domingo, 22 de dezembro de 2024

A Ascensão da Gastronomia e do Autor

 A Ascensão da Gastronomia e do Autor

[Escolhi a maçã para vos recordar o momento Biblico e da altura em que estamos.]


A ascensão da gastronomia de criação de autor revolucionou a forma como nos relacionamos com a comida, transformou refeições em experiências artísticas inesquecíveis. Esta tendência dá destaque a criatividade e individualidade dos chefes de cozinha, que criam pratos exclusivos e fundem tradição com inovação. Um exemplo sublime é o bacalhau confitado com lagostim, receita que vos vou trazer este Natal. As plataformas digitais democratizaram o acesso a estas receitas, permitem que qualquer pessoa, em qualquer lugar, recrie pratos sofisticados na própria cozinha, impulsionadora da comensalidade tradicional para novos patamares de interação social e cultural. O futuro promete uma fusão ainda mais intensa entre a tecnologia e a culinária, onde a inovação não terá limites e a cozinha será um palco de infinitas possibilidades criativas. 


Bacalhau com Lagostim


Usei 

4 postas de cachaço de bacalhau demolhadas

8 lagostins descascados 

algumas folhas de couve portuguesa

100g de castanhas portuguesas

100g de bacon em cubos

1 colher de sopa de segurelha fresca

3 dentes de alho picados

4 cebolinhas charlotte 

Azeite 

Sal e pimenta a gosto

Limão para decorar



Prepararei as Castanhas em água a ferver por 15 minutos. Retirei as cascas e reservei.

Confitei o Bacon numa frigideira. As charlotte inteiras e o bacon fritei até ficar crocante. Retirei e coloquei de lado, sobre papel absorvente para retirar o excesso de gordura.

Refoguei a Couve na mesma frigideira, adicionei um fio de azeite, os dentes de alho picados e refoguei para que ficassem dourados. Acrescentei a couve cortada em tiras e refoguei até murcharem. Temperei com sal, pimenta e a segurelha.

Numa panela, coloquei as postas de bacalhau com a pele para cima e cubri com azeite. Cozinhei em lume baixo por aproximadamente 20 minutos, até que o bacalhau lasque e fique macio.

Numa frigideira, aqueçi um pouco de manteiga e grelhei os lagostins rapidamente, até que fiquem rosados. Temperei com sal e pimenta.

Escolhi um prato fundo, coloquei uma porção generosa de couve refogada como base. Sobre a couve, coloquei a posta de cachaço bacalhau confitado e, ao lado, os lagostins grelhados. Finalizei com as castanhas confitadas e o bacon crocante por cima. Reguei com o Azeite a ferver.



Sirva imediatamente, apreciem esta combinação de sabores sofisticados e sintam- se felizes ♡ .

Bom apetite!


terça-feira, 15 de outubro de 2024

Residencia gastronómica "o Xisto"

Na encantadora Praia da Louçainha-Penela, onde não existem as ondas do Atlântico que não beijam suavemente a areia dourada, ergue-se o restaurante O Xisto, um refúgio gastronómico que celebra a essência da natureza envolvente. É lá que a chefe Maria Caldeira de Sousa, uma artista da culinária, traz à vida uma residência gastronómica que transcende o comum, entrelaçando sabores e aromas que ecoam a beleza do bosque circundante.
 

A atmosfera é mágica; o ar é impregnado com o perfume dos carvalhos e castanheiros, enquanto o canto dos veados se mistura aos risos dos clientes que se reúnem para partilhar experiências memoráveis. O bosque, com suas árvores imponentes e vegetação exuberante, serve como um vasto festim às cegas à chefe Maria Caldeira de Sousa, que caminha entre a folhagem, colhendo ervas frescas e ingredientes silvestres que transformam os pratos em obras-primas. Cada refeição é uma homenagem à Rota do sal, a trilha que serpenteia até a costa, onde a riqueza do mar se encontra com a generosidade da terra.  

Maria Caldeira de Sousa, a chef destemida e criativa, inspira-se nas tradições locais e na sabedoria do seu mentor, o chef João D’Eça Lima. Juntos, eles exploram a fusão do mar e da montanha, criando pratos que contam histórias de ligação e respeito pela natureza. Os peixes frescos, encomendados durante a noite aos peixeiros locais de Condeixa e Penela, acompanhadas por um caldo de massinha aromatizado com a flor do sal, dançam no prato como uma sinfonia de sabores, enquanto os cogumelos silvestres, colhidos ao amanhecer pelos locais, trazem um toque terroso que faz lembrar as florestas densas.

A residência gastronómica da chef Maria Caldeira de Sousa foi um convite a todos os sentidos. Os visitantes não apenas degustaram, mas também experimentaram a essência da Louçainha, cada prato é uma viagem pela paisagem. O cremoso gnocchi de algas marinhas com castanha que acompanha o javali, por exemplo, evoca a frescura da água, enquanto a sobremesa de frutas da época, servida com um fio de mel silvestre (urze), traz a doçura da terra à mesa.

Ao entardecer, enquanto o sol se despede atrás daquele vale na altitude, os clientes reúnem-se à volta de mesas de madeira, partilhando histórias e risadas sob a  transparência do vinho da serra do Sicó. A luz suave do luar filtra-se através das folhas, cria um ambiente acolhedor e mágico, onde a camaradagem é tão importante quanto a comida. É aqui que a chefe Maria Caldeira de Sousa, com o seu olhar apaixonado e as mãos hábeis, transforma uma simples refeição numa celebração da vida.

No” O Xisto”, a gastronomia vai além do prato; é uma experiência sensorial que conecta as pessoas à natureza e à herança cultural da região. E sob a orientação de Maria e do João, cada visita torna-se uma nova descoberta, uma nova história a ser contada, uma nova memória a ser guardada. 

A Praia da Louçainha não é apenas um destino, mas um verdadeiro santuário de sabores e tradições, onde a magia da culinária se entrelaça com a beleza do mundo natural.



E no fundo é X…isto!



[Acreditem que o peso da responsabilidade foi o que nos fez mover, Sinto uma enorme gratidão pelo meu querido amigo João.Apostamos na amizade e no respeito pelo trabalho de cada um nós ,o que nos elevou ao foco e permitiu mais um sucesso♡ ]









domingo, 26 de maio de 2024

Mercado São Miguel -Guarda

 


A carne de vaca jarmelista, da Guarda e os excelentes anfitriões.


Jarmelista é a defesa desde 2006  que se refere à carne de vaca que é criada na região da Guarda, Municipio do centro de Portugal. A jarmelista é conhecida pela qualidade e sabor, e é muito apreciada pelas suas características.


A carne jarmelista é uma especialidade regional ,os criadores de gado tentam manter as técnicas tradicionais e respeitam os processos naturais de crescimento do animal. A carne é caracterizada pela cor vermelha escuro, textura firme e macia  com um sabor intenso e de enorme qualidade..Um miminho♡


Ontem, no mercado de São Miguel, quem nunca provou a carne de vaca jarmelista da Guarda, teve a oportunidade de experimentar no Showcooking promovido pelo Município da Guarda, Traçoinox  e entre muitos outros, cozinhada por mim  a delícia Guardense!


O Prego da vazia jarmelista[oferecido pelo Eng.José Manuel- Acriguarda] foi confeccionado em chouriço frito, da Probas e um fio de azeite, alho socado e louro.

Servido em pão de qualidade excelente, acompanhado de batata [de primeira qualidade, incrível] “pala-pala” frita na hora. 

O molho; cebola reduzida e aromatizada com vinho rufete, chouriço, ervas aromáticas [da minha querida Ludovina] e alho. Todos os ingredientes guardenses foram entregues pelos seus produtores.

Existiu uma interação com a comunidade  muito empenhada e animada.

E, de inovação gastronómica confeccionei como sobremesa, Montanha de grão e mel com os Mirtilos de Idanha em Neve. 


Durante esta mostra de “cousas de comer” para além dos equipamentos da Robotcoup, e Arcos, tive a colaboração dos souschef;  Vereador do turismo Rui Melo, D.Tina e Vitor Almeida  que me prestaram apoio extraordinário.♡

Mas, não fico por aqui… 

Na primeira linha de bancada tinha o Nerga, na pessoa da Presidencia, alegre, cheio de humor observador e gourmand.

E assim, chego à mais pequenina de todas mas muito cheia de “movida” conheci a Guardense,  Cecília, impulsionadora da defesa e dinamização deste evento, foi amor à primeira vista… [que existam mais vontades e mostras desta honestidade]


 Regressei da Guarda com vontade de lá voltar. 


Adorei.


Ps: sinto uma enorme gratidão ao acolhimento que recebi. Bem hajam.

sábado, 25 de maio de 2024

Empadão de Pedriz SecXIV


 Em 2015, escolhi Idanha e todo o seu território para representar a cozinheira e a paisagem não estéril, isto é; agrícola e histórica, procuro dar ênfase à habilidade em cozinhar e preparar receituário altamente dependente de uma variedade de ingredientes frescos e diversificados que encontro tanto na produção local, mesmo que pequena mas de compromisso com a consciência e, no património cultural e histórico gastronómico. A paisagem estéril geralmente é caracterizada pela ausência de vida vegetal e, portanto, não oferece os recursos necessários para a prática da culinária. Como também é necessário uma fonte de água potável e de um ambiente adequado para a preparação higiênica dos alimentos, que geralmente não se encontra disponível neste tipo de paisagem. Assim, é improvável que um cozinheiro se encontre em tal ambiente.

Na época medieval os nobres plantavam as suas hortas com plantas e árvores estéreis, isso era feito por razões estéticas e de status social. As hortas eram consideradas um símbolo de riqueza e poder, e criar paisagens artificiais estéreis era uma maneira de exibir o controle e a opulência dos nobres sobre a natureza. Estas eram frequentemente incluídas em jardins formais ao redor de castelos e palácios.

As plantas e árvores eram escolhidas pela sua beleza visual e características ornamentais. Incluía árvores cuidadosamente podadas para criar formas geométricas, como arbustos em formato de animais ou esculturas vegetais, lembro-me de em Mafra(terra onde cresci nos meses de Verão) ver o “jardim do buxo”onde eram utilizados canteiros com plantas que não produziam frutos ou flores, mas que tinham folhagens atraentes, como o buxo e a hera.

Além da estética, as plantas estéreis também ofereciam uma vantagem prática aos nobres. Como essas plantas não produziam frutos ou flores, elas não atraíam insetos indesejados como abelhas e mosquitos, o que tornava essas áreas mais confortáveis para o prazeroso tempo passado ao ar livre.

No entanto, é importante a ressalva que nem todas as hortas medievais eram estéreis. Muitas também eram utilizadas para o cultivo de alimentos, ervas medicinais e plantas aromáticas, pois era necessário suprir as necessidades alimentares das famílias nobres.


Empadão de perdiz Sec XIV


Depois de depenadas e bem lavadas, cozem em água fervida as perdiz até estarem macias. Retiram-se todos os ossos e em lascas junta-se aos cortes miúdos em cebola roxa, que se deixa fritar em banha de porco. 

Acresce-se o alho, louro, pimenta em grão, e ervas; carqueja e tomilho.


Noutra panela já cozeu as batatas que nesta época [séc XVI] se tornaram moda.

Use um tabuleiro furado e esmigalhe a batata, basta uma vez. Após esta tarefa, adicione um pouco do caldo de cozer a perdiz, manteiga, noz moscada, alho e sal, batata muito bem até obter um puré consistente.

Por camadas, coloca-se o puré e a perdiz até chegar ao top do tabuleiro de barro retangular. 

Bate duas gemas e pincele o topo, coloque umas rodelinhas de chouriço e farinheira, leve ao forno até que todos os sabores se mistuŕem. 

Divirta-se entre os séculos e na comensalidade. 




sexta-feira, 17 de maio de 2024

As flores do meu jardim

Olhem bem para o vosso jardim!
O dente-de-leão é o vosso fito-farmaceutico!
 Poderoso tónico para o fígado e os rins,
actua como um diurético, permite que os 
resíduos sejam removidos rapidamente
 do corpo. É uma erva amarga, estimula o 
sistema digestivo, ajuda a absorção 
dos nutrientes nos alimentos com mais
 eficiência,  e gera menos resíduos 
metabólicos. 

Assim, significa que o fígado pode usar a sua energia em tarefas
 mais importantes, como por exemplo livrar o corpo do excesso de gordura armazenada. E, como todas as verduras do início da primavera, as folhas do dente-de-leão são carregadas de vitaminas e minerais – algo que geralmente nos falta durante o inverno.
Têm uma ação tónica no organismo, o dente-de-leão também ajuda a reduzir a 
inflamação no fígado. 
O dente-de-leão é muito rico em vitaminas A e C, beta-caroteno, potássio, ferro e
 cobre, usado como um importante impulso nutricional para o corpo após um inverno
carregado de refeições pesadas.
 O dente-de-leão pode ser um tônico para todo o corpo, ajudando a corrigir
 problemas de eliminação como prisão de ventre, pedras biliares, indigestão,
 lentidão e cansaço. 
Também ajuda a combater problemas de pele e aliviar o impacto do diabetes e,
regula o açúcar no sangue como também a diminuir o colesterol.
Aqui está a minha flor para as águas aromatizadas 
 primaveris ♡

Divirtam-se


sexta-feira, 19 de abril de 2024

Idanha Romana




 O creme de nabo e hortelã é uma sopa cremosa e reconfortante, perfeita e ancestral ♡


Os nabos descascados e cortados em pedaços, cebola, alho, caldo de legumes, batata,noz de manteiga, sal, pimenta, uma colher de vinagre e hortelã a gosto.


Comece por refogar  a cebola e o alho na noz de manteiga até que fiquem translúcidos( sem queimar). Adicione os nabos e refogue por mais alguns minutos. Cubra com caldo de legumes e deixe cozinhar até que os nabos estejam macios. Use a trituradora para que sopa tenha uma consistência cremosa. Coe, tempere com sal, vinagre(eu coloco balsamico),pimenta e hortelã a gosto. Sirva quente e desfrute desta deliciosa sopa de nabo!





quarta-feira, 17 de abril de 2024

beldroegas na minha horta é sopa ❤

O caldo de beldroega é conhecido por ser rica em nutrientes e vitaminas. A beldroega possui um sabor leve e fresco, juntamente com outros ingredientes como batatas, cebolas e ervas aromáticas.



É importante buscar alternativas e tecnologias que permitam aproveitar os recursos naturais de forma eficiente e responsável, como a implementação de práticas de sustentáveis.



Ao aproveitar os recursos naturais de forma sustentável, é possível promover o desenvolvimento económico e social sem comprometer o equilíbrio ecológico do planeta. As soluções sustentáveis e a adoção de práticas responsáveis são fundamentais para garantir um futuro mais saudável para todos.

Relembro-vos um caldo que faço muito, afinal  a rega das beldroegas é ao mesmo tempo que a restante horta♡ 


Para preparar a sopa de beldroega, basta refogar os legumes picados em azeite, adicionar água ou caldo de legumes e deixar cozinhar até que todos os ingredientes estejam macios. Depois é só adicionar as folhas de beldroega, o ovo para escalfar e deixar ferver por mais alguns minutos. Sirva quente e delicie-se com esta saborosa e saudável sopa!

terça-feira, 26 de março de 2024

Endívias em idanha


[Escrito a 26 de junho 2023]

 Querida Manuela, 


acredito que se encontra bem, e cheia de apaixonados fazeres. Neste imenso calor que se faz sentir em Idanha, penso nos  antigos egípcios, gregos e romanos que utilizavam a chicória selvagem ou endívias como medicamento na cura de algumas doenças. Existem registos na literatura egípcia, que referem o consumo desta verdura tanto cozida como crua. 


Mas devo referir que na Europa aparece com data do século XIII.


Uma salada de endívia com romã e lima é o que apetece, potenciam a vitamina C e D, óptima para comensais cheios de calor. 



Corte as endívias em quartos na sua verticalidade, unte com azeite, tempere com sal e pimenta preta. Com o grelhador já bem quentinho, coloque-as ao lume, na zona de mais calor durante 3 a 4 minutinhos de cada lado.


Podem ficar queimadinhas pois intensifica o sabor natural da endívia, mais para o doce. Vão tornando-se macias, é fácil perceber quando estão prontas, as folhas vão se soltando. 


Entretanto prepare um melaço de romã com mel, alho e sumo de romã. Deite por cima e raspe a lima.


Uma entrada maravilhosa para uma reunião de amigos e um rosé.




domingo, 24 de março de 2024

A água do jardim [alimento para a alma]

Hoje, no jardim ao ver o guardião entre abelhas e borboletas ♡



Eram as pétalas em dança com as borboletas,
E as abelhas em zumbidos de doce sinfonia,
No jardim, um verdadeiro paraíso,
Vejo laranjeiras que florescem em pura harmonia.

O aroma suave de perfume no ar,

Envolvendo os sentidos numa brisa leve

os espirros vibrantes das asas que batem,

Levam o gato ao telhado

em saltito aparvalhado

Entrego a paz ao sonho breve.


Que bela sinfonia de vida e cor,

Uma dança suave da natureza em ação,

Enchi o coração de gratidão,

Neste simples jardim, cheio de puro amor.


[Foto do meu jardim, créditos Vidu Éach ]



terça-feira, 19 de março de 2024

post-mortem report


 Querida Manuela,





Sei que estás bem, pois hoje vi fotos tuas giríssimas.



Vejamos hoje para onde vai a imaginação, tantos assuntos que gostava de falar.


Escusado será dizer que as cartinhas enviadas são criadas por laivos de imaginação na 1a pessoa, mas em tempos antigos escreviasse na 3a. 


As mensagens funebres, Romanas por exemplo,eram epigrafias fabulosas. 


O Prof. Dr. Armando Redentor exibe um verso arrepiante de um pai que perdera o seu filho jovem, está exposto em Idanha-a-Velha; 



"Pubertatem ingressus, nec tristem mortem timeo, Ancetus, Celti filius, brevem Fatum explevi meum. hic iaceo; hic, cinis, requies."


"Entrando na puberdade, e sem ter medo da triste morte, eu, Anceito, filho de Célcio, cumpri o meu breve destino. Aqui jazo; aqui, cinzas, reposai." - Museu Epigrafico de Idanha-a-velha



Linda homenagem e arrepiante. Fico muito emocionada com o Luto deste pai romano.


Um assunto pouco defendido entre todas as ciências. E na gastronomia?



Poucos falam nos banquetes fúnebres, no alimento que acarinha a dor e atenua a lembrança dos seres que partem através do sabor. Reune-se familiares e amigos, fazem exéquias com gargalhadas e choros, relembrando pontos comuns. Mas do pão e da partilha do alimento na vida dos que vão é ultrapassado por todos os indivíduos.



O alimento do ego, o alimento da alma, o pão da dita comunhão.


O laço da alma através do pão, a união dos singulares vivos que se guardam e castigam na água e sumo da Terra (vinho) é a formação de uma nova forma de disseminação que se deixa ultrapassar pela falta de comunicação.


A construção da individualidade está na partilha do pão.


Pão para o luto, o alimento desinteressado. 


Porque será que quando existe sacrifícios ou penitências se corrige com a alimentação?


Bom, entrego à conversa outra receita que trará alma aos que ficam e com os fumos (canal de comunicação) se convence quem parte que é seguro elevar-se aos céus.



Pão de segurelha



1000g de farinha de trigo


15 g de fermento de padeiro


Sal, segurelha 


50ml de azeite


300ml de água 



Colocar a farinha numa maceira, com as mãos fazer um buraquinho no centro colocar o fermento padeiro seco, o sal e um pouco de água morna. Diluído, junte o azeite e misture com a farinha e a segurelha, amasse com a restante água.


Deixe descansar e levedar até que dobre o tamanho. Dívida em pequenas porções e deixe descansar novamente.


Agora, espalhe a massa até ficar com a grossura de um dedo, pique com os dedos ou um garfo e leve ao forno de lenha já bem quente. Por ser finamente espalmado é rápida a cozedura.


Depois de cozido o pão, pincel generosamente com azeite e umas pedras de sal. 


Alivie a dor e assegure-se que vê refletida "Neles" o sabor da partida de alguém com a alma cheia de amor!


Comer e beber na vida e na morte.


Beijinho 



Chefe Maria Caldeira de Sousa

quarta-feira, 6 de março de 2024

Caldo de Alface

 



Os sábios da gastronomia são aqueles que vêem a culinária com alma e aqueles que cozinham com paixão, dedicação e amor. Enxergam a comida como uma forma de expressão artística e de conexão à comensalidade. Cozinhar vai muito além de simplesmente preparar uma refeição, é uma forma de transmitir emoções, memórias e cultura através da sua sensibilidade. Entregam energia e criatividade em cada receita, trazem um pedacinho de si e das suas experiências.

Cozinhar com alma significa cozinhar com o coração, reflete-se na maneira como os sabores se harmonizam e como os comensais são tocados pela entrega ao palato.

Possuem um profundo conhecimento e uma grande paixão pela gastronomia, instintivo, os sábios da culinária são eternos aprendizes. 

Nesta área vasta e complexa, com infinitas possibilidades e combinações, técnicas e ingredientes, até os mais experientes chefs e cozinheiros têm algo novo para aprender e descobrir.

 Entendo que a humildade e a disposição para aprender são essenciais para o crescimento e a evolução tal como em todas as ciências. Estar sempre atento a novas ideias, tendências e experiências,  constantemente aprimorarmo-nos em habilidades e conhecimentos. Cada prato é uma oportunidade de aprendizagem e brio, a alma está na retaguarda das novas inspirações e desafios.

Considerados mestres na arte da culinária, os sábios da gastronomia mantém a humildade de um aprendiz, sabem que sempre há algo novo para descobrir e aprender na cozinha.



O meu caldinho de alface e coentro (vegan)


1 alface Romana (Lactuca sativa)

1 batata grande

2 xuxus (Sechium edule)

1 cebola roxa (purpura Cepa)

1 nabo com casca (Brassica rapa)

1 fatia de gengibre(Zingiber officinale )

poejo (Mentha pulegium)

1 folha de louro (Laurus nobilis)

pitada de noz moscada (Myristica fragrans)

½ colher de café de pimenta preta

coentros (Coriandrum sativum, do grego κορίαννον)

1 cabecinha de cravinho (Syzygium aromaticum)

60 mg de Azeite (ervas da Zoe Bio)

àgua qb

sal qb

Deixar refogar a cebola cortada rudemente numa noz de manteiga e sem queimar. Acrescentar o xuxu e a batata partidos permitindo soltar os seus sucos e alourar. Juntar os restantes ingredientes excluindo

alface. Adicione a água (não em demasia) e ao primeiro fervor a alface. Deixe ferver e cozer todos os ingredientes por 10mn. Triture muito bem seguidamente coe a sopa para que obtenha um creme sedoso, caso necessário adicione mais água de forma a que fique um creme não

aguado. Sirva quente com coentros cortados finamente e uma gota de vinagre balsâmico. 


Boa Viagem, divirta-se!



domingo, 25 de fevereiro de 2024

destino

Quando ouvi a "Tão Longe Tão perto"reportagem da Antena 1 ao João D'Eça Lima[ com o grande Fernando Alves], afinal onde se encontram os aromas e os sabores que nos transportam para outras paragens  é o destino. Que bonito!  Ao prato uma descoberta, uma experiência única que nos permite explorar os temperos gastronómicos.

Somos levados a uma viagem sensorial, em que o pecado nos transporta para o lugar distante, a escolha , mergulha em culturas e tradições diferentes. É através dos sabores que podemos vivenciar a essência de um país, a história e a identidade.

Ao que parece longe, torna-se não apenas no lugar para satisfazer a fome, mas sim um destino turístico nele mesmo, e alimentar a alma com experiências inesquecíveis.

Por isso, na viagem que se faz pelo sabor, é importante que o destino seja o restaurante, onde podemos descobrir novas nuances e enriquecer o paladar com as delícias que o cozinheiro tem para oferecer.

Existem cozinheiros e restaurantes igualmente tão únicos que se tratam por tu. ♡

Obrigado João!

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Pão de malte e cerveja preta

 A minha nova farinha chegou e como gosto de estar em movimento, hoje , depois das compras no mercado coloquei as mãos na massa. 

O meu pão é também para todos aqueles que não querem ingerir hidratos de carbono.

Este é bem especial, é de malte e cerveja preta ♡ 

10g de malte

400g de farinha de centeio moagem grossa

100ml de cerveja preta

Sal

Água morna 


Á farinha de centeio junto o malte e a cerveja bem misturados com sal.

Esta massa deve ser bem amassada, pois é hidratação a 90%.

Agora ficamos a aguardar a fermentação.





[O registo da foto é com duas horas de fermentação ♡]





quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

simples... Tomate grelhado

Cozinho o irrepetível, penso no momento e observo o futuro. Entre a capacidade da união entre o tempo e o sabor intemporal conservo o costume e a tradição. Interpreto o alegre e criativo cheios de registo ancestrais. Integro conhecimento entusiasmante na filosofia da alma e através os 5 sentidos nasce prazeroso sabor na minha cozinha.




Tomate grelhado com borrifos de azeite trufado e pérolas de flor de sal com manjericão.
Justo e perfeito.


terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Esparguete com favas emporcalhadas

Espero-a bem minha  boa amiga confrade .

Uma carta é uma mensagem escrita para uma variedade de propósitos, de amigável a formal. Cartas também são usadas por profissionais de cozinha para partilha de receituário. Sem cópia mas com muita originalidade foi-me proposto começar.

Dar caminho após o melhor acervo registado no nosso país, relembro a nossa grande Maria de Lurdes Modesto.

Hoje trago uma receita familiar e de cariz sustentável com uma "estória de amor" escondida no sabor.

Uma mãe que não era minha recebia no seu sitio num almoço de Abril os filhos e sobrinhos na enorme mesa de cozinha de campo. Salada de alface fresca com cebola e bem envinagrada trazia o cheiro que não consigo esquecer, num repasto quase Queiroziano, marcado na minha vida aquela mãe.

Favas com esparguete ( Serra de Santo António)

As favas depois de bem emporcalhadas, isto é em azeite fritar cebola, alho,cravinho louro e piri-piri, junta a carne de porco ( entrecosto) , o sal e vinho branco qb .

Depois de cozinhadas acrescentar água e esparguete. Cozer al dente. Coentros a gosto.

Divirta-se ♡

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

A tal, a cabidela

 [Escrito a 5 de junho de 2023]

Querida Manuela


Após alguns dias sem escrever, alimento agora a alma com estas pequenas letras para si…

Espero que se encontre bem e que a sua criatividade continue cheia de fome.


Todos os dias abro a porta da minha casa a pessoas que não conheço, mas que me chegam com vontade enorme de se alimentar tanto espiritualmente como de alimento. 

Confesso que este meu modelo de receber me eleva a um mundo muito mais cheio de amor que no modelo convencional da restauração. Chamo-lhe o meu “innerfood”.


Tenho conhecido gente extraordinária, que me valorizam e reconhecem.

O Rui com a sua simpatia cativa os comensais com as suas gargalhadas fenomenais, o meu companheiro  querido! 

A minha comida que os separa da modesta fome e sede, e a região que bem tratada é. Nas palavras deste dois anfitriões descobrem um território tanto na sua parte histórica como agrícola, interpretam as pequenas gralhas que o tempo foi esquecendo de lhes dar ênfase. Vendemos aldeias.

Usamos o nosso conhecimento e vivência  para dar letracia ao turismo que nos escolhe!

Ultimamente temos recebido americanos, que nos conhecem de trás para frente, assustador mas tão gratificante!!!

Hoje trago para alimento um Galo do campo bem cozinhado com arroz e muito sangue.

A Cabidela perfeita.




Rachando uma cebola roxa coloco-a ao lume com duas colheres de banha, cravinho, louro e malagueta deixo estrugir. Frito o galo, já cortado em pedaços generosos, muito bem depenado e sem pele e osso. Junto ao alho, uma colherinha de colorau, zimbro, carqueja e o ramo de salsa e, vinho branco de boa qualidade, permito à espera para que cozinhe bem e em lume brando.

Assim que tiver bem cozinhado, cresce 4 copos de caldo e ferve mais uma vez.

Ao ferver, coloco dois copos de um bago de arroz português “Carolino” aguardo que coza moderadamente sem calor demasiado mas com bastante caldo, ao repasto junto em forma generosa o sangue bem avinagrado e permito que engrosse o caldo (7mn), sirvo de imediato com um raminho de salsa por cima e agradeço aos deuses por tanta benção.



E assim me despeço de si, com imenso carinho!


Maria Caldeira De Sousa



terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Alcachofra no status gastronómico do Mediterrâneo

 A alcachofra destacou-se como um alimento consumido na Roma antiga. Os romanos acreditavam que a alcachofra possuía propriedades medicinais e a utilizavam principalmente como um digestivo. De sabor único, utilizavam em diversas receitas culinárias, desde saladas, guisados e até mesmo em sobremesas. Esta iguaria era considerada um alimento de luxo, existem registos que nos dizem que foram apreciadas pela elite romana.

Apicius o Gourmand dos tempos romanos no seu registo, a alcachofra é mencionada de variadas formas.  

As diferentes maneiras de preparar a alcachofra; cozida, frita ou grelhada e, os seus molhos e temperos são a minha predileção. Considerada uma iguaria refinada e sofisticada na culinária deste IMPÉRIO, como também frequentemente servida em banquetes e festas luxuosas.


Portanto, todo o status que lhe entrego na minha forma de cozinhar é dar continuidade ao alimento de prestígio.


Alcachofras na minha mesa


Partidas em quartos, depois de retirar as partes secas e, entaladas em água fervida com uma boa colherada de manteiga de vaca, reservam-se escorridas e secas.

 Frite-se em manteiga com alho e coentro, enfiando-lhe entre as folhas azeite, sal e pimenta, deixe caramelizar, regue-se com sumo de limão e raspa. 


domingo, 4 de fevereiro de 2024

Em cuenca- Espanha

 Cuenca a minha vizinha Espanha, já aqui  pertinho de nós ♡



Um prato simples feito com bacalhau salgado, quase uma desconstrução do pastel de bacalhau . O nome diz que possivelmente chegou a Cuenca entre os tropeiros (encarregados de transportar mercadorias com mulas e arrastar animais para zonas geográficas distantes). Pelo caminho era feito o receituário com a aquisição dos ingredientes. O ajoarriero seria o culminar de todos os negócios e vendas de vinho era quase ritualístico: “O bacalhau era transportado pelo almocreve, a fritada ou acessórios eram pagos pelo vendedor e o vinho era fornecido pelo garapitero ou mediador de tintos e claretes.” segundo registos o prato  torna-se conhecido no século XVII conjuntamente com  o chavão “satisfazer até os burros”, daí um dos seus nomes: “atascaburras”. Para alem da história muito curiosa e digna de uma nota nesta página e com muito  privilégio .


A receita de bacalhau pode ser uma entrada de qualidade. É uma espécie de massa macia ou patê feito com uma mistura de batata, miolo de bacalhau, pão ralado, ovos cozidos, um bom azeite virgem extra e alho.


Este  bacalhau ajoarriero é muito típico em Cuenca, embora muito diferente do que se come noutras zonas de Castela e Leão. De costume, feito nas festas regionais e na Páscoa.

Ajoarriero de bacalhau , ajo arriero, ajada de bacalhau, atascaburras ou pilão de ajo é um prato delicioso e de sabor extraordinário. Embora a palavra alho apareça em quase todos os nomes dados a este prato, quase não se nota na receita porque o seu sabor é intenso como o do bacalhau e cremoso por causa da batata.



Divirta-se!







sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Chouriços e morcela doce

Desta vez trago-vos somente uma ideia deliciosa para trazer aí em casa! 

Com a temporada do tempo frio, este ano brindei-me com enchidos,  fiz poucos mas suficientes. Desta vez, decidi dar alegria ao bom chouriço e dei-lhe o azinho ♡  Aperfeiçoei-me na técnica, tanto no chouriço como num bom fumeiro.


MORCELAS (pudim de sangue enchouriçado)


Á farinha de centeio, pinhões, amêndoas em pedaços, tâmaras cortadas sem caroço, gemas de ovo, 

banha de porco derretida, e sangue cozido de porco, açúcar em calda, sal, cabecinha de cravo-da-índia, canela em pó e uma gota de óleo de essencial de laranja para culinária, misture até obter uma massa maleável e encha com as tripas. De seguida coza em água fervente, até ficarem duras. Ao cozer, pique com um garfo, assim não rebentam. 

Divirtam-se com esta extravagância que aprendi a comer lá pelos lados da Noruega.




Chouriça, ao meu gosto


 Corto muito bem, pequenos pedaços, uma generosa quantidade de carne de porco, lombo e perna; aprendi que 

 envolvendo-a num pano de algodão e, deixar pendurada numa cesta de vime com um peso por cima, algumas horas, faz toda a diferença. [Os antigos faziam assim]. Enquanto isso, preparo o tempero com 0,500kg de sal fino, pimenta em grão,  alho migado(quase em pó)e louro.

Seguidamente junto à carne que descansou um pouco de carne gorda ( toucinho branco) e tempero. Misturo muito bem. 

 Encho as tripas, deixo as chouriças bem atadas. Em metade das chouriças esfrego com uma pasta de pimentão e vinho branco. As restantes ficam simples, gosto assim. Penduro em paus de loureiro e deixo secar. Deito-as ao fumeiro e a minha chouriça estará pronta em breve.


Ainda vai a tempo, se o calor não se fizer notar e a mosca não “atacar” ! 





quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

ovos à tarde fria



Sentia o inverno, tudo parado no ar, as árvores sem folhas e o silêncio quebrado apenas pelo som do vento gelado. Era uma sensação de quietude e calma, um momento para parar e refletir no meio da temporada fria. Era como se a natureza estivesse em pausa, esperando pacientemente pelo renascimento da primavera. A luz abria o caminho, devolvia o cheiro do prazer que aquecia o coração. Os primeiros raios de sol traziam consigo uma sensação de esperança e renovação. Era como se o Inverno se despedisse e a vida retornasse lentamente, trazendo consigo todos os prazeres e sensações.

Embora a pausa ainda permanecesse, as árvores em breve começam a brotar novas folhas, os pássaros voltam a cantar e os campos começam a colorir-se com flores. A pausa do Inverno acaba lentamente, dando lugar à energia e ao entusiasmo da primavera. É um momento de transição, de deixar para trás a quietude e abraçar a vida em pleno florescimento.

Ainda que a calma persistisse, é evidente que a vida retorna gradualmente e traz consigo toda a alegria e prazer que a estação mais fria temporariamente nos roubará.

A chegada dos primeiros raios de sol devolve uma sensação reconfortante e inspiradora.

Assim são os sabores [vistos por mim], onde podemos assimilar conhecimento, aprender sobre eles nas mais diversas perspectivas e permitir expandir a firmeza culinária. Despertar a curiosidade e criatividade, que nos levam a experimentar e explorar novos ingredientes, reinventar receitas antigas ou até mesmo criar pratos totalmente únicos.

A singularidade dos ovos [que me foram oferecidos, agora mesmo], alegram a campina presente. 


Ovos à tarde fria 


Numa frigideira ofereça ao toucinho branco o lume. Retire e deixe descansar. Use a gordura e junte dois ovos, acrescente a batatinha cozida cortada em pequenos pedaços [sobraram do jantar].

Adicione lascas de pimento cru, sal (pouco) e pimenta, leve ao forno por momentos, até alourar os ovos. Salpique com o toucinho branco frito desfiado e cebolinho.

Dois dedos de vinho tinto alegram o copo que beberico, o mesmo que me aquece neste frio do campo entre as garfadas que me consolam a alma, aqui em Monsantel.


Divirtam-se 

 [Foto tirada da net]