão rude como o rosmaninhos que percorrem os caminhos e a pureza de quem lá vive.
Junto de gentes antigas que tive o prazer de conversar, para cozinhar esta sopa devemos usar o feijão redondo (muito usual nesta Beira interior raiana) dizem que fica com o " molho mais grosso" [caldo consistente].
Demolhar o feijão em água fria de um dia para outro.
Depois de lavado em água corrente, leva-se ao lume em bastante água "bastante, mesmo!" juntamente com cebola bem picadinha, alho picado, louro, um fio de azeite, e metade de um pimento verde também picadinho. Em lume lento vai cozendo com as conversas de avental enquanto se lasca bem fino o pão artesanal do Rosmaninhal.
Depois de bem cozidinho, vem o sabor da memória acrescentado pelo poejo verde e o sal que lhe ajuda a alma, e em lume ainda mais brando ferve uns minutos, a terminar serve-se em prato individual o caldo de feijão sobre as lascas de pão.
Simples e cheio de identidade, o conforto no Rosmaninhal que deixo muito para contar.
Sejam felizes comensais...
terça-feira, 16 de fevereiro de 2021
Bolo de noz com massa folhada [ adesso tu]
As minhas conversas às 6h manhã com a minha Teté.
São 39 anos que nós carregamos de amizade, jamais esquecer os tempos na escola, as brincadeiras... A Teresa era a nossa 'adesso tu' ♡♡♡ Hoje vive com Miguel que também era meu colega de carteira, era o mais preguiçoso mas era aquele que todos queriam ajudar!
Os dois juntos é maravilhoso!!
Adoro-vos muito.
Ai quando te abraçar♡♡♡
Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:15
Zezinha tudo bem?
Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:15
Sim
Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:15
E vós?
Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:15
Nós tudo bem.
Olha o Mike faz anos daqui a uns dias e eu perguntei-lhe que bolo é que lhe apetecia( devia ter estado calada) e ele quer um bolo de noz com massa folhada no meio...decorado com chantilly e ananas...se fosse gaja diria que estava grávida...
Tens alguma receita parecida?????
Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:16
Já vou ver
Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:16
Eu fiz uma pesquisa mas nahhhh.... não me parece.
Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:16
Obrigada!!!!! Beijos
Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:16
A massa folhada tens que fazer a parte e com peso em cima. Para não levantar mto qd cose
Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:17
Certo.
Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:17
Precisas do bolo ou da massa folhada receita?
Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:17
Bolo...e a junção...creme de ovos?
Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:18
Já vou ver ali nas minhas
Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:18
💋🙏
Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:18
Agora não consigo
Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:19
Claro.
Tens todo o tempo.
Não tenho pressa...
Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:19
Já viste o meu de cenoura?
É húmido
Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:20
Já e ia fazer esse....
Posso adaptar??? Talvez?
Enviaste a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:20
Tb podes...
Já vejo
Theresa enviou a mensagem: 5 de Fevereiro às 11:20
Ok.
Quando puderes...beijo
08/02/2021, 06:34
Enviaste a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:34
Desculpa não ter sido logo... mas ando sempre envolvida em cenas...
Eu adoro esta massa.
Theresa enviou a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:43
Tranquilo. Eu percebo...
Enviaste a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:43
310 de açúcar
5 ovos
5g de sal
135 de natas
240 de farinha
4g de fermento
80g de manteiga
50g de nozes [caramelizadas ou não]
Juntas os ovos com o açúcar e o sal ate uma massa homogénea, esponjosa e esbranquiçada (como para o pão de lo) [dobra o volume] adicionas as natas e bates novamente ate bem misturadas. Peneiras a farinha com o fermento ate obter massa lisa homogénea e sem grumos.
Derretes a manteiga em lume brando juntas a massa e mexes ate que fica perfeitamente misturada.
O forno a 160
Papel vegetal
As nozes vão ao forno com o bolo, por cima... mas eu misturo também.
A massa fica tipo queque. Mas eu gosto muito. Se fizeres individual fica tao fixe e é só 15mn no forno
Eu adoro esta é chiquérrima. Lol
Theresa enviou a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:44
Vou fazer...
E a massa folhada?
Tipo no meio com o doce ovos?
Enviaste a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:44
Mas vou ver outra que faço. Podes cortar a farinha e fazer com farinha de noz.
Theresa enviou a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:45
Ok tbm pode ser. que Miguel vai amar ...irra
😁
Enviaste a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:45
A massa folhada é trabalhosa. Mas o truque é agua gelada e boa manteiga.
Pera já vejo onde escrevi a minha massa folhada.
Acho que foi no facebook
Enviaste a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:46
Já vou ver.
Theresa enviou a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:46
Ok. Obg Zé
Enviaste a mensagem: 8 de Fevereiro às 06:52
Olha eu caramelizo as nozes no forno. Papel vegetal nozes e açúcar por cima. Forno grill ♡
Fica tooooooppppp e dos deuses
08/02/2021, 09:10
Theresa enviou a mensagem: 8 de Fevereiro às 09:10
Ok ok...
Qua, 19:48
a minha massa folhada
Enviaste a mensagem: 10 de Fevereiro às 20:03
Massa folhada tem sua história tão baralhada como as voltas que se lhe têm que dar. Contam que esta maravilha da gastronomia tenha sido inventada ainda na Antiguidade. Provavelmente por egípcios antigos ou gregos mitológicos.
E hoje o pequeno almoço do filho foi mini Palmiers ❤
O segredo para mim é na água gelada!
0,5 kg de farinha de trigo
Sal q.b.
2,5 dl de água gelada
0,5 kg de margarina
Farinha para polvilhar q.b.
Coloque a farinha em vulcão sobre a mesa,, deite nesta uma pitada de sal e a água e comece a amassar com cuidado, sempre do lado de dentro, até a farinha e a água estarem completamente ligadas.
Bata bem a massa para ficar fofa e ganhar elasticidade. Forme uma bola. Agasalhe a massa com um pano húmido e deixe repousar cerca de meia hora.
Polvilhe depois a mesa com farinha, ponha sobre esta a bola de massa e golpeie-a em cruz, sem cortar muito (até meio).Depois de golpeada em cruz, estenda com o rolo da massa as 4 pontas (ficando um envelope com a manteiga no meio), deixando o centro um pouco mais alto que as extremidades. Espalme a margarina um pouco, coloque-a no centro da massa e comece a cobri-la (tapar) com as pontas da mesma. Acabe de cobrir.
AGORA VEM AS DOBRAS!! MUITO IMPORTANTE AS VOLTAS...
Dobre “em três” . Volte a estender com o rolo da massa e a dobrar “em três” mais 5 vezes. Isto é: ao todo, a massa é estendida e dobrada 6 vezes; ou seja, leva 6 voltas. O acto de embrulhar a margarina não é considerado “volta”.
Antes de estender NOVAMENTE deve enrolar a massa em película de cozinha e deixa-la descansar no frigorífico durante 20 minutos ou 5 minutos no congelador. Finalmente, para a poder utilizar, estenda-a com cuidado de modo a ficar com espessura uniforme.
Esta é a minha receita da massa para as minhas natas, empadas e palmiers...
Experimentem, dá trabalho mas é tão especial!!!
.
Coze em forno forte (200ºC – 240ºC). Logo que a massa tenha subido bastante reduz a temperatura para cozer sem queimar. (a cozedura é importante, senão fica crua por dentro)
Aproveito para vos dizer Que Gosto muito de vós ❤
Theresa enviou a mensagem: 10 de Fevereiro às 20:03
Nós tbm gostamos muito de ti...💗
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021
Pastéis de pombinhos Infanta D.Maria
Massa folhada (ao II confinamento)
Esta é a minha receita da massa para as minhas natas, empadas e palmiers...
A Páscoa e nós mulheres
Farinha em vulcão, fermento desfeito em água morna e sal, colocar ingredientes um a um e amassar á mão, sem medos, nem colheres, ate que a massa se descole do recipiente.
Esparregado de Favas (beira interior sul, receita original dos rurais)
Almôndegas de coelho -Apicius
Almôndegas de coelho
sexta-feira, 22 de janeiro de 2021
Bolo de cenoura
Inspirada na origem geográfica Judaica, apresento-vos o meu Bolo de cenoura em entrega á Aldeia Histórica de Belmonte a mais judaica das gémeas 12.
A culinária judaica é uma das mais saborosas e tradicionais que se têm registo, no entanto, pouco se modificou no decorrer de séculos de história em sua formação cultural. Originalmente, essa cozinha enfatizava os sete elementos bíblicos citados no Deuteronómio: a cevada, o trigo, a azeitona, o figo, a romã, a tâmara e as ervas. E há alguns milênios atrás, as comidas eram rústicas, elaboradas pelas mãos de camponesas judias, que foram transmitindo as receitas oralmente para suas filhas, como uma das formas de manter a identidade e a união de um povo escolhido.
Optei pela religião na escolha de receituário gastronómico, pois a culinária reflete história, hábitos e costumes de seus comensais. Quando pensamos na comida judaica, que se adaptou às necessidades de seu povo no decorrer da história entendemos a veracidade de ambas.
Quando os romanos expulsaram os judeus da Palestina, no século I d.C., estes últimos se dispersaram por muitos lugares do mundo e tiveram que se adaptar às diferentes formas de vida da diáspora. Assim, eles adquiriram novos hábitos alimentares e passaram a utilizar os ingredientes que estavam disponíveis. Os seus pratos incorporaram vários temperos, ervas e especiarias nativas, que eram cultivadas em função do solo, da temperatura, do clima e dos hábitos das diversas regiões. A culinária judaica é marcada por tradições e princípios religiosos. Os judeus, quando foram expulsos de sua terra, procuraram adaptar seus hábitos alimentares às matérias-primas e costumes de cada uma das regiões por onde passaram.
O "haruatboker" (pequeno Almoço), uma refeição farta, fica então assinalado pelo Bolo de Cenoura.
Para o recheio e a cobertura
225 g de manteiga sem sal
110 g de açúcar de confeiteiro
300 g de creme de queijo mascarpone
10 ml de sumo de limão
1/2 colher (sopa) de essência de baunilha
Para a massa
190 g de farinha de trigo
3/4 de colher (chá) de fermento químico
3/4 de colher (chá) de bicarbonato de sódio
3/4 de colher (chá) de sal
4 ovos
80 g de mel
1 1/2 colher (chá) de canela em pó
250 g de cenoura ralada
90 g de nozes picadas
Raspas de 1 limão
Manteiga para untar
Prepare o recheio
Na batedeira, bata a manteiga e o açúcar usando o batedor espátula até que a mistura fique cremosa e branquinha. Acrescente o creme de queijo mascarpone e misture bem. Junte o sumo de limão e a baunilha. Leve ao frio por cerca de uma hora antes de montar o bolo.
A massa
Prepare a massa numa uma tigela, peneire a farinha, o fermento, o bicarbonato, o sal e a canela. Reserve. Na batedeira, bata os ovos com o mel por sete minutos ou até que a mistura dobre de volume. Despeje o óleo aos poucos, batendo sempre, até que esteja bem incorporado aos outros ingredientes. Com uma espátula, misture aos poucos os ingredientes secos. Junte a cenoura, as nozes e as raspas de limão. Numa forma untada com manteiga com sal e polvilhada com farinha, leve a massa ao forno pré aquecido a 180°C por 40 minutos ou até que, ao espetar um palito no centro da massa, ele saia limpo. Retire do forno, espere arrefecer e desenforme. Com uma faca de pão, corte o bolo ao meio na horizontal, com cuidado, obtendo dois discos. Recheie com parte da mistura de creme de queijo mascarpone e cubra todo o bolo com o restante do creme, espalhando com uma espátula.
Divirta-se!
segunda-feira, 18 de janeiro de 2021
RECEITA de uma análise positiva
Dia 9 de Dezembro de 2020, o dia em que troquei as queimaduras do fogão por um teste positivo ao vírus SARS-COV 2.
Não podia ter acontecido, como?
Questiono-me muitas vezes como falhei, Mas a resposta foi sempre a mesma; permissiva e a falta de consciência alheia. Fechei o meu estabelecimento, disse não a tantas reservas, chorei cada vez que negava aquilo que mais gostava de fazer, Cozinhar, chorei porque contagiei o meu marido e o meu filho (que responsabilidade, meu Deus), Chorei pq não tenho forças para estudar (que frustração) e ainda tenho que ser grata por estar viva...
Estou em casa fechada há 38 dias, doente, sem faturas e 2 "safts" (para quem entende, isto dói!), os sintomas foram imensos e graves, mas ainda tenho que mostrar gratidão por nada ser respiratório (até agora).
O Covid19 bateu-me á porta sem perguntar se podia entrar. E andam por ai todos a passarinhar. Uns bebem vinho pelos botecos que restam abertos, outros fazem fogueiras e vão aos shoppings, é tão ridículo que em tempo de pandemia até se elege um Presidente. Devíamos ser capazes de identificar todos os que tiveram contacto com pessoas infetadas para que se garantisse o isolamento de todos.
Se me sinto mal? Sinto sim, este hóspede arranjou-me para aqui um 31 qualquer, que só consigo identificar quando houver tempo para me estudar. Fui muito bem acompanhada pela médica de Família, pela pediatra do meu filho e o meu médico particular. (sempre atentos aos meus sinais)
Já não sei se fui eu que não deixei o Bicho em paz ou se foi ele que me testou a toda a hora. Os sintomas, as dores, o medo, o RESPEITO.
Mas não sou eu que importo...
Somos a História e não fazemos nada por ela, simplesmente deixamos morrer, pois é melhor o convívio social, somos a História (sabem o que isto significa?) Posso tentar-vos mudar a narrativa?
Nós temos Egrégios avós mas os nossos filhos nem os vão poder descobrir, ler ou estudar sobre eles. Vão ler atestados de óbito vergonhosos, porque vocês não fizeram nada para ficar em casa.
As dores são horríveis, flutuantes e agressivas, os zumbidos deixam-nos loucos, os ouvidos tapados num mundo balão, a desidratação é tanta que podes mesmo afogar em líquidos, a roupa da cama pesa no corpo, as articulações e os músculos em dor de uma só caibra. a pele arde de queimaduras invisíveis que nenhum creme hidratante te ajuda, a cabeça ferve e não tens febre, a glote inchada que nos sufoca, a cabeça rebenta ao som de um passarinho, a dor é tão forte que até os dentes ficam a abanar, bebes e comes porque te obrigas, as náuseas, a diarreia, a dor de barriga, a ausência de cheiro e paladar não te deixam em paz. (O que se passa comigo, meu Deus?)
Dormes e quando acordas, pensas que não morreste, os lábios mudam de cor para cereja escuro, e percebes que não tens ar, vais a janela respirar, o frio magoa-te quando inalas, cuidas e agasalhas para não teres uma pneumonia, hoje tosses, amanhã não te moves parece que foste atropelada por um camião. A pele das mãos, dos pés, dos órgãos genitais (esfíncter e uretra) e dos lábios caí, e tu não sabes porquê. Os dias vão passando e tu está ali, sem força, o cansaço é tão pesado que te sentes tuberculosa, a água do banho magoa-te tanto que nem te apetece voltar a tomar... Doí-te tudo, doí-te tudo dia após dia, vives agarrado ao aparelho de saturação de o2, medes a tensão 16/14... e estás doente pá, como é possível!? (é, porque tu não tens Covid, não é? Porque tu andas a passear sem sintomas, não é?)
Tudo isto acontece porque este vírus é um bruto, o nosso organismo não pára de lutar, não baixa a guarda, caso baixe quem ganha é a sepsies, ou síndromas que nos ficam para a vida. 90 dias é muito tempo e muito tempo é caro em vida e financeiramente. Vai para casa, faz a tua parte.
Mas não sou eu que importo...
Todos os dias acordas com mais um sintoma, levantas-te para sentir a respiração do teu filho e marido, todos os dias te esqueces de ontem. Amanhã as dores são outras! (Estes foram os meus sintomas, eramos 3 com sintomatologia diferente. Os meus foram mais agressivos.)
- E eles continuam lá fora como se nada fosse, mas eles não entendem. Não entendem o sacrifício de quem morre ou escolhe quem vai morrer.
Por enquanto eu sobrevivi.
Tu aí, ainda podes ser TU.
...Fiquem isolados.
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sábado, 2 de janeiro de 2021
Caldinho de alface e coentros
De inspiração greco-romana, vou cultivando o longo período da Era Vegetariana (não filosófica), onde os homens só comiam o que restava dos deuses. A alface romana, de folha resistente com talo grosso, conseguia trazer à memória o sabor amargo da sua seiva, símbolo dos tempos amargos vividos e impostos por Egípcios e Israelitas, usualmente comida por altura da Páscoa. Na atualidade, segundo Jean-Claude Rodet (2012) associada a bem-estar, compreendemos que a alface é um excelente antioxidante e é anticancerígena, devendo ser consumida regularmente!
1 alface romana (lactuca sativa) 2 chuchus (sechium edule) 1 cebola roxa (purpura cepa) 1 nabo com casca (brassica rapa) 1 fatia de gengibre (Zingiber officinale) Poejo (mentha pulegium) 1 folha de louro (laurus nobilis) 1 pitada de noz-moscada (myristica fragrans) ½ colher de café de pimenta preta (piper nigrum) Coentros (coriandrum sativum) 1 cabecinha de cravinho (syzygium aromaticum) 60 ml de azeite (Ervas da Zoé BIO) Água q.b. Sal q.b.
Preparação: Deixe refogar a cebola cortada rudemente no azeite, sem queimar, e acrescente o chuchu, permitindo soltar os seus sucos e alourar. Junte os restantes ingredientes excluindo a alface. Adicione a água (não em demasia) e, ao primeiro fervor, a alface. Deixe ferver e cozer todos os ingredientes por 10 minutos. Triture e seguidamente coe a sopa para obter um creme sedoso. Caso necessário, adicione mais água, de forma a que fique um creme não aguado. Sirva quente com coentros (coriandrum sativum, do grego κορίαννον) cortados finamente. Boa viagem.













