sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Servido a Fernando Melo (crítico Gastronómico) |wine route BI


Cozinha Simples fragmentos Históricos




“Cozinha” remete-nos para produtos-ingredientes, utensílios e técnicas culinárias.“Mesa” cobre tanto o serviço e consumo dos bens alimentares (quer os“cozinhados” quer os consumidos crus), como códigos de comportamento e sentidos dos atos de “servir”, “servir-se” e “ser servido” (à mesa).“Gastronomia”, termo de origem grega, precisamente usado como um dos títulos que na Antiguidade (segundo o testemunho de Ateneu, compilador dos fragmentos a chegarem aos nossos dias) a obra de Arquéstrato recebeu,significa, literalmente, “estudos do estômago”. In C.Soares



Entrada /starters


Pratinho de Iguarias do Mundo Raiano


  • Queijo de Mistura de leites de ovelha e cabra com coalho animal com pequenas notas de sal 

  • Chouriço Batateiro (representativo da miséria,1950 os anos de maior abandono em Idanha a Velha. Onde as mulheres ficaram com o trabalho agrícola procurando o sustento para as crianças, usavam a gordura dos chouriços (dada por Sr. Marrocos) e misturavam o excedente da batata cozida, tornando assim neste célebre chouriço)

  • compota de figo artesanal [ Cheffe Casa da Velha Fonte]

  • Azeitona da horta temperada 

  • Pão de azeite (bica) outrora tempos Gregos e Romanos, identificando a sustentabilidade na cozedura (poupança de lenha).

  • Pão artesanal da Zebreira


  • Quinta do cardo  rosé 2016 CALADOC RESERVA



Prato Principal/ Main Course 


  • Miga Romana (recheada de legumes endógenos) - inspirada no sec IV  pautada pelos tradicionais e respeitados princípios clássicos do “nada em excesso” com Costeletas de borrego onde se pretende demonstrar que a tradição nos faz refletir sobre padrões alimentares requintados. 


  • Quinta da Biaía biológico e vegan 2019   60% touriga Nacional 20% touriga Franca 20% touriga Roriz Beira Interior Tinto  


Sobremesa


  • Mousse de Rosas com avelã - o chocolate de Roma 

  • café bio Delta


  • Casas Altas Bruto Espumante branco Chardonnay




sábado, 16 de dezembro de 2023

Broas castelares

Não fosse eu nascida e criada em Lisboa...
 Na minha mesa de Natal oferece-se o sabor a casa, urbano mas muito gostoso.
A  broa Castelar é um doce típico de Natal da região de Lisboa e Vale do Tejo em Portugal. São broinhas fofas com formato elíptico e alongado de cor dourada feita pelo o pincel com gema de ovo. Numa mistura de  batata doce e amêndoa.

3 batatas doces assadas 
1 chavena de farinha de amêndoa 
Raspa de limão e laranja
3 colheres de açúcar 
4 colheres de sopa de farinha de centeio
Baunilha
2 gemas






Misture tudo muito bem, forre com papel vegetal o tabuleiro do forno e barre gordura para que não pegue. Forme pequenas quenelles, achatando-as com a colher, pincel com a gema de ovo e leve ao forno por 15mn a 200graus.
Depois de cozidas, barre com geleia de laranja e coloque os berloques de açucar coloridos.

Divirta-se no Natal ♡

Pesto de Inverno


Hoje, recebi de prenda espinafres tratados com muita consciência♡ por gratidão fiz um dos molhos que mais gosto. 

O pesto é um molho tradicional da região da Ligúria, na Itália. A origem remonta ao século XIX e está associada à cidade de Gênova.


Cre-se que o pesto surgiu como uma variação do molho romano chamado "moretum", que era feito com alho, queijo, azeite e ervas. Com o tempo, a receita foi aprimorada e acrescenta os ingredientes característicos do pesto: manjericão, pinhões, queijo pecorino (ou parmesão) e alho.

A receita do pesto genovês mais antiga foi registrada num livro de receitas datado de 1863, "La Cuciniera Genovese" (A Cozinheira Genovesa), escrito por Giovanni Battista Ratto.

A popularidade do pesto espalha-se ao longo dos anos, com admiradores em todo o mundo. 
Atualmente, há uma grande variedade de pestos, com diferentes ingredientes e adaptações regionais.

Deixo-vos uma das minhas preferências e criação, que utilizo em queijo fresco, arroz, esparguete, tostas, bases para cozinhados, etc...

Totalmente vegana.


Ingredientes

300g de espinafre de Inverno 
3 nozes partidas
10 amêndoas idanhenses
Manjericão 
1 tomate desidratado
2 dentinhos de alho
Sal e pimenta
Azeite 
Sal

Usar o centrifugador de cozinha, misturar muito bem, tudo ao mesmo tempo. Acrescentar azeite para que se conserve sem secar.

Divirta-se

Ruby, o meu creme bruleé

 

No meu cantinho de sabores, desenrola-se uma dança, onde doces e robustos, seus caminhos se encerram.

Deixo-me levar por um creme bruleé beijado pelo fascínio do vinho, uma sinfonia de sabores, ricos e puros. Das profundezas do rubi surgem os taninos, Abraçado o creme, como reside a paixão entre o caramelo crepitante e uma chama ardente. A fusão de sentidos com uma mania de cozinheira. Um caso divino, como seda entrelaçam-se com elegância. As notas aveludadas, um dueto de deleite, acende as chamas, e o voo gustativo une-se ao olfato. Oh, creme brulé ruby, um amor incalculável.

Uma união de prazeres, paixões descontroladas, cada colherada pintou um quadro na minha alma escrevendo-as nos meus sentidos.







Ingredientes:



500 g natas à temperatura ambiente

1 vagem vagem de baunilha

2 cascas de limão só a parte amarela

130 g açúcar amarelo (usei branco, não tinha amarelo)

½ copo de vinho tinto (bom vinho)

½ copo de vinho do porto

6 gemas de ovo

1 pau de canela

1 flor de anis

1 cabecinha de cravinho

1/2 lata de leite condensado 

Açúcar amarelo misturado com branco para polvilhar e queimar


Prepare as vagens de baunilha, usando uma faca corte-as ao meio e abra. Raspe as sementes com a ponta da faca e coloque num tachinho.

2. Adicione ao tachinho as natas, o leite condensado e os vinhos e as cascas do limão e as especiarias, coloque em lume brando, sem nunca deixar ferver.

3. Adicione o açúcar e mexa bem. Retire do lume e deixe arrefecer um pouco.

4. Pré aqueça o forno a 140°C

5.  bata bem as gemas com uma vara de arames e depois vá juntando as gemas as natas, devagar e por um fio para que o creme não queime os ovos. Mexer sempre. Retire o creme (com cuidado para que as cascas de limão ou as especiarias não se juntem, retire-as) e encha as formas.

6.  Leve as formas ao forno a 140°C, em banho maria, cerca de 25 minutos.

7.  Depois de cozido, polvilhe com açúcar amarelo e queime.


Divirta-se ♡





quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Rabanadas ao meu modo ♡

As rabanadas têm origem antiga, remontam à Idade Média ( 476 a 1453). Estudei que foram criadas pelos monges católicos em mosteiros europeus como sustentável  rotina doméstica, aproveitar o pão do dia anterior.

Nesta época tão bonita da história, as rabanadas eram refeição ideal para o jejum da Quaresma, quando carne, ovos e laticínios eram proibidos no seu consumo. Os monges mergulhavam fatias de pão duro em leite ou vinho, passavam-nas em ovos batidos e  fritavam em óleo quente.



Este receituario moveu-se pela Europa e torna-se numa sobremesa popular, especialmente durante as festas de Natal e Ano Novo. Ao longo dos séculos, as rabanadas passam por diferentes variações, como o uso de açúcar, canela, até mesmo recheios e  caldas.
Na contemporaneidade, as rabanadas são apreciadas em várias partes do mundo, cada país com seu cunho especial.
 Portugal oferece as rabanadas  acompanhadas por caldas de laranja ou vinho e mel.
Independentemente das variações, as rabanadas são um costume gastronómico que nos conecta ao passado e às raízes da culinária europeia.

Com grande orgulho deixo-vos as rabanadas cá de casa, as minhas,  que para além da família também os convivas que nos visitam, adoram.

Corto as fatias da pão de forma duro em 4 pequenos quadrados, rego com whisky "Monkey Shoulder"  e açúcar. Deixo repousar por 40mn, passando-as depois por ovos batidos com raspa de laranja. Frito em óleo de boa qualidade (o meu é profissional, aguenta altas temperaturas), coloco a escorrer e passo por açúcar e canela.
Por vezes, nos dias seguintes, quando sobram rego-as numa calda que faço de casquinha de laranja e açúcar em ponto espadana.

Divirtam-se ♡♡♡


terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Marmelada de casca de laranja - Monsantel

A marmelada de laranja, delicioso doce  feita a partir de laranjas e açúcar. É um doce tradicionalmente consumido em muitos paises do mundo, principalmente durante o inverno.





 Para a marmelada de laranja, vai necessitar das cascas;







- 1 kg de laranjas  e a  casca fina (sem branco

- ½ sumo de laranja 

-½ sumo de limão 

- 500g de açúcar

-cravinho

-pau de canela



Aqui deixo passo a passo a marmelada de laranja:


1. Lave bem as laranjas e retire a casca fina da fruta,  cuidado para não ter a parte branca,  é amarga. Corte as cascas em tiras finas e reserve em água escaldada..


2. Descasque as laranjas, e retire toda a casca branca, corte a laranja em pedaços pequenos, retire também os caroços.


3. Coloque as laranjas picadas num tacho grande e adicione água suficiente para que cozam. Cozinhe em tempertura média-alta por 30 minutos ou até as laranjas ficarem macias.

4. Escorra a água e bata as laranjas cozidas com varinha, até obter uma mistura homogênea.

5. Junte a  mistura de laranja no tacho com as cascas cortadas finamente e adicione o açúcar. Cozinhe na temperatura médio-baixo, mexendo sempre, até o açúcar dissolver completamente.

6. Mexer ocasionalmente para não agarrar no fundo do tacho. A marmelada estará pronta quando atingir uma consistência densa, isso pode levar de 1 a 2 horas.

7. Enquanto a marmelada coze , esterilize os frasquinhos de vidro com tampas, submergindo em água fervida 10 minutos.

8. Quando a marmelada estiver no ponto deixe arrefecer por alguns minutos.

9. Coloque a marmelada ainda quente nos fraquinhos esterilizados, feche bem as tampas e vire-os de cabeça para baixo. Vai ajudar a criar um vácuo e garantir a conservação da marmelada.

A marmelada de laranja pode ser consumida com pão, torradas, bolos ou até  como recheio de bolachas e sobremesas. Óptima opção para um chá de amigas ou apenas desfrutar de um sabor único e delicioso para além de sustentável ♡


Divirta-se ♡



domingo, 3 de dezembro de 2023

Míscaros no Alcaide -LAA

 Lactarius deliciosus , o cogumelo comestível de chapéu largo, alaranjado, formato aplanado com ligeira depressão no centro e laminado na face inferior e pé com manchas de cor mais escura, normalmente conhecido por pinheira, raivaca, sancha, vaca-vermelha.

Nesta aldeia da cova da beira, Alcaide,  são promovidas caminhadas, workshops e ecoshowcookings para melhor compreensão deste tão grande mundo dos fungos. Para além de toda a partilha de informação, ainda pode comprar no Centro de Recolha de cogumelos as delícias desta comunidade.

Um verdadeiro conhecimento ancestral nas mãos de uma comunidade activa que têm como subsistência e paixão no ecossistema da vida natural e funcional.

Imaginem uma clareira de pinheiros num presépio chamado Alcaide, numa cesta cheia de silêncio vem o almoço para alimentar os convivas micológicos cheios de inspiração Micológica. 

Tudo em segurança é preparado. 



O cheiro da larga frigideira começa a perfumar o pinhal, ouvindo-se a música do caminho pisado entre a caruma e o micélio corrompido,  tudo isto é cogumelos.

O bago escolhido por esta Liga de amigos é o Ariete da bom sucesso - Orivarzea, largos anos de cumplicidade com este projecto.

Vamos lá então provar:

Arroz

Miscaros,  boletos edulis,  mistura dos bosques (seleção LAA)

Cebola

3 cabeças de Alho cortadas ao meio.

Azeite

Ervas aromaticas (carqueija, segurelha, louro, majerona)

Rama de cenoura

Bagas (zimbro, flor de aniz)

Piri piri

1 chouriço (sacif)

1 farinheira (sacif)

1 toucinho fumado de bizaro (quinta da Fonte Insonsa Bio)

Banha e azeite

Vinho Quinta dos Currais branco


Começo por fritar os enchidos no toucinho fumado, e em banha, aos poucos vou acrescentando a cebola, as ervas, as cabeças de alho cortado ao meio viradas para baixo(sem queimar). Depois de fritinhos, retiro os enchidos e reservo. 

Acrescento os cogumelos sem cozinhar demasiado e segue-se o arroz sem adicionar qualquer líquido, selamos o bago para que não se desfaça, aguardamos que o calor una os sabores; cogumelos e arroz. Rego com abundante vinho Quintas dos Currais e calmamente com espátula vou revolvendo o festim para que nada se agarre. Chegou agora a vez da água que vai permitir a cozedura uniforme do arroz. Não deite demasiada, para que não tenha que repor os temperos. O sal entra neste ponto em alegre ovação e deixe cozer, sempre remechendo com a espátula. 

Esprema um sumo de limão por fim e deguste em amena cavaqueira o repasto oferecido.

Em harmonia e enorme carinho ♡

Gratidão LAA, Gratidão Alcaide.







sábado, 2 de dezembro de 2023

Limão idanhense, da Maria Caldeira de Sousa

O século XV, brinda-nos com o Limão pelas mãos dos navegadores portugueses. Somos pioneiros na exploração marítima e na descoberta de novas terras, estabelecendo rotas comerciais que nos permitiram trazer especiarias exóticas, como o limão, da Ásia e do Oriente Médio para a Europa. Desde então, o limão tornou-se parte importante da culinária portuguesa, sendo utilizado em diversas receitas, como sobremesas, marinadas, molhos e até mesmo para temperar peixe.
Cá por casa temos uma árvore Limoeiro, sempre disposta a dar-nos ambundantemente Limão. Como sustentável cozinheira, vou corrigindo o excesso com conservas. A minha favorita é o  achar de limão, é uma conserva feita com limões cortados e macerados em sal. Utilizo muito no meu modo de culinária para dar um sabor cítrico e ácido aos pratos.
Achar de Limão ao meu modo(para frasco de 2 kg)

8 Limões
2/2 chavena de sal
1 sumos de Limão 
4 colheres de sopa de caril ou especiarias como pimenta em grãos, cravo-da-índia, canela em pau, entre outros...
1 ramos de coentro fresco
Azeite pra encher o frasco

 Para fazer o achar de limão, é necessário cortar os limões em fatias finas ou em quartos, retirar as sementes e deixar de molho em água salgada aproximdamente de 1ou 2 duas horas,  assim a conserva ficará com sabor mais intenso. Adicionar por camadas todos os ingredientes num frasco de vidro, no final encha com azeite e deixe que todos os sabores se misturem, vá voltando ao contrário para que o caril se misture com o limão.

Divirtam-se ♡







segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Rosti do Alcaide 2023


O Festival dos Míscaros e Cogumelos é um evento que acontece todos os anos na aldeia de Alcaide, localizada no concelho do Fundão, em Portugal. O festival tem como objetivo promover os produtos locais e valorizar os recursos naturais da região, especialmente os cogumelos e as suas gentes.

Durante o festival, acontecem diversas atividades relacionadas com cogumelos, como exposições, colheita e identificação de espécies, workshops de culinária, degustações, apresentações musicais e outras atrações culturais onde a comunidade local se envolve em grande escala. Os visitantes também têm a oportunidade de adquirir produtos à base de cogumelos, como compotas, doces, licores, entre outros.

Este Festival único da  beira interior, conta com a presença de especialistas na área, que realizam palestras e debates sobre os cogumelos e sua importancia ecológica. Também é possível realizar trilhos e caminhadas circundantes à aldeia para aprender mais sobre a natureza e a diversidade de cogumelos presentes na região.

O Festival dos Míscaros e Cogumelos no Alcaide é uma oportunidade única para os amantes da natureza e da gastronomia conhecerem mais sobre este fascinante grupo de organismos e desfrutarem de um ambiente acolhedor e tradicional.


A chef Maria Caldeira de Sousa, novamente, marcou presença no Festival dos Míscaros e Cogumelos no Alcaide. Reconhecida pelos seus talentos culinários e expertise em pratos à base de cogumelos, a chef foi convidada para participar no evento e demonstrar as suas habilidades e conhecimentos na preparação dos cogumelos.


Durante sua participação em tasca, Maria Caldeira de Sousa apresentou as suas criações e partilhou dicas  para o melhor aproveitamento dos míscaros e cogumelos na culinária. A sua presença no festival atraiu muitos apreciadores da gastronomia, que puderam degustar as delícias.

Além da sua participação na parte gastronómica,  a chef Idanhense também partilha experiência e conhecimento num workshop, o que reforça ainda mais a qualidade e o prestígio do festival dos míscaros e cogumelos no Alcaide.



Rosti com batata do Alcaide e Cantharellus 


2 batatas

1 colher (sopa) de azeite

1 pitada de noz moscada

1 ovo 

1 colher (chá) de sal e pimenta moída na hora a gosto

200g de cantharellus

1 cebola

 ½ chouriça das beiras

1 colher de gordura animal

4 gemas de ovo

1 colher de azeite


Lave, descasque e passe as batatas pela parte grossa do ralador.Abra um pano de prato limpo sobre um escorredor e coloque toda a batata ralada no centro. Una as pontas do pano, formando uma trouxinha, e torça bem para extrair o excesso de água.Transfira a batata ralada para uma tigela e tempere com os ingredientes una com o ovo já mexido.


Leve uma frigideira antiaderente de cerca de 20 cm de diâmetro ao lume, no mínimo. Regue com o azeite e gire a frigideira para untar todo o fundo e as laterais. Espalhe a batata ralada pela frigideira, cubra todo o fundo, e pressione com uma espátula. Deixe cozinhar em lume brando por 10 minutos, até que a base fique dourada. 

Atenção: não aumente o lume para acelerar o processo, a batata rosti ficará crua.

Com a espátula de silicone, solte as laterais e o fundo vire a rosti para um prato raso, cubra com a frigideira, segure o prato e vire de uma só vez. ( estilo omelete) deixe cozinhar dos dois lados.

Noutra caçoila frite a chouriça beirã, cortadinha e a cebola, junte os cantharellus coloque no topo da rosti.

Na mesma caçoila use a gordura para aquecer a gema de ovo sem cozer demasiado.

Coloque no topo dos cantharellus e salpique com cebolinho fresco.


Um enorme agradecimento à Liga Amigos do Alcaide e ao seu Presidente Fernando Tavares, mais uma vez mostraram que basta querer para acontecer.


 


sábado, 11 de novembro de 2023

Puré de Castanha - Monsantel

E no outono, à medida que as folhas ficam douradas e o ar fica fresco, os comensais reunem-se  para celebrar os sabores mágicos e o purê de castanhas é um prato que conquista corações.


Puré de castanha 


Ingredientes:

1kg  de castanhas 
1 cherovia
1 pitada de  Erva doce
2 dentes de alho
Pitada de noz moscada
1 folha de louro
1 cebola pequena
Raspa de gengibre
1/2 colher de chá de sal (opcional)
1 chavena de caldo de legumes
1 copo de vinho branco
Azeite
1/2 colher de banha. 



Instruções:

1. Coloque as castanhas descascadas, o azite, a cherovia, a cebolinha, e os temperos (coloque o alho só no fim, para nao queimar)numa frigideira.
Leve a lume médio-alto e deixe  por cerca de 15-20 minutos, ou até que as castanhas fiquem macias, sempre a  acrescentar o vinho e o caldinho.

Depois de macias, triture as catanhas com ajuda de um robot de cozinha. Adicione o sal.
 Bata as castanhas até obter uma consistência de puré cremoso. Se a mistura estiver muito espessa, coloque mais um pouco de água, até atingir a consistência desejada.

Acompanhe com uma bela galinha assada e doce de frutos vermelhos.

Divirta-se 







sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Migas de rosa Sr. são Migas

Na mitologia greco-romana, a rosa estava associada à Afrodite ou Vênus, deusa do amor e da beleza, portanto, uma flor sagrada de elemento fogo, que simboliza a fertilidade, a beleza ou até mesmo, a virgindade.

Não fugindo ao meu estilo, da lenda, onde para gregos, a rosa era uma flor branca e  que se tornou vermelha no momento que Adônis foi ferido de morte e Afrodite, sua amada, transformou a cor das rosas ao picar-se num espinho. Diante disso, além de simbolizar o amor e o romantismo, a rosa é a regeneração.

Nas mesas do meu restaurante a Rosa é uma das migas que preparo simbolizando a solidariedade e St Teresa de Aragão esposa de Grande Rey D. DINIS

Migas de Rosa 2 pax

1 cabeça de cravinho

3 dentes de alho

3 lascas de gengibre 

2 fatias grossas de Pão casqueiro demolhado em vinho branco ( pão trigo de Idanha a velha)

100g de favas

3 fatias de toucinho branco 

1 folha de louro

20g de folhas de rosa comestíveis

Pimenta preta, noz moscada, ½ colherzinha de açafrão , sal qb coentros  e poejo 

1 ovo 

Azeite 


Deixe derreter em lume o toucinho, juntando um pouco de azeite e os alhos socados, sem queimar. junte as favas descascadas, o cravinho, o louro e o gengibre migado,  frite pouquinho tempo e misture 15g das rosas e pétala desidratada. Misture o pão espremendo com a mão, una sempre em lume médio e sempre com as ervas e especiarias. Ao ovo retire a clara e coloque no centro da miga salpicando com pimenta e as rosinhas que sobraram no tempero.

E permita se a um manjar único feito por Cheffe Maria Caldeira de Sousa (prato de autor) 


[ casa da velha fonte migas para o prezado Fernando Melo marca registrada]


quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Dia de celebrar o desapego

Hoje é o dia de celebrar o desapego, de celebrar os nossos antigos, em reunião com a família que se junta. Nada melhor que vos oferecer a broinha que me satisfaz♡ 

Ingredientes:

- 2 chávenas de farinha de trigo

- 1 colher de chá de fermento em pó

- 1 colher de chá de bicarbonato de sódio

- 1 colher de chá de canela em pó

- ½ chávena de cacau em pó

-½ chávena de café mistura solúvel 

- 1/2 colher de chá de noz-moscada

- 1/4 colher de chá de cravo em pó

- ½ colher de erva doce

- 1/2 chávena mel

- 1/2 chávena de açúcar mascavo

- 2 ovos

- 1/2 chávena de azeite

- 1/2 chávena de nozes picadas, amêndoa...

- pitada de sal


Ao forno a 180°C e unte um tabuleiro  com manteiga e farinha.

Numa tigela, misture a farinha de trigo, o fermento, o bicarbonato de sódio, a canela, a noz-moscada,o cravo em pó, cacau, erva doce e café solúvel.

Num tacho misture o mel, o açúcar mascavo, os ovos e o azeite.Agora que têm as duas misturas de ingredientes secos junte numa só mistura de mel e mexa até que fique homogénea, leve ao lume e coza até a massa começar a não colar ao fundo. Desligue o lume e aguarde que arrefeça. 

Adicione as nozes picadas.


Faça pequenas bolinhas, com a mão untada de azeite, leve ao forno preaquecido por 7 minutos, mais tempo ficam mais riginhos.

Retire, deixe arrefecer e passe por açúcar granulado. 


Deliciosas broinhas que vos trarão o "pão por deus" das minhas boas memórias.


Divirtam-se ♡ 




quarta-feira, 25 de outubro de 2023

batatinha Espanhola

Trazidas pela mão dos conquistadores espanhóis no século XVI, este tubérculo da América do Sul. As batatas foram inicialmente introduzidas em Portugal e Espanha, rapidamente espalhadas por toda a Europa. No início, as batatas eram consideradas comida para animais, as pessoas tinham medo de as comer por causa de superstições, desconheciam seus benefícios nutricionais.Mesmo assim, com o tempo as batatas ganharam popularidade e hoje são um dos alimentos mais consumidos em todo o mundo. As batatas foram inicialmente cultivadas e consumidas pelos povos andinos na América do Sul, como os Incas e os Quechuas, há cerca de 1.000 anos. Povos que desenvolveram técnicas de plantio, colheita e que levantaram o véu a propriedades nutricionais e medicinais das batatas.


Quando os espanhóis chegaram à América do Sul no século XVI, eles não estavam interessados inicialmente nas batatas,  consideradas um alimento menor. Até que os espanhóis se entregam aos repastos dos povos Andinos, incluindo as batatas, percebem então as propriedades nutritivas deste alimento.


Nestas viagens cheias de tempo, as batatas são levadas para outros países, como Portugal, acabando por se tornarem populares. Hoje, a batata é um dos alimentos mais consumidos do mundo, sabemos que é uma fonte rica em carboidratos, vitaminas e minerais, base importante para a culinária tradicional em todo o mundo. 

Os reis e as batatas têm uma história interessante. Quando as batatas chegaram à Europa, inicialmente elas eram consideradas um alimento de segunda classe e não eram muito populares entre a realeza ou classes mais altas. Mas durante a fome que assolou a Europa nos anos de 1700, as batatas foram consideradas uma importante fonte de alimentação devido à sua capacidade de crescer bem em solos difíceis e em condições de clima adversas.


O rei da Prússia, uma região histórica que se estende desde a baía de Gdańsk (na Polônia), , Frederico II, reconheceu o valor das batatas e iniciou um plano para promover seu cultivo no seu reino, em 1744. Ele plantou algumas batatas no seu jardim pessoal e, em seguida, ordenou que plantassem batatas nas terras dos camponeses,de forma a motivar o seu povo a plantar, Frederico II ordena que houvesse guardas nas lavouras para impedir o roubo das colheitas. A estratégia deu certo, e o cultivo de batatas tornou-se muito popular na Prússia ( zona histórica da Polónia), salvando muitas vidas durante as épocas de fome.

Também na França, Louis XVI também promoveu as batatas e o seu cultivo não foi fácil, demorou algum tempo para se tornar efetivo. O que acabou por  contribuir com este tubérculo foi a escassez de pão que levou à Revolução Francesa,  que transformou as opiniões sobre a batata e contribuiu para o surgimento de novas receitas à base desse vegetal.


Hoje as batatas são amplamente consumidas em todo o mundo, e são um produto básico importante na culinária de muitos países. As batatas são um alimento muito nutritivo e oferecem vários benefícios à saúde. 

Os benefícios e  nutrientes:

 São ricas em vitaminas B, C e K, além de minerais como potássio, ferro, fósforo e magnésio.

 Fonte de carboidratos saudáveis e complexos, que fornecem energia de longa duração.

Digestivas, contém amido resistente, que trabalha como fibra alimentar.

Melhoram a saúde do coração, ricas em potássio que ajuda a diminuir a tensão arterial e minimiza doenças cardíacas.

Anti-inflamatórias, bastante eficaz no tratamento e prevenção de artrites e outras inflamações.As batatas contêm carboidratos complexos, que são digeridos lentamente, ajudando a controlar os níveis de açúcar no sangue. Melhoram o funcionamento do cérebro, o potássio reduz o risco de doenças neurodegenerativas.

E curiosamente,fortalecem o sistema imunológico,  ricas em vitamina C, tão importante para manter o sistema imunológico saudável e combater doenças e infecções.


É de notar, que o excesso de consumo pode levar ao aumento de peso, deverá ser consumida com moderação e equilíbrio. 


Depois de tanta investigação ganhei um apetite enorme. Aqui vos deixo uma receita preferida de suflé de batata:
Ingredientes;

- 4 batatas grandes

- 1/2 copo de leite

- 2 colheres de sopa de manteiga

- 2 colheres de sopa de farinha de trigo ou milho

- 1/2 colher de chá de sal

- 1/2 colher de chá de noz moscada

- 1/ colher de sopa de pasta de alho
- 1/4 colher de chá de pimenta preta

- 4 ovos grandes, gemas e claras separadas

- 1/2 copo de queijo parmesão bem raladinho


Preaqueça o forno a 190°C. Unte a forma de suflê (redonda) com manteiga, generosa ♡

Descasque e corte as batatas em cubos. Coza em água com sal até ficarem macias. Escorra muito bem e esmague as batatas com um garfo, junte o alho e a noz moscada.

Num tachinho misture a manteiga e a farinha de trigo ou milho. Leve ao lume mínimo (mijote) e mexa um minuto ou dois. Adicione lentamente o leite, deixe que se misture até que esteja homogénea. Adicione o sal e a pimenta. Leve ao lume por dois minutos.

Adicione as batatas esmagadas na mistura de leite. Retire do lume e deixe arrefecer, uns 5 minutos é o suficiente.

Junte as gemas, uma de cada vez, à mistura de batata e leite. Misture muito bem.

Numa bola de cozinha bata as claras em castelo até ficarem  muito bem firmes.

 Delicadamente junte as claras em castelo à mistura de batata e leite, e por fim com muito cuidado, junte o queijo parmesão e misture.

 Deite a mistura na forma untada e vai ao forno preaquecido por 20-25 minutos ou até que note um dourado apetitoso e firme. Sirvo sempre quentinho como acompanhamento de carne ou peixe, ou mesmo só o suflê com uma salada ripada de alface bem avinagrada.


Divirtam-se!

[Trabalhos de estudo, II semestre FLUC em covid]

domingo, 22 de outubro de 2023

morning bird

The water boils, the coffee grinds 
A waft of fragrance in the air unwinds 
A simple task, yet in it is found 
The beauty of mornings, the peace profound 


As I sip the brew, my senses rise 
I feel awake, alive, and wise 
A moment to savor, to slow down 
To appreciate the subtle joys around 

In this cup of coffee, I taste life 
The bitter and sweet, the hope and strife 


A reminder of the precious gift 
Of being present, and love in us to lift.

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

a maturidade do Chef

Ontem, em preparação da faina do olival, fui refletindo em como é importante a união sem egos no seio em que trabalho. No meio da natureza e do trabalho agrícola curo os meus pensamentos e aproximo-me cada vez mais da sólida vivência anti-social.
O cozinheiro, como profissional responsável pela preparação de alimentos, é capaz de oferecer experiências gastronómicas prazerosas e profundas, fundindo as pessoas num contexto de vivência e cultura alimentar. Para isso, o cozinheiro deve conhecer os ingredientes que utiliza e ter habilidades culinárias que permitam criar pratos saborosos e de equilíbrio substancial. 

Penso que esta classe pode utilizar sistemas operativos e de rede, afastando os lobbies (que só criam divisões), de sublinhar as escolhas alimentares que possam contribuir na conexão e proporcionar momentos de excelência aos convivas. Destaco o papel do cozinheiro como um agente importante na criação de experiências gastronómicas que vão além do simples ato de alimentar, mas que têm o potencial de elevar a sua memória afetiva.
Considero que o cinismo na alimentação dá ênfase a uma postura cética ou descrente em relação aos benefícios da alimentação saudável e sustentável, ou na relação à possibilidade de mudança de hábitos alimentares em escala global. Já o civismo na alimentação pode se referir à prática de escolhas alimentares que levam em consideração não apenas a saúde, mas também a saúde do planeta e das demais pessoas. Essas duas posturas podem ser usadas como arma política e filosófica por pequenos grupos que buscam promover mudanças nas escolhas alimentares da sociedade em geral. Deste modo esta influência pode variar de acordo com as tradições e os graus de adesão a posturas em diferentes grupos e comunidades. Creio que a minha afirmação destaca a possibilidade de que o cinismo e o civismo na alimentação possam ser limitados por fatores culturais e sociais.  Destaco a possibilidade de que a alimentação simples conduz algumas pessoas a sentirem-se superiores a outros, levando a contrastar na busca de uma sociedade mais justa e harmoniosa. Devemos lembrar-nos que cada pessoa tem as suas próprias motivações e valores e que é possível adotar um estilo de vida mais saudável e sustentável sem criar divisões ou hierarquias entre as pessoas, empresas e produtores. 

Efetivamente sou muito romântica, por isso partilho a minha Vitela assada na merenda da faina agrícola;
Comprei um ganso de vitela [800g], no talho local, o abate tinha acontecido na 2a feira, garantiu o Fonseca da SACIF. Estava fresco, preparei no tacho com 50gr de manteiga, 2 copos de caldo de carne com vinho branco, alho,rosmaninho, sal e pimenta. Em lume brando, permitiu que fosse cozinhado sem selar. 
Após cozinhado,  fatiar e servir, acompanha o pão cozido no forno de lenha da Zebreira. 

A partilha divertida em casal.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Transcende o simples

O pão é um alimento simples e tradicional sendo a base alimentar da comensalidade. Feito com ingredientes naturais e rústicos, como farinha de variados cereais, água, fermento e sal, o pão feito nesta "Casa da Velha Fonte" é um símbolo de simplicidade, de proximidade com a natureza e de valorização dos alimentos locais.

 Inspirado na ancestralidade é um alimento inclusivo, que pode ser compartilhado entre várias pessoas e que combina com diversos tipos de acompanhamentos, como queijo, manteiga, geleia e outras pastas. Por essas características, o pão na nossa casa tornou-se um alimento ideal para a comensalidade, pois ajuda a criar um clima de união, de compartilhamento e de descontração entre os convivas.

Durante os repastos o pão é sempre o protagonista da mesa, e é servido quentinho, recém-saído do forno, acompanhado de outras delícias culinárias inspiradas no universo das civilizações que por aqui se deslocaram. Combinação de sabores e aromas cria um ambiente acolhedor e agradável, que convida os convivas a desfrutarem da comida e a conectarem-se.

Não considero apenas um alimento, mas sim um símbolo da comensalidade e da união entre as pessoas. É um alimento que valoriza a simplicidade, a natureza e a tradição, e que ajuda a criar experiências gastronómicas inesquecíveis.

A oferta de Banquete é uma experiência gastronómica que vai além de um simples jantar temático baseado na trilogia destas aldeias; Moreirinha, Monsanto e Idanha-a-Velha. O objetivo é transformar a gastronomia histórica em comensalidade, ou seja, em um momento de partilha, de celebração entre os comensais.    Envolvidos no ambiente do espaço até a ementa, cuidadosamente elaborada com ingredientes organicos e sazonais, inspirados nas receitas presentes da região como: testemunhos da comunidade, livros e nos filmes. Permite-me utilizar técnicas de preparo que valorizam o sabor e a apresentação dos pratos, com o objetivo de proporcionar uma experiência sensorial completa aos convivas.

Durante o momento os comensais são convidados a saborear com calma cada prato, a apreciar os aromas e a textura dos alimentos, e a compartilhar suas impressões e histórias relacionadas. Esta interação, aliada à comida e ao ambiente e temática, transforma o jantar em um verdadeiro banquete, onde o prazer de comer é compartilhado com o estar em boa companhia. É uma experiência gastronómica que transcende o simples consumo de comida, e que valoriza a comensalidade como um momento de união e de celebração da vida. É uma forma de utilizar a culinária como instrumento de ligação entre as pessoas, e de criar memórias e experiências singulares e inesquecíveis.


exercício ao palato Júnior

Um artigo excelente sobre o desafio aceite por nós durante o Verão,  

António Gonçalves | opinião,  relata;


"A chef portuguesa Maria Caldeira De Sousa (Casa da Velha Fonte) é uma verdadeira inovadora no mundo da gastronomia, procura sempre novas formas de desafiar o paladar do seus convivas. Entre muitas conquistas, destaca-se um desafio gastronómico bastante singular, que tem sensibilizado o palato de muita gente ao redor do mundo. Sem fugir á regra a Chefe assumiu o desafio que consistiu na sensibilização do palato júnior que se vereanava por Penamacor em Academia de Férias (julho e Agosto) protocolar.



O desafio vai além da questão das especiarias e ervas aromáticas em si. Maria Caldeira De Sousa desafia crianças a paladares e a experimentarem algo novo, diferente e, muitas vezes, desafiador. O objetivo é sensibilizar o paladar para novas experiências gastronómicas, ampliação  e percepção dos sabores e aromas dos alimentos.

 A ideia é que o desafio não seja algo intimidante ou assustador, mas sim divertido e emocionante.

Mas, mais do que isso, é uma forma de sensibilizar as crianças para a relação entre alimentação e bem estar, considerando a importância de experimentar coisas novas e diferentes.

Maria Caldeira de Sousa e seu Marido Rui Sousa propuseram-se a objectivos claros e únicos.

Desenvolver o paladar das crianças, para que possam apreciar diferentes sabores e texturas nos alimentos, 

 Educar as crianças em relação às escolhas alimentares saudáveis e equilibradas, 

Estimular a curiosidade e a criatividade culinária, 

Sensibilizar para as questões ambientais e de sustentabilidade no que diz respeito à alimentação, 


Com a realização destes objetivos, espera-se que as crianças adquiram uma maior consciência e responsabilidade na sua alimentação, tornando-se mais capazes de fazer escolhas alimentares saudáveis e equilibradas para a sua vida futura. Além disso, promoveu-se a valorização da culinária como uma forma de arte e de expressão cultural, contribuindo para uma maior sensibilização e respeito pela diversidade gastronómica, assim como para o desenvolvimento de habilidades e competências culinárias nos mais jovens.


"O projeto foi destino de crianças e jovens com idades compreendidas entre os 6 e os 16 anos que frequentem o Agrupamento de Escolas Ribeiro Sanches de Penamacor e/ou outros que se encontravam a residir no concelho na altura das férias de verão.

A implementação deste projecto pretendia responder às necessidades das crianças, jovens e pais/encarregados de educação na ocupação de tempo livre de forma ativa e saudável, numa componente de apoio à família, durante o mês de agosto; 


Proporcionou a realização de atividades diversificadas, promoveu o desporto, o conhecimento, o divertimento e a partilha de experiências; 


Minimizou a perda de competências das crianças e jovens quando se encontram em período de férias letivas prolongadas.


A “Academia de Férias- Linces em ação” projeto promovido pelo Município de Penamacor, através do Gabinete de Ação Social e Educação, confirmando todo o seu empenho convidou a Chefe Maria Caldeira de Sousa | Casa Da Velha Fonte Unip Lda e Feelingevents[Fernando Tavares e Ticiana| Fundão] na certeza que os resultados finais seriam os melhores.
Uma cozinha cheia de emoção provoca o conhecimento júnior com alimentos singulares. 
Sopas variadissimas enrequecidas por ervas e especiarias fazem as delicias dos mais pequenos. 

Diz-nos a chefe: - Onde não havia lugar para sopas, todos dias eram comidas 4 ou 5 tigelas extra. 

Todas as ementas eram sustentáveis bio e organicas. As sopas sempre cheias de frescuras sazonais. Uns dias sem glúten, outros com Proteína animal. Em todas havia uns ingredientes semelhantes; o óleo de coco e a noz moscada. As ervas variavam consoante a escolha dos vegetais. 

Se os meninos comessem só a sopa, eu estava descansada! A sopa foi a vencedora. Considero projecto válido e mais que ganho. 

Todas as ementas foram de investigação e análise para mim, os "meus meninos" são um orgulho de comensalidade. As ementas foram internacionais, alegres e tudo se comeu. Os peixes escolhidos foram sempre bem comidos, aveia, sesamo e espelta eram os cereais dos polmes. As batatas preparadas com ervas, os molhos com especiarias e alcaparras pois o sal era nenhum.

As carnes biológicas e de trato caseiro, sempre por encomenda num talho idanhense, onde gasto diariamente.
Um sucesso acrescento. 
Estarei grata pela oportunidade que me foi dada, pois certifiquei que o meu trabalho é guardião do palato e sabor." 






sábado, 14 de outubro de 2023

"Olha a Laranjinha que caíu, caíu! "

Em Idanha-a-Nova, Portugal, a laranjeira não é uma das árvores endógenas. A região é conhecida por ter uma vegetação característica do bioma mediterrâneo, com predominância de árvores como o sobreiro (Quercus suber), o azinheiras (Quercus rotundifolia), o zambujeiro (Olea europaea) e outras espécies típicas da região.


Embora a laranjeira seja amplamente cultivada em Portugal, especialmente nas regiões mais quentes do país, ela não é considerada uma espécie endógena, ou seja, originária daquele lugar. A laranjeira é, na verdade, uma espécie exótica, que foi introduzida no país pelos portugueses durante a época das navegações, assim como ocorreu em grande parte da Europa.


Em meados do século XV, trazida pelos portugueses nas suas viagens de exploração e colonização do Novo Mundo. A fruta encontrou um solo fértil e um clima propício na península ibérica, onde foi cultivada em larga escala.

A partir de Portugal, a laranja disseminou-se por toda a Europa, ganha popularidade entre os povos do continente. A fruta era considerada muito valiosa na época, já que era altamente nutritiva e ajudava a prevenir o escorbuto, doença agressiva que se manifestava nos marinheiros durante as longas viagens marítimas.


Hoje em dia, a laranja é uma das frutas mais consumidas em todo o mundo, sendo cultivada em diversos países e utilizada em diversas receitas da culinária internacional.

Gosto especialmente de  doce de laranja verde é uma iguaria típica do nordeste brasileiro, especialmente dos estados de Pernambuco e Bahia, terras onde o meu adn genético cresceu. Este doce feito a partir da casca da laranja verde, torna a laranja ainda mais apetitosa e aproveito-a em todos os seus momentos, visto que tenho algumas árvores no meu pomar.


 Para esta receita, cozo-a várias vezes de forma a eliminar a acidez e o amargor antes de lhe adicionar o açúcar.

 Corto as cascas da laranja em tiras finas e deixo de molho em água cerca de 24 horas, troco a água de tempos a tempos. As cascas são cozidas em água até ficarem macias, repito em 3 a 4 vezes, só depois são escorridas e reservadas.

Imediatamente, faço uma calda com açúcar e água, com a proporção de 1 para 2, que levo ao lume até atingir o ponto de fio. As cascas de laranja são adicionadas à calda e cozidas cerca de 30 minutos, até que fiquem bem macias e o doce tenha encorpado.


[Doce que a minha cunhada me oferecia com laranjas oriundas do Sobral Monte Agraço ]


segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Mogango Thrones @Monsanto


Na partilha de receituário utilizo o mogango em diversas receitas, tanto doces como salgados. A abóbora Mogango é muito versátil e pode ser utilizada em diferentes pratos, desde sobremesas como:  bolos, pudins, geleias e marmeladas, bolachas; e também nos dá sabor em pratos salgados como; sopas,ensopados, empadão, assados, fritos, e outras delícias culinárias. O mogango é um ingrediente muito saudável, destaco a sua riqueza e benefícios para o organismo em nutrientes como vitaminas e minerais, que podem oferecer muitos benefícios à saúde. Esta abóbora é rica em antioxidantes, vitaminas A, C, complexo B, minerais como cálcio, fósforo e potássio. 

Sugiro experimentarem novas receitas com esta abóbora deliciosa e nutritiva!

A abóbora mogango é uma variedade de formato achatado, casca lisa e verde alaranjado-claro.

Na aldeia de Monsanto, Idanha-a-Nova, considerada a aldeia mais portuguesa de Portugal, o mogango tornou-se uma das abóboras muito consumidas.

Ela é muito utilizada na culinária e também alimento para os seus animais, mostrando a sustentabilidade que se faz notar na região. 

O mogango é cultivado em regiões de clima quente e pouco exigente com a humidade, adoro a sua textura muito macia e sabor adocicado, o que o torna perfeito para a minha forma de interpretar a culinária.


Doce de abóbora com marmelo picante


Ingredientes:


- 1 kg de abóbora mogango com casca e sem sementes

-5 marmelos com casca e sem caroço 

-pectina dos caroços do marmelo

- 1 cálice de conhaque

- 400 g de açúcar refinado

- 1 pau de canela

-   1 limão sem casca

- 1 laranja verde em raspa

- 1 pimento vermelho

- Cabeça de cravinho

- noz moscada

-2 cardamomo 

-2 malaguetas piri-piri


Modo de preparo:


Corte a abóbora em cubos pequenos e coloque-a num tacho.

Guarde os caroços do marmelo, e retire a goma de pectina com ajuda de água gelada (numa pequena chávena de café) coe e adicione essa água ao tacho.

 Adicione o açúcar, o pau de canela e o limão.

 Misture todos os ingredientes e deixe descansar por cerca de 30 minutos, mexendo de vez em quando.

Depois, coloque a panela em mijote e deixe cozinhar cerca de 1 hora, até que a abóbora e o marmelo estejam macios e o açúcar tenha derretido e formado uma calda espessa.

Retire somente o pau de canela e passe a varinha mágica/robot de cozinha ou liquidificador.

Sirva o doce de mogango em frasco de vidro, rale a laranja verde e acompanhe um excelente queijo de Idanha-a-Nova.


Nota: ao adicionar a casca da abóbora, o cravo,o picante,o pimento (o sabor das beira)  e casca de laranja verde dá um toque especial e único. 


Divirta-se tanto como eu.


Chefe Maria Caldeira de Sousa 


quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Harmonias inspiradoras

A alimentação, como parte fundamental da vida e das relações humanas, permite que a gastronomia possa influenciar e enriquecer a nossa existência de diversas maneiras. Com a música não é diferente, esta pode influenciar a experiência culinária, que se deixa explorar pela criatividade humana, beleza e a importância dos detalhes. 
Por exemplo, a casa de comer “Casa da Velha Fonte”, em Idanha-a-Nova, oferece experiências gastronómicas únicas e inspiradoras. Estas experiências podem incluir pratos inspirados na história, e em obras de música ou na cronologia histórica do nosso território. Usufruir da sua experiência gastronómica com música aumenta a atmosfera e diferencia-a. 
Além disso, até os Chefs podem encontrar inspiração na música, para criar pratos destinados a acompanhar peças musicais específicas ou que provoquem emoções. 
Eu, como Chefe de cozinha, tendencialmente procuro a música e a literatura como alvo para a minha criatividade. 
Acrescento que a música também influencia a cultura gastronómica de uma região ou de uma nação. Temos a Itália, pátria da ópera, com uma rica tradição culinária que se deixou influenciar pela história e geografia do país, mas também pela ópera. As óperas de Verdi, as minhas favoritas, são o exemplo: escritas em regiões italianas específicas, e com as tradições culinárias dessas regiões dando o reflexo da própria composição de ópera. 
Posso concluir que a música influencia a gastronomia de várias maneiras e enriquece a experiência culinária dos convivas, oferecendo uma visão paralela do talento humano criativo. A relação entre o compositor musical e o Chef eleva a experiência culinária única e estimulante, onde os comensais se deixam imergir numa performance multidisciplinar, envolvendo o palato, visão e audição. 
Também eu penso em sensibilizar o compositor e estimular a criação de um registo sonoro baseado no cardápio do restaurante: uma vez escolhido o tema principal do prato (por exemplo, o mar, a terra, a pedra bruta ou um determinado tipo de tempero, etc.), criar uma música inspirada nas nuances do sabor presente. 
Optar por criar uma atmosfera de registo musical variante e que se adapte às diferentes fases da refeição, cada uma das quais pode exigir uma experiência musical diferente, tendo sempre em atenção o fio condutor. 
A música pode eventualmente ser tocada ao vivo, com músicos que fazem parte do layout do restaurante, tornando o ambiente agradável e relaxante para os convidados, ou utilizando-a como uma verdadeira banda sonora capaz de assinalar emoções e memorizar o repasto. O encontro entre a música e a culinária pode também ser uma oportunidade para explorar diferentes dimensões artísticas como a cor, a textura, o timing, a apresentação do receituário, empratamento, etc., conectada à performance musical de acordo. Por exemplo, a música pode acompanhar uma série de pratos dispostos para seguir um caminho visual específico, ou enfatizar as cores e as texturas nos pratos. 
Em qualquer dos casos, é sempre uma experiência culinária tão complexa que seria única e inesquecível, capaz de satisfazer os sentidos de uma forma original e inovadora. Compor alimentos na pauta musical da vida é uma metáfora interessante para pensar a relação entre comida e a nossa existência. Assim como uma música pode ser composta por diferentes notas, harmonias e ritmos, o alimento é composto por diferentes ingredientes, texturas e sabores.

In Maria Caldeira de Sousa

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

receituário em Carta II


Querida Manuela 


Que bom saber que acordas com o sol, a melhor maneira de ser feliz.

Falando de felicidade, mensagem fundamental para a alma, cabe-me trazer o assunto que mais honra o nosso corpo. A alimentação. 

Vivo no meio de livros e tachos, tornando a "daiata" renovada. Esta recuperação da inovação na dieta mediterrânica é um capitulo de amor na vida de comensais exigentes.

Nada melhor que usar o conhecimento ancestral para a base da alimentação saudável e com elevada consideração e capacidade a tornar simples e bonita.

Adoro comida bonita, em sabor e aspecto.

O sal deve continuar moderado, esta batalha é uma das minhas maiores preocupações. Cozinho com muito pouco ou quase nenhum. Procuro intensificar os meus repastos com ervas aromáticas, vinho e especiarias.

No meu mais íntimo penso em todos os cozinheiros como boas pessoas, vejo-os num modo muito romantico. Acredito que quem cozinha está muito perto do divino, consagram os palatos. Como dizia o Anthony Bourdains, "estavamos todos ao lado dos anjos."


Almôndegas de coelho



1 coelho

1/4 de chouriço de carne

30g de azeite

2 cebolas roxas

3 dentes de alho

molho de ervas (salsa, coentros e carqueja)

semula de trigo (ou farinha)

1/2 colher de chá de sementes de funcho

Caldo de carne (caseiro)

tomate fresco

Vinho branco

tomate seco

cebola desidratada

louro

pimenta, sal qb

vinagre



Limpe o coelho e desosse, para que não se apanhem ossinhos, moer a carne crua com o chouriço, juntar uma cebola picada finamente e o alho. A esta massa junte o tomate seco ralado, a cebola desidratada, coentros e carqueja. Humedeça as mão com vinagre (assim a massa não cola nas mãos) e forme pequenas bolas, passando-as por semula de trigo (ou farinha), reserve.

Num tacho refogue com a cebola, o funcho, o louro e o alho, sem queimar. Coloque as bolinhas uma a uma, dando espaço para que não se desmanchem e que fritem em todos os lados, adicione o tomate picado, e o vinho branco e o caldo de carne (que reservaram noutras alturas), e o ramos das ervas, tempere a gosto com pimenta e sal. Deixe cozinhar e acompanhe com esparguete. 

Bom apetite 




Fonte: meu trabalho de Faculdade (Seminário de sabores ao passado. UC)

Livro de Cozinha de Apício " Um Breviario do gosto Imperial " Inês de Ornellas e Castro

campina Idanhense - o tomate

 


O tomate é uma fruta altamente versátil e popular em todo o mundo. É usado em uma variedade de pratos, como saladas, molhos, sopas, no pão torrado , doces e tantas outras iguarias.

 Este fruto é rico em nutrientes essenciais para a saúde. Carrega em si excelentes nutrientes;  vitamina C, vitamina A, potássio e licopeno(repara os danos às células por conflito com radicais livres). um antioxidante associado à redução do risco de certos tipos de carcinomas.

Existem diferentes tipos de tomate, como o tomate cereja,ou tomate chucha, coração de boi…, cada um com características e sabores distintos. Variam na sua cor, tamanho e textura. Alguns são mais ácidos, enquanto outros têm um sabor mais doce.

Ao escolher um tomate, é importante procurar aqueles que estejam firmes, com uma pele lisa e brilhante. Ao tomate mole ou com manchas escuras, use para compotas ou molhos. Acondicionado à temperatura ambiente, longe da luz solar direta, prolonga a sua vida útil.

Em regra o tomate é uma adição saudável e saborosa à sua alimentação. pode consumir cru, grelhado, assados, desidratados ou utilizado como base para diversos molhos e preparações culinárias. Consumir o tomate nas refeições diárias é aproveitar todos os seus benefícios em prol do seu bem estar.

A semente do tomate é essencial para garantir sua diversidade genética. Ao longo dos anos, muitas variedades foram desaparecendo devido à monocultura e uso intensivo de pesticidas, o que acaba afetando a saúde do solo e a qualidade do tomate.

A campina idanhense, localizada na região de Idanha-a-Nova, em Portugal, é conhecida por produzir tomates de sabor inigualável, graças ao uso de técnicas de agricultura tradicional e em modo biológico com respeito à biodiversidade. Recentemente, iniciaram um projeto de recuperação de sementes e o tomate foi um dos escolhidos, com o objetivo de preservar as variedades locais e garantir continuidade.

O projeto é realizado em parceria com a Associação de Agricultores de Idanha-a-Nova e a Universidade de Évora, e inclui a coleta de sementes de tomates de diferentes variedades, o cultivo e a observação das plantas para garantir sua autenticidade e qualidade.

Além de garantir a variedade genética do tomate e preservar o sabor inigualável da região, a recuperação das sementes também contribui para a sustentabilidade do sistema agrícola, já que as variedades locais são mais resistentes a pragas e doenças, reduzindo a necessidade de uso de pesticidas e outros produtos químicos.

O projeto das "sementes vivas" com localização campina idanhense é um ótimo exemplo de como a agricultura tradicional e sustentável pode coexistir com as exigências do mercado e atender às necessidades dos consumidores que procuram alimentos mais saudáveis e saborosos.

De tão bom sabor, decidi trazer duas deliciosas receitas: 


-uma de extracto de tomate e outra de um maravilhoso creme de tomate, muito usual nas mesas da nossa casa.




Ingredientes para o extrato:


1,5 kg de tomate

1 saco rede ou fronha velha de algodão 

Pasta de alho sem sal

Manjericão 

Sal 


Fermente o tomate por uns dias (deixe fora do frio), e coloque na rede(fronha) para que toda a água escorra, não tenha pressa, quanto mais escorrer melhor.

Depois de ter o tomate bem escorrido, junte o sal e os sabores. Reserve em frasco, abuse da utilização, sandes, Bruschetta etc…

Ingredientes para a sopinha em creme:


1 kg de tomates maduros

1 cebola média

3 dentes de alho

1 cabeçinha de cravinho

 1 litro de caldo de legumes

 1 colher de sopa de extrato de tomate

1 colher de sopa de açúcar

 1 folha de louro

 1 colher de chá de orégano

Sal e pimenta a gosto

2 colheres de sopa de azeite

 Descasque e de seguida pique a cebola e o alho. Retire a pele do tomate, cortando uma cruz na parte de baixo e mergulhe em água a ferver por alguns segundos. Em seguida, retire a pele com facilidade. Pique o tomate. Use uma panela grande, aqueça o azeite, refogue a cebola e o alho até ficarem macios e translúcidos.

Adicione o tomate picado, o extrato de tomate (feito artesanal,receita no blog), o açúcar, a folha de louro e os óregãos. Mexa bem com muito carinho para que todos os ingredientes larguem os sabores e cozinhe cerca de 10 minutos.

Adicione o caldo de galinha e deixe ferver por mais 15 minutos.

Retire a folha de louro e bata a sopa no liquidificador ou robot de cozinha até que fique homogénea. Se preferir, deixe pedaços de tomate inteiros.

Leve o creme novamente ao lume em mijote, rectificando o tempero com sal e pimenta a gosto, se necessário.

Sirva quente com croutons e cebola desidratada [ou ovo cozido] e embeleze com umas folhinhas frescas de manjericão. Bom apetite!




sábado, 23 de setembro de 2023

Fome

 Pode ler-se no artigo do jornal Reconquista.



https://www.reconquista.pt/articles/gastronomia-a-emocao-e-falta-de-alimento---fome-2



A emoção é falta de alimento - Fome


Cérebros nutridos de alimento são melhores humanos.


Os pais tentavam decidir onde ir almoçar, enquanto os pequenos reclamavam e choravam de fome. A mãe sugeriu ir ao restaurante do hotel, mas o pai queria explorar a cidade e tentar encontrar um local mais autêntico. 


A discussão continuou por alguns minutos, enquanto o sol brilhava e a piscina convidava para um mergulho refrescante. Eventualmente, eles resolveram ir ao restaurante do descansado hotel para saciar a fome urgente, com a promessa de explorar a cidade mais tarde.


Enquanto observava a cena, tomei consciência de quanto a fome pode afetar a capacidade das pessoas na tomada de decisões e até de se comunicarem adequadamente. É um lembrete de como é importante cuidar do nosso corpo e alimentá-lo adequadamente, para garantir que possamos desfrutar das coisas boas da vida sem sermos limitados pelas emoções.


 A fome é emocional.


Considero que a relação entre emoções e alimentação é bastante complexa e influencia os nossos hábitos alimentares de forma singular. Algumas emoções, como a fome,  são uma resposta fisiológica natural do corpo que  sinaliza a necessidade de obter nutrientes para manter as funções vitais.


No entanto, vivemos numa sociedade de abundância onde a disponibilidade de alimentos é muito maior do que a necessidade do corpo. Como resultado, muitas vezes comemos não apenas quando estamos fisicamente com fome, mas também quando queremos reavivar os nossos sentidos com algo novo, aliviar o stress ou simplesmente desfrutar de um momento prazeroso.


Foco-me muito sobre a má alimentação, uma questão importante que afeta a humanidade como um todo, e não apenas em países desenvolvidos. A má alimentação pode levar a uma série de problemas de saúde, como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e outras doenças crónicas.


Além disso, também têm um impacto emocional significativo. Como exemplo, algumas pessoas podem se sentir envergonhadas ou culpadas pelas suas escolhas alimentares, enquanto outras podem desenvolver transtornos alimentares, como a bulimia ou a anorexia.


É importante entender que as escolhas alimentares não são apenas uma questão física, mas também emocional e psicológica. Numa abordagem holística na alimentação, tenho em consideração não apenas os aspectos nutricionais, mas também emoções e hábitos alimentares, que podem ajudar a desenvolver um relacionamento mais saudável e equilibrado com a comida.


A emoção refletida na abundância pode dividir a gnose familiar, pois em alguns casos, há uma excessiva oferta de alimentos, o que pode levar ao desperdício e à não valorização da comida. Por outro lado, em famílias carenciadas economicamente ou até estudantes universitários a falta de alimentos de qualidade e variedade nutricional pode levar a uma privação emocional e física, o que gera fome sentimental.


A hiperconectividade causada pelo excesso de alimentação também pode contribuir para sentimentos de solidão e desconexão emocional, já que a comida pode ser usada como uma forma de aliviar o stress e a ansiedade, muitas vezes de forma inconsciente. 


A abundância de alimentos pode levar a escolhas alimentares menos saudáveis, o que pode afetar negativamente a saúde física e emocional. A alimentação é um fator importante na formação de nossa identidade cultural e pode influenciar padrões de consumo e hábitos alimentares.


É importante refletir sobre nossas escolhas alimentares e a forma como nos relacionamos com a comida, buscando um equilíbrio entre a abundância e a moderação, valorizando a comida e evitando o desperdício, além de ter consciência dos impactos emocionais e físicos que nossas escolhas alimentares podem ter.


Infelizmente, a história do mundo confirma que a fome pode ser um factor importante no desencadear de guerras e conflitos entre povos. A escassez de alimentos pode levar ao desespero e à agressividade da humanidade, sendo a alavanca propulsora de medidas extremas para obter alimentos e recursos para sobrevivência.


Relembro os registos durante a Segunda Guerra Mundial, muitos países passaram pela escassez de alimentos devido à interrupção do comércio internacional, o que levou a uma competição feroz por recursos e territórios. Muitos conflitos contemporâneos, como a guerra civil Síria e a que nos atropela diariamente na Ucrania , também nos têm mostrado escassez de alimentos e recursos naturais.


A fome e a ausência de alimentos são usadas como arma política, na decisão dos governos de restringir o acesso a alimentos para controlar as populações ou enfraquecer as forças oponentes.


No entanto, é importante lembrar que a fome e a míngua de alimentos são frequentemente resultado de desigualdades estruturais e políticas injustas que afetam sem proporção as comunidades marginalizadas e vulneráveis. Continuemos a promover a justiça social e o acesso recto a alimentos, água e recursos é uma parte crucial para prevenir conflitos e promover a paz global.





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Gentileza e figos de piteira

Ao negativo e falta de respeito pelo próximo, tentarei ser gentil. É importante não me abalar por este tipo de comportamento e não levar para o lado pessoal. Muitas vezes, as pessoas que fogem e fingem que não  me vêm, estão a lidar com os seus problemas e inseguranças, e acabam por  evitar interações sociais como forma de protecção.
Cabe-me manter a positividade e continuar gentil e educada, mesmo que não receba o mesmo tratamento em troca. 
Vou continuar a ser a mesma e não mudar meu comportamento por conta do comportamento dos outros é importante  manter a minha integridade emocional e autoestima. 
Se alguém foge ou finge que não me vê é porque essa pessoa ainda tem muito a aprender sobre respeito e convivência em sociedade.
E... falando de respeito e conviver deixo um excelente bolinho para que fortaleça a plena consciência dos impactos emocionais e sociais♡

Um bolo de minha autoria nesta idanha onde parece que não existo...

Bolo de Figo de piteira e amendoa


Ingredientes:
- 75 gramas de açúcar mascavado
- 30 gramas de mel de cana 
- 250 gramas de farinha de trigo
- 2 colheres de sopa de farinha de amendoas
- 1 colher de sopa de fermento em pó
- 1 colher de chá de canela em pó
- 2 ovos
- 120 ml de leite
- 60 ml de azeite
- 6-8 figos de piteira maduros
- amendoas picadas (opcional)

Preparação:

Preaqueça o forno a 180 graus. Forre uma forma de bolo com papel vegetal e unte com manteiga.
Numa tigela grande, misture,a farinha de trigo, a farinha de amendoas, o fermento em pó e a canela.
Noutro recipiente  bata os ovos bem batidos com o açúcar e o mel até obter uma mistura esbranquiçada e homogénea adicione o leite e o azeite.  Misture tudo muitobem.
 Adicione a mistura homogenea aos ingredientes secos e misture até que tudo esteja muito bem incorporado.
Corte os figos de piteira em fatias finas e adicione à massa. Adicione também a amendoa picada.
Coloque a mistura na forma e espalhe cuidadosamente. Assegure-se de que as fatias de figo estejam distribuídas uniformemente na massa.
Coza o bolo cerca de 35 a 40 minutos ou até que esteja cozido e douradinho. 
Permita que o bolo fique frio antes de servir. 
Embeleze com açúcar de confeiteiro e baunilha ou raspa de limão por cima, enfeite com quartos de figo de piteira e pau de canela.
Ferva água e aproveita as folhas do limoeiro para uma infusão maravilhosa e cheirosa.

Bom apetite.

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Marmelo ancestral em paz e amor - Idanha a Nova

 [GOLDEN APPLE, diziam os gregos]

Em meados do século VIII, durante o período medieval, trazido pelos árabes. O marmelo começa a ser cultivado em diferentes regiões da Europa. No entanto, foi somente no século XVIII que o marmelo se popularizou na Inglaterra, onde era consumido principalmente na forma de geleias e doces. Atualmente, o marmelo é amplamente cultivado em países como Portugal, Espanha, Itália, França e Grécia,  muito usado tanto na culinária quanto na produção de cosméticos e medicamentos.

Os reis da Europa medieval consideravam o marmelo uma das frutas mais nobres e valiosas devido ao seu sabor exótico e raro, além das propriedades medicinais que lhe eram atribuídas. O marmelo era frequentemente oferecido como presente entre a nobreza e era um ingrediente muito apreciado na culinária refinada da época. Na medicina medieval, o marmelo era utilizado para tratar diversas doenças, principalmente problemas gastrointestinais. De acordo com crenças populares, o marmelo também tinha a capacidade de afastar doenças e energias negativas. 

Geralmente associado à riqueza, prosperidade e boa sorte, muito valorizado tanto pela sua utilidade quanto pelo seu simbolismo. Servindo-me do marmelo como modelo espiritual, o marmelo simboliza a fertilidade e a vida eterna. Algumas culturas associam o marmelo à Deusa da Sabedoria e à Deusa da Fertilidade. 

A primeira, filha de Zeus, Atena para os Gregos e Minerva para o Império Romano, protegia o saber aos poetas, a filósofos e arquitectos. Já Deméter, a deusa das terras férteis, da colheita em abundância, na agricultura e das estações do ano. Responsável por ensinar a humanidade a plantar o amor. 

O marmelo é considerado um símbolo de amor, pela forma de coração com polpa macia e doce, inspirando a doçura do amor e a esperança no futuro profícuo  e generosamente feliz. Desde sempre simbolo que frequentemente é usado em rituais e cerimônias de purificação nomeado como o símbolo da paz e harmonia.

Fruta de casca dura e sabor adstringente altamente valorizada pelos antigos gregos e romanos, que acreditavam que ela possuía propriedades medicinais e podia ser utilizada no tratamentos de diversos males. Além disso, o marmelo também era muito apreciado na culinária, muito utilizado para fazer compotas, geleias, chutneys e outros doces. Até hoje, o marmelo é conhecido por seu sabor único e pela versatilidade, sendo utilizado em receitas salgadas e doces em diversos países ao redor do mundo.  Enquanto a maçã é mais suculenta e adocicada, o marmelo é mais duro e possui sabor adstringente. 


Convido-vos a cozinhar a  receita de marmelada portuguesa com o meu cunho pessoal; 

Ingredientes:

- 2 kg de marmelos

- 650g de açúcar refinado

-cravinho

-pau de canela

-limão sem casca 

-hibisco

-1 cálice de vinho doce

- Água

Modo de preparo:

Lave bem os marmelos, retire os caroços e corte em pedaços pequenos.

Coloque os pedaços de marmelo e todas as especiarias  numa panela grande e adicione água suficiente para cobrir os pedaços. Cozinhe em fogo médio até os marmelos ficarem macios.

Quando os marmelos estiverem macios, retire do fogo e misture bem com uma colher de pau ou passe-os no liquidificador até obter um puré fino.

Pese o puré de marmelo e adicione a mesma quantidade de açúcar refinado e o limão sem casca e sem partes brancas..

Volte a misturar bem o puré de marmelo com o açúcar e leve ao fogo médio, mexendo sempre até levantar fervura.

Quando começar a ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar por mais 2 horas, mexendo de vez em quando, até a marmelada atingir o ponto firme.

Quando a marmelada atingir o ponto, retire do fogo e despeje em formas previamente untadas com spray de óleo, isento de sabor... Deixe arrefecer e depois corte em pedaços.

Se preferir, pode envolver a marmelada em açúcar ou secar ao sol, antes de servir.

A marmelada fica especialmente boa quando é feita com marmelos bem maduros e aromáticos. O processo de cozer o marmelo até obter um puré é um pouco demorado, mas é essencial para que a marmelada fique com uma textura suave e aveludada.